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Em que momento da sua vida você resolveu estudar para ser taróloga
e por que isso te atraiu?
Minha história com o tarô começa aos 17 anos. Comprei no extinto Círculo
do Livro (quem tem mais de 40 lembra) um livro que vinha com um tarô.
Durante a adolescência, acredito que tenhamos uma sintonia, além de
certa curiosidade sobre o oculto ou o mundo invisível, embora desde
menina já fosse sensível às energias. Comecei jogando para minhas
amigas e aparentemente era boa com associações. Dos 17 até os 47,
tem um gap imenso porque caí na armadilha de tentar me encaixar na
sociedade e padrões.
2017
foi um ano divisor de águas. Saí de um emprego numa
multinacional, meu parceiro terminou a relação e tive que trancar
psicologia. Então, um dia, ao chegar em casa de um temporário que
fui fazer, estava muito triste. Meu primeiro tarô, que estava em
cima do armário, caiu quando fui tirar um bicho que estava lá. Opa,
veio uma intuição! E, a partir daí, aos poucos fui quebrando
minhas crenças e investindo em algo que sempre amei fazer
e assumi (ainda que com muitas críticas) o tarô.
Para
mim, faz sentido estudar sobre os arquétipos do tarô,
compreendê-los para que eu consiga, através dos atendimentos, dar
uma diretriz, mapear cenários e perfis. Acredito que a mudança
está em nós e não há verdades absolutas. Tudo está em nós. O
estudo do tarô
começou em 2020, através de pesquisas que realizei para encontrar
um curso que viesse ao encontro do que pensava. E achei o Instituto
Cintia
Balotta,
em São Paulo. Tarô
não é só intuição; é muito estudo, sempre. Daí não parei
mais. Fui me aprimorando e hoje
conto
com uma rede de apoio que me ajuda nessa transição.
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– Quais as perguntas que não devem ser feitas no Tarô?
Você
pode perguntar o que deseja, mas o método que utilizo é diferente.
Por exemplo: Tenho o dedo podre para o amor. O que há de
errado?. Sempre peço permissão aos meus clientes para
ressignificar a pergunta. Porque identifico que já há uma crença
limitante na própria
pergunta. O que posso buscar para me aprimorar nos relacionamentos
afetivos?. Desta forma, coloco o consulente em um posicionamento
diferente: de
cocriador da sua existência. Não há pergunta que não possa ser
feita, mas a
melhor forma de ser feita para obter um aconselhamento que te trará
paz e coragem.
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– Na sua opinião o que o tarô tem a ver com a espiritualidade?
Cada
um possui uma forma de se conectar com sua espiritualidade.
Experimentei várias doutrinas, estudei e estudo sempre sobre todas e
cada uma delas me ensinou algo distinto que aplico em meu dia a dia.
Então, creio que cada um possui uma forma de se conectar ao
Divino/Universo/Deus/Orixás/Guias/Mentores/Santos de Devoção
quando entramos no estado meditativo da prece, estando
comprovado cientificamente que
acessamos regiões no nosso cérebro que
liberam transmissores os quais
trazem benefícios. Então, a espiritualidade faz bem. É ativar o cérebro para alcançar o
equilíbrio. Isto posto, conectar-me
com essa parte me permite mapear conexões, estar bem assessorada
e atenta às palavras, posturas e à minha ancestralidade que provém
dos ciganos.
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– Como o tarô lhe fortaleceu como pessoa?
Confesso
que foi um processo de formiguinha. Juntamente com os estudos e o
curso, perguntei aos amigos mais próximos se se incomodariam de me
ajudar, se eu poderia jogar para eles. De lá para cá, pelos
feedbacks indicativos de meus pontos fortes e pontos a melhorar, venho
me apropriando de pequenas coragens, das conexões e associações
positivas e assertivas, mas o que me deixa mais segura é que todos
que me procuraram saíram melhores e com um caminho. Isso me
fortalece como pessoa, me ajuda a ter cada vez mais força e
curiosidade para estudar e oferecer o meu melhor. Me empodera e me
acolhe.
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– Qual é a parte do tarô que as pessoas ignoram?
Bom,
como a abordagem é
terapêutica, e não
divinatória, entendo que temos que treinar a nossa fala e,
principalmente, nos colocarmos
no lugar do outro, ao identificar momentos desafiadores. As pessoas
acreditam que o tarô seja algo apenas intuitivo. Mas um profissional
que deseja oferecer
um melhor serviço está sempre estudando, fazendo cursos, procurando
entender a necessidade da pessoa que busca esse
tipo de profissional, suas ansiedades, questões, sofrimentos. Além
da intuição, envolve estudo, empatia, sensibilidade e acolhimento.
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– Quais tipos de atendimento você faz?
Realizo
dois tipos de atendimento: um simples, com fotos e áudio; e outro,
completo, com fotos das cartas, áudio e um mapa tarológico.
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– Você faz consultas ao vivo e on-line?
Combino
com o/a consulente sempre um horário, à noite, em que ele/ela possa
relaxar e meditar. A partir disso, por princípio de sincronicidade,
me preparo e abro a mesa para jogar. Por questões de logística,
porque a taróloga é mãe, esposa, dona de casa, o horário mais
silencioso é quando todos se deitam e vão dormir. Na manhã
seguinte, já estão no celular da pessoa os áudios e as fotos.
Geralmente, passo a noite jogando, analisando, vendo a melhor maneira
de falar. Os dados que peço são sempre o nome e as
perguntas. Evito a comunicação por redes sociais, para que não
haja dúvida de que o meu trabalho é ético. Prefiro que me
contatem pelo whatsapp.
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– Você já teve algum contratempo fazendo uma leitura?
Às
vezes o jogo trava. Explico: você pergunta e as cartas não
comunicam o que deveria. Claro, nesses momentos é hora de parar,
respirar, tomar uma água, energizar as mãos e, no meu caso, eu
entro em prece. Destrava e vai. Aí, sempre pergunto se a pessoa
dormiu bem, como ela estava e, em 80% dos casos, a pessoa não
conseguiu dormir, estava ansiosa. Isso interfere um pouco.
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– Qual seria a sua marca como profissional no tarô?
Bom,
se estamos falando de uma característica, é tarô com ética,
acolhimento e responsabilidade. A fala nos áudios deve ser sempre
amorosa, carinhosa e calma. Tudo deve ser transmitido para que se
compreenda o caminho aconselhado e, acima de tudo, que ninguém saia
da consulta triste, e sim esperançoso - ainda que o cenário para
aquela pessoa seja desafiador. Tarô com acolhimento.
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– Nos conte por favor uma experiência sua com tarô que lhe deixou
contente ou assustada:
O
maior desafio para quem cresceu em uma família tradicional, é
enfrentar as críticas porque você está seguindo um caminho
diferente do que esperavam. Depois de muitos embates e menosprezo,
quando meus familiares começaram a ter o feedback de pessoas
próximas de que realmente eu jogava de todo o coração e de forma
muito cuidadosa, esse ponto de vista mudou e hoje meu pai (o mais
cético) curte minhas postagens. E, uma vez, durante um jogo, meu
gato subiu à mesa e ficou quietinho me olhando jogar. Em uma
determinada pergunta, empaquei. A resposta não estava devidamente
alinhada. Olhei e ele estava com a patinha sobre duas cartas e eram
as que fechavam a resposta. Achei o máximo e assustador.
Entrevista
concedida à jornalista e editora Miriam Costa, publicada
originalmente no blog da revista eletrônica Masticadores Brasil, em
21/06/2023. Conheçam a revista Masticadores.
Interessados(as)
em consultas com a
taróloga
terapêutica Patricia Silveira,
podem contatar a profissional pelo e-mail pathysilveira32@gmail.com,
fornecendo o nome completo e o
número do whatsapp, para contato. Não se esqueçam de mencionar que souberam do tarô terapêutico por meio de Intervalo Cultural Rio.