domingo, 15 de setembro de 2019

INSCRIÇÕES PARA O 4° PRÊMIO KINDLE DE LITERATURA SEGUEM ATÉ DIA 15/10/2019

A Amazon.com.br, em parceria com a Editora Nova Fronteira, convida autores a participarem da 4ª edição do Prêmio Kindle de Literatura, para romances inéditos.

 

Romances são narrativas ficcionais longas que podem ser classificadas em diversas subcategorias, como fantasia, ficção científica, suspense, romance histórico e outras.

 

A  obra vencedora receberá o prêmio de R$30.000 (trinta mil reais) e seu autor terá a oportunidade de celebrar um contrato com a Editora Nova Fronteira para a publicação do título em versão impressa.

 

Além disso, os finalistas do Prêmio Kindle de Literatura, em conjunto com os finalistas dos demais prêmios literários de KDP (Kindle Direct Publishing) ao redor do mundo, serão avaliados por especialistas de Amazon Prime Video e uma história será escolhida para receber um contrato de opção, podendo se tornar uma produção audiovisual, com pagamento antecipado de US$ 10.000 (dez mil dólares).

 

Os interessados terão 60 dias para publicar seu livro de forma independente na Amazon.com.br por meio da ferramenta Kindle Direct Publishing. As inscrições serão aceitas apenas entre 15 de agosto e 15 de outubro de 2019.

 

Os 5 finalistas serão divulgados entre 27 e 31 de janeiro de 2020, e o vencedor será anunciado entre 17 e 21 de fevereiro de 2020. Para mais informações acesse o Edital.

 

fonte: Amazon.com.br

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

VERIFIQUE SE VOCÊ NECESSITA DE FAZER O CADASTRAMENTO BIOMÉTRICO NO TRE-RJ



Uma ferramenta de consulta foi disponibilizada no site do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para o eleitor saber se necessita de fazer a biometria. Basta informar o nome ou o número do título, além do nome da mãe e data de nascimento. Trinta e cinco municípios, no estado do Rio de Janeiro, já deram início ao cadastramento biométrico obrigatório (revisão eleitoral).  Quem precisa fazer a biometria deve agendar o atendimento no site do TRE-RJ ou pelo telefone (21) 3436-9000.

Para o atendimento, é preciso levar documento de identificação oficial válido com foto, comprovante de residência (emitido no máximo em 90 dias) e o título de eleitor (caso possua).

Estão dispensados de realizar o procedimento os eleitores que tiveram a biometria validada nas urnas nas últimas eleições, graças à importação dos dados biométricos do Detran-RJ para o cadastro da Justiça Eleitoral. O mesmo vale para aqueles que já fizeram a coleta biométrica na Justiça Eleitoral.

Para outras informações, como a lista dos municípios com biometria obrigatória neste ano, acesse TRE/RJ - BIOMETRIA.

Verifique aqui se você necessita de fazer a biometria: COLETA BIOMÉTRICA

fonte: TRE-RJ

O REAL E O IMAGINÁRIO EM "O EXPRESSO POLAR"



"Às vezes, as coisas mais reais do mundo 
são as que não podemos ver".

quinta-feira, 18 de julho de 2019

MAMÃEZINHA QUERIDA: UMA POLÊMICA CERCADA DE INCERTEZAS


Baseado no livro de Christina Crawford, o filme Mamãezinha querida (“Mommie dearest”, 1981) retrata a difícil relação da autora com sua mãe adotiva, a atriz Joan Crawford, a quem descreve como amarga, manipuladora, alcoólatra, instável e obcecada por limpeza.



Publicado em maio de 1978, o livro propôs-se a demolir a imagem pública da atriz. Christina acusou a mãe de tirania e expôs os maus tratos sofridos por ela e seu irmão Christopher ainda na infância (no filme, protagonizado por Faye Dunaway, a cena mais lembrada é aquela em que Joan agride a filha, ainda menor de idade, com um cabide). Christina também acusou Joan de oportunismo, referindo-se ao casamento da atriz com Alfred Steele, CEO da Pepsi.



Ainda segundo Christina, Joan era ambiciosa e não tinha escrúpulos quando o assunto era manter-se em evidência. Dois fatos ilustram a opinião da autora: no primeiro, ocorrido em outubro de 1968, Joan, então com mais de 60 de idade, teria insistido com os produtores da rede CBS para substituir Christina em quatro episódios da série televisiva The secret storm1, enquanto esta se recuperava de uma doença (detalhe: a personagem em questão, Joan Borman Kane, tinha apenas 24 anos). No segundo (não citado no filme), Joan se oferecera para receber simbolicamente o Oscar de melhor atriz conquistado em 1963 pela colega Anne Bancroft por O milagre de Anne Sullivan (Joan o teria feito tão somente para irritar a rival Bette Davis, com quem contracenou e que concorreu na mesma categoria por O que terá acontecido a Baby Jane?).



A propósito, as filmagens de O que terá acontecido a Baby Jane? (1962), estando Joan e Davis sob contrato com a Warner, foram costuradas por tentativas mútuas de sabotagem, brigas nos bastidores, insinuações recíprocas e supostas agressões físicas2. Com a morte de Crawford, em maio de 1977, Bette Davis teria declarado: Não devemos dizer coisas ruins sobre os mortos; só coisas boas. Joan Crawford está morta. Que bom!”. Outra polêmica declaração atribuída a Davis: “Por que sou boa interpretando megeras? Porque acredito em não ser uma. Talvez seja esse o motivo pelo qual Miss Crawford sempre interpreta mocinhas.



Em relação ao livro de Christina Crawford, circula na internet outro depoimento atribuído a Bette Davis, sem citação à fonte, em que esta teria defendido a colega: Eu não era a maior fã de Miss Crawford, mas eu respeitei e sempre respeitarei seu talento. O que ela não merecia era esse livro detestável escrito por sua filha. […] Fazer isso com alguém que a salvou do orfanato, lares adotivos, ou sabe Deus o quê. Se ela não gostava da pessoa que escolheu para ser sua mãe, ela era adulta e podia escolher o caminho de sua própria vida. Eu me senti muito triste por Joan Crawford, mas eu sabia que ela não iria apreciar minha pena, porque essa é a última coisa que ela teria desejado, que alguém tivesse pena dela, especialmente eu. Agora posso entender o quão machucada Miss Crawford era. Bem, não, eu não posso. É como tentar imaginar como me sentiria se minha amada filha B. D. escrevesse um livro ruim sobre mim. Inimaginável. Sou grata por meus filhos e por saber que nunca iriam fazer qualquer coisa como o que a filha de Miss Crawford fez com ela.3



O relatado por Christina dividiu opiniões em Hollywood. Colegas de profissão, como Katharine Hepburn, Cesar Romero (o Coringa do seriado Batman dos anos 60), Marlene Dietrich e Douglas Fairbanks Jr. (ex-marido de Joan), para citar os mais conhecidos, saíram em defesa da atriz. Mas outras pessoas próximas de Joan, como Jeri Binder Smith (uma de suas secretárias) e o diretor Vincent Sherman - que a dirigiu em A dominadora (1950), Os desgraçados não choram (1950) e Adeus, meu amor (1951) -, declararam ter presenciado algum comportamento hostil da atriz em relação aos filhos (além de Christina, Joan adotou outras três crianças).



Não está claro no filme dirigido por Frank Perry se o comportamento agressivo de Joan era habitual ou se o roteiro (ou o livro) manipula momentos isolados de histeria da atriz. À época do lançamento do livro, Christina foi acusada de reinvindicar os holofotes para si, face a Joan estar morta há apenas dezessete meses. De qualquer forma, o filme Mamãezinha querida coloca uma interrogação no que entrega aos espectadores. Faye Dunaway, por sua vez, exagerou na composição da personagem e o filme não caiu nas graças de Hollywood, tendo recebido o troféu Framboesa de Ouro4, em 1982. A protagonista, anos depois, declarou ter se arrependido do papel. 

(Francisco Filardi)



___________



1 O filme apenas menciona o fato, não fazendo referência ao título da série.



2 Não se sabe até que ponto muito do que fora divulgado na imprensa, à época, teria sido obra de assessores de imprensa para alimentar e manter o fogo da rivalidade.



3 Em 1985, Barbara Davis Hyman, filha de Bette Davis, publicaria o livro My mother’s keeper (não publicado no Brasil), no qual descreve sua difícil relação com a mãe.



4 O Framboesa de Ouro é uma sátira ao Oscar; sua premiação é destinada aos piores filmes do ano.




P.S.: A série FEUD (2017), produzida pelo FOX Channel, é protagonizada por Jessica Lange (Joan Crawford) e Susan Sarandon (Bette Davis) e inspirada nas brigas das atrizes nos bastidores da produção de O que terá acontecido a Baby Jane?.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

NÃO SILENCIE: DENUNCIE O ABUSO INFANTIL

VOCÊ SABE IDENTIFICAR SE UMA CRIANÇA 
ESTÁ SENDO VÍTIMA DE ABUSO SEXUAL?
 

Em 2017, mais de 14 mil denúncias de abuso sexual infantil foram registradas pelo Disque 100, um aumento de 26,81% comparado à 2016.  Isso significa que, diariamente, cerca de 40 crianças e adolescentes sofrem violação.

Neste ano de 2019, a Fundação Abrinq dará continuidade à campanha Pode ser abuso, que visa a conscientizar e sensibilizar a sociedade para o tema, orientando-a sobre os principais indícios que crianças e adolescentes podem apresentar em possíveis casos de abuso sexual.

 
Consulte a página Pode ser abuso.

Alguns segredos não devem ser guardados.  Quebre o silêncio e apoie a campanha.

Como participar:

- Cole os cartazes em ambientes movimentados;
- Compartilhe a ideia e os materiais da campanha com a sua rede.

Os materiais estão disponíveis para download em: Pode ser abuso materiais.

A sua participação é importante.
Contate a Fundação Abrinq: comunicacao@fadc.org.br


com a colaboração de nosso correspondente Paulo Joubert Alves de Souza, editor do fanzine Cine HQ, de Belo Horizonte/MG.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

BIG LITTLE LIES - A SÉRIE DA HBO APONTA PARA VÁRIAS DIREÇÕES


"Adoro meus rancores.  Eu os trato como bichinhos de estimação".
(Madeline, personagem de Reese Whiterspoon)


A série da HBO (que estreou a segunda temporada em junho/2019) expõe o complexo painel das relações humanas, entregando ao espectador um repertório de ciúmes, preconceitos, desprezo, cólera e atitudes aparentemente descompromissadas ou sem sentido.  Tudo se mistura e confunde-se num prato cheio para psicólogos e simpatizantes.

A primeira temporada (2017) é uma história completa, tendo por destaque as atrizes Reese Whiterspoon, na difícil tarefa de ser mãe e de administrar um casamento na corda bamba, e a premiada Nicole Kidman no papel de uma advogada vítima de violência doméstica, incapaz de aceitar sua condição de violentada.

Completa o trio de protagonistas Shailene Woodley, conhecida por seu trabalho na franquia "Divergente" e no filme "A culpa é das estrelas".  Sua personagem é a única que destoa do universo riquinho da comunidade de Monterey, na Califórnia, onde se dá a trama.

Dirigido por Jean-Marc Vallée (de "Clube de compras Dallas"), Big Little Lies é baseado no romance homônimo de Liane Moriarty, publicado em 2014.   A trilha sonora da série é um espetáculo à parte.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

SÉRIE JONNY QUEST É RELANÇADA EM BLU-RAY NOS ESTADOS UNIDOS


No dia 11/06/2019, chegou ao mercado estadunidense o box da série de animação Jonny Quest, (1964-1965), relançada no formato Blu-Ray.

A novidade contém 3 discos com os 26 episódios originais em áudio remasterizado, extras, informações sobre a produção clássica da Hanna-Barbera e curiosidades da série, num total de 572 minutos. 

Ainda não há previsão da chegada do produto ao mercado brasileiro.

OS MELHORES EPISÓDIOS DE "ALÉM DA IMAGINAÇÃO"



Criado e apresentado por Rod Serling, o seriado The twilight zone ("Além da imaginação", no Brasil) foi ao ar nos Estados Unidos pela rede CBS em 5 temporadas, entre 1959 e 1964. Seus episódios tinham duração média de 25 minutos cada, à exceção da 4a. temporada cujos episódios se estendiam por cerca de 50 minutos.



A série foi uma das pioneiras no segmento da ficção científica e na abordagem de temas sensíveis, futuristas e sobrenaturais, como viagens no tempo, mistérios espaciais, marítimos ou aéreos, fraquezas humanas, distúrbios psicológicos, paranormalidade e outros assuntos estranhos aos seriados de humor e aventura, comuns à época.



"Além da imaginação" revelou bons roteiristas, a exemplo de Charles Beaumont (1929-1967) que em 1964 assinaria para o cinema o roteiro de "As 7 faces do Dr. Lao", seu trabalho mais conhecido. Quanto ao elenco, a série contou com a participação de atores que eram ou se tornariam mundialmente famosos em outros seriados televisivos dos anos 60 e 70, entre estes: William Shatner e Leonard Nimoy (Jornada nas estrelas); Elizabeth Montgomery, Dick York, David White e Agnes Moorehead (A feiticeira); Burgess Meredith e Julie Newmar (Batman); Jonathan Harris e Billy Mumy (Perdidos no espaço); Ross Martin (James West); Telly Savalas (Kojak); Bill Bixby (O incrível Hulk) e Richard Basehart (Viagem ao fundo do mar). Atores consagrados no cinema, como Franchot Tone, Buddy Ebsen, Lee Van Cleef, Dana Andrews, Buster Keaton, Gladys Cooper e Robert Redford (este em início de carreira) também deram as caras na série.



Rod Serling foi um dos mais produtivos escritores de seu tempo: 93 dos 156 roteiros de “Além da imaginação” levam sua assinatura1, incluindo o episódio piloto, intitulado “The time element2. A partir da segunda temporada da série, Rod Serling passaria a apresentar os episódios não mais em off, como na primeira temporada, mas a partir dos cenários como participante indireto das narrativas. A inovação conferiu charme à série e tornou-se uma de suas marcas, sendo mantida nas demais versões de "Além da imaginação" produzidas em 1985/1989 (três temporadas) e em 2002/2003 (uma temporada)3.



Dada a relevância da série, Intervalo selecionou 17 episódios que valem o ingresso e fazem de "Além da imaginação" uma das mais cultuadas e influentes produções da história da TV.




1ª Temporada:




1) O que você precisa (What you need)

Exibido originalmente em 25/12/1959

Direção: Alvin Ganzer

Roteiro: Rod Serling, baseado em um conto de Lewis Padgett

Atores: Steve Cochran, Ernest Truex, Read Morgan, Arline Sax, Fred Kruger, Doris Karnes e outros.

 
Renard inferniza a vida do velho Pidotte



Aos 36 anos de idade, Fred Renard é um homem amargo. Está a afogar as mágoas no balcão de um bar, à espera de algo que lhe dê novo rumo na vida. Ele vê entrar ali um vendedor com sua maleta de miudezas. O idoso tem o raro dom de perceber do que as pessoas precisam e o que faz deixa Renard maravilhado. O velho, de nome Pidotte, deixa o bar sem alarde mas, à calçada, pressente que Renard o está seguindo; este não tarda a assediá-lo de forma insistente. Pidotte alerta Renard, dizendo que este precisa de paz de espírito, serenidade, humor e aprender a rir de si mesmo. Mas o homem não entende que aquele dom especial deve ser utilizado com sabedoria. E não se dá por vencido. Põe as mãos na maleta do idoso e de lá retira um par de sapatos os quais põe nos pés de imediato. Os calçados estão justos e são escorregadiços. Pidotte fecha a mala e atravessa a rua, para fugir de Renard; este ameaça correr atrás do velho, mas os sapatos novos deslizam, ele perde o equilíbrio e é colhido por um veículo em alta velocidade.



Nota do editor: o episódio retrata a ganância, não o desespero. O coração obscuro de Renard o leva a explorar a generosidade de Pidotte e ele é vitimado por uma das leis imutáveis do Universo: aquele que faz ou causa o mal é castigado em proporção e natureza cuja decisão cabe ao próprio Universo.





2) O monstro da rua Maple (The monsters are due on Maple street)

Exibido originalmente em 04/03/1960

Direção: Ronald Winston

Roteiro: Rod Serling

Atores: Claude Akins, Barry Atwater, Jack Wenston, Jan Hanelzlik, Anne Barton, Amzie Strickland e outros.

 Steve e Charlie não acreditam em extraterrestres


Às 18:43h de um sábado, os habitantes de uma pequena cidade dos EUA percebem no céu luzes oscilantes e um ruído estranho, nas imediações da rua Maple. Pensam tratar-se de um meteorito. Mas os aparelhos eletroeletrônicos, automóveis, ferramentas e telefones deixam de funcionar, em toda a vizinhança. Steve Brand e Charlie decidem ir ao centro da cidade para investigar, mas são desaconselhados por Tommy, adolescente fascinado por quadrinhos de ficção científica, alegando que extraterrestres não os deixarão sair dali. A própria mãe do garoto o ridiculariza, causando um impasse. Os vizinhos passam a desconfiar uns dos outros e vigiam-se até a noite. Acusam-se reciprocamente de não serem humanos e de serem causadores de uma série de incidentes. As luzes das casas acendem e apagam alternadamente e, em meio ao pânico que se instaura, um dos vizinhos é assassinato de forma acidental. Enquanto isso, no alto de um morro, dois extraterrestres conversam sobre como implantar o caos, ali e em qualquer cidade do planeta, afinal são pensamentos, atitudes e preconceitos que destroem a confiança. E até matam.



Nota do editor: O conceito de histeria coletiva é trabalhado de forma primorosa neste que é considerado um dos episódios clássicos da série. Dez dentre dez fãs apontam esse como um dos grandes roteiros de Rod Serling e um dos mais expressivos de "Além da Imaginação".





3) O outro lugar (A nice place to visit)

Exibido originalmente em 15/04/1960

Direção: John Brahm

Roteiro: Charles Beaumont

Atores: Larry Blyden, Sebastian Cabot e outros.

a noção de céu é relativa para Valentine e Pip


Henry Francis "Rocky" Valentine é um criminoso barato, ladrão de joias que nunca desejou melhor sorte na vida. Em certa noite, assalta uma joalheria e, na fuga, é surpreendido por policiais que lhe atiram pelas costas e abandonam seu corpo num beco escuro. Um homem elegante, vestido de branco, aproxima-se de Valentine, que se levanta do chão como se nada lhe tivesse ocorrido. Surpreende-se com o homem que se interessa por ele e apresenta-se como "Pip". Ele sabe tudo sobre Valentine e o seduz com promessas de realização de desejos e com a soma de 700 dólares que tira do bolso e, sem cerimônia, entrega a Valentine. O ladrão desconfia, mas segue Pip, que o leva a um hotel de luxo. Lá, Valentine tem um quarto à disposição, com mulheres, comida, roupas novas. E dinheiro a rodo para gastar no cassino. No jogo, Valentine ganha em todas as mesas, o que se repete todos os dias. Ri, satisfeito, acha-se invencível. Tudo é perfeito demais, até que o criminoso se farta daquele "círculo vicioso" de vitórias arranjadas. Ele protesta com o seu “anjo da guarda”, mas Pip retruca: - "O que foi que lhe deu a ideia de que estava no céu, Sr. Valentine?”.



Nota do editor: O roteiro sugere uma reflexão acerca da ilusão humana proporcionada pela facilidade dos caminhos curtos.





4) Pesadelo (Nightmare as a child)

Exibido originalmente em 29/04/1960

Direção: Alvin Ganzer

Roteiro: Rod Serling

Atores: Janice Rule, Shepperd Strudwick, Terry Burnham, Michael Fox e Joe Perry.

a pequena Markie vem para reavivar a memória de Helen



Helen Foley encontra uma menina sentada à escada, próximo à porta de seu apartamento. Faz-lhe perguntas, mas a menina não responde. Helen puxa conversa e apresenta-se como professora, o que é desnecessário; a menina sabe tudo sobre a mulher. Helen a convida para beberem chocolate - morno como ambas o preferem. Enquanto conversam, a menina aponta uma cicatriz de queimadura no braço de Helen, perto do cotovelo. E pergunta como aconteceu. Helen, confusa, parece não lembrar, mas a menina lhe diz de que maneira ela ganhou queimadura e pergunta ainda se naquele dia Helen havia visto um homem num carro, nas imediações da escola onde trabalhava. Estranhando o fato de a menina saber tanto sobre ela, Helen deseja saber seu nome. A menina diz que tem um apelido: Markie. Helen fica perturbada, pois esse era seu apelido de infância. A conversa é interrompida, pois Markie ouve passos no corredor e assusta-se. Alguém bate à porta. É Peter Selden, o homem do carro a que Markie se referiu, estacionado perto da escola de Helen. Trata-se de um velho conhecido da mãe da professora; mas ele não está ali para uma visita amistosa e sim para remexer detalhes de um passado sinistro e vasculhar os fragmentos de memória do subconsciente de Helen, bloqueados devido a um trauma de infância.



Nota do editor: o episódio é um prato cheio para estudantes e profissionais da área de psicologia. Explora o bloqueio do subconsciente a partir de um ato de violência testemunhado por uma criança e seus desdobramentos ao longo da vida adulta.





2a. Temporada





5) A hora tardia (The lateness of the hour)

Exibido originalmente em 02/12/1960

Direção: Jack Smight

Roteiro: Rod Serling

Atores: Inger Stevens, John Hoyt, Irene Tedrow, Tom Palmer, Mary Gregory e outros.

Jana não gosta dos robôs e confronta os pais



Jana vive reclusa num casarão, onde todos os serviçais são robôs construídos por seu pai, Dr. William Loren. Infeliz, Jana questiona a condição de dependência a que se sujeitam, já que são servidos pelas máquinas em situações domésticas elementares. Embora o ambiente antissocial em que vivam signifique para o Sr. e Sra. Loren abrigo, segurança, distanciamento das guerras, das doenças e do preconceito, Jana não corrobora dessa visão e passa a rejeitar os robôs. Pede ao pai que os destrua, com o que William concorda. Ela, agradecida, faz planos para o futuro: viajar, dar festas, ter amigos, encontrar um homem, ter filhos. Mas o Dr. Loren e a esposa reagem com distanciamento aos desejos da filha e esta percebe que algo está errado. Aflita, Jana toma para si um velho álbum de fotos da família e pergunta aos pais por que não há fotos de sua infância naquelas páginas. William desaba na poltrona e Jana compreende o que o pai não lhe consegue confirmar por palavras. - O que eu sou? - ela pergunta. A resposta é óbvia.



Nota do editor: episódio atualíssimo neste início de século XXI, em que a ciência robótica caminha para o desenvolvimento de inteligências artificiais autônomas, articuladas quanto à fala e capazes de interagir com o ser humano.





6) O homem obsoleto (The obsolete man)

Exibido originalmente em 02/06/1961

Direção: Elliot Silverstein

Roteiro: Rod Serling

Atores: Burgess Meredith, Fritz Weaver, Josip Elic, Harry Fleer, Barry Brooks e outros.

O cinza e o preto são obsoletos para Wordsworth

Romney Wordsworth é julgado e considerado “obsoleto”, por ser um bibliotecário. Recebe sentença de morte. Os livros foram exterminados e nem mesmo a Bíblia escapa nesse cenário distópico. Qualquer cidadão que transgrida a lei é considerado “obsoleto”. A execução de Wordsworth se dará dali a 48 horas e o chanceler, que preside o julgamento, faculta ao condenado a escolha do local, do horário e do método. Wordsworth requer que o assassino esteja presente no momento de sua morte e que sua execução seja televisionada, o que lhe é autorizado. Na noite determinada, pouco antes do horário previsto para o cumprimento da sentença, Wordsworth recebe o chanceler em sua casa para uma conversa, diante das câmeras da TV. A casa está repleta de livros. O chanceler só não contava que o condenado o faria ver a obsolescência por um outro prisma e que os destinos de ambos tinham muito em comum.




Nota do editor: trata-se de outro magnífico roteiro de Rod Serling. Inspirado em George Orwell, o criador da série destaca que o episódio “foi feito à medida de cada ditador que alguma vez planejou deixar as pegadas de suas botas nas páginas da História, desde o princípio dos tempos”. Trata-se de um texto que reflete acerca do cerceamento e da aniquilação das liberdades humanas, onde “a lógica é um inimigo e a verdade, uma ameaça”. Serling arremata: “Qualquer Estado, qualquer entidade, qualquer ideologia que falha em reconhecer os direitos do homem, esse Estado é obsoleto”. Episódio imperdível.





7) O silêncio (The silence)

Exibido originalmente em 28/04/1961

Direção: Boris Sagal

Roteiro: Rod Serling

Atores: Franchot Tone, Liam Sullivan, Jonathan Harris e outros.

 
Os atores Franchot Tone e Jonathan Harris numa aposta cruel

Para o coronel Archie Taylor, Jamie Tannyson é um tagarela irritante. De tal modo que ordena ao serviçal do clube de cavalheiros que frequenta entregar ao seu desafeto um bilhete com a seguinte proposta: se Tannyson permanecesse em silêncio por um ano, este receberia U$500.000,00. A condição é que o tagarela seria colocado numa espécie de redoma, com tudo ao seu dispor; ele seria observado por qualquer membro do clube de cavalheiros, mas não poderia pronunciar uma palavra sequer. Tannyson aceita o desafio. Apesar das insistentes tentativas de desistência sugeridas por Archie, após um ano de confinamento Tannyson conquista o direito ao prêmio da aposta. No entanto, o coronel, diante dos membros do clube, faz uma revelação surpreendente, mas o que choca mesmo é o recurso a que Tannyson apelou para vencer a aposta.





8) A noite dos humildes (The night of the meek)

Exibido originalmente em 23/12/1960

Direção: Jack Smight

Roteiro: Rod Serling

Atores: Art Carney, John Fiedler, Robert P. Lieb, Meg Wyllie, Val Avery e outros.

Corwin se mostra um Papai Noel humano e autêntico


Henry Corwin se veste de Papai Noel em uma loja de departamentos. Desesperado com a sua condição de vida, embriaga-se em serviço e é demitido. Seu gerente, de nome Dundee, é implacável, mas Corwin carrega dentro de si o genuíno desejo de ser um Noel. Ao caminhar pelas ruas cobertas de neve, ele ouve guizos e encontra um saco de presentes próximo a latas de lixo, num beco. Mas não é só isso: o saco é mágico e materializa os desejos das pessoas, o que faz Corwin distribuir presentes por toda a comunidade. Isso desperta a atenção do policial Flaherty, que o leva para a chefatura. Dundee aparece por lá, para ratificar sua acusação e espezinhar Corwin, mas tanto ele quanto Flaherty ficam surpresos com o que a magia do Natal pode fazer.





9) Sala 22 (Twenty two)

Exibido originalmente em 10/02/1961

Direção: Jack Smight

Roteiro: Rod Serling

Baseado em “Famous ghost stories”, de Bennett Cerf

Atores: Barbara Nichols, Jonathan Harris, Fredd Wayne, Arline Sax, Mary Adams, Norma Conolly, Wesley Lau, Angus Duncan e outros.

Elisabete é aterrorizada por um sonho recorrente


Elisabete Powell é uma stripper de cabaret. Internada com diagnóstico de ansiedade aguda e fadiga por excesso de trabalho, Liz, como é chamada, tem o mesmo sonho todas as noites: sente sede, derruba um copo d’água da mesa de cabeceira, ouve o tic-tac de um relógio e passos no corredor; levanta-se da cama e abre a porta do quarto 305 do hospital e vê uma enfermeira descendo pelo elevador. Liz segue a mulher até ao subsolo, onde para diante da sala 22, o necrotério do hospital. A porta da sala se abre e uma enfermeira em pose sensual lhe pergunta: - “Quarto para mais um, querida?”, o que a desespera e a faz fugir dali. Suas crises se agravam. Ela relata o sonho ao médico que a aconselha a não pegar o copo, na próxima vez que sonhar. Ainda assim, Liz acidentalmente o derruba. E a cena se repete. O tratamento surte efeito e quando recebe a alta, Liz segue para o aeroporto onde, na sala de espera, uma sucessão de fatos a faz ver que seu sonho recorrentes não é apenas sonho.





3a. Temporada





10) Nada no escuro (Nothing in the dark)

Exibido originalmente em 05/01/1962

Direção: Lamont Johnson

Roteiro: George Clayton Johnson

Atores: Gladys Cooper, Robert Redford e R. G. Armstrong.

Baseado no famoso verso de T.S. Eliot: “assim expira o mundo/Não com uma explosão, mas com um suspiro”.



  Gladys Cooper e Robert Redford: a morte bate à porta


Wanda Dunn é uma idosa solitária, vive numa casa cujo entorno está condenado. Seus vizinhos se foram há muito, pois tudo ali será demolido. Ela não permite que ninguém entre na casa, atormentada pelo medo do Sr. Morte. Está convicta de já tê-lo visto na rua. Certo dia, ela ouve o som de disparos. Um policial tomba à sua porta, ferido, e ela resiste à ideia de socorrê-lo. Ele suplica por ajuda e ela, enfim, o resgata. Seu nome é Herald Beldon. Ambos conversam, enquanto a idosa lhe dispensa cuidados. Beldon se mostra interessado no que apavora aquela mulher fragilizada pela idade. Até que um funcionário da companhia de demolição bate à porta. A idosa a entreabre, mas não permite que o homem entre. Mas ele força a entrada e explica que tudo virá a baixo dali a uma hora; ou seja, que ela terá de deixar o local. Ela olha para Beldon, pedindo-lhe para ajudá-la a explicar ao intruso que ela não pode sair dali. Mas Beldon permanece em silêncio. O homem da demolição pergunta à idosa com quem ela está falando e depois que ele se vai ela compreende: Beldon é o Sr. Morte. Beldon, então, reage à angústia daquela mulher que não deseja morrer questionando se ele era, de fato, tão assustador, afinal não fizera mal algum a ela. Wanda insiste, chorosa, em que não deseja morrer. Mas Beldon lhe mostra que a morte nada mais é que um suave suspiro.



Nota do editor: belíssimo roteiro de temática espiritualista. Interpretado de forma intensa e poética pela veterana Gladys Cooper, que contracena com Robert Redford em início de carreira. É um de nossos episódios favoritos.





11) Os transeuntes (The passersby)

Exibido originalmente em 06/10/1961

Direção: Elliot Silverstein

Roteiro: Rod Serling

Atores: James Gregory, Joanne Linville, Rex Holman, David Garcia, Warren Kemmerling, Austin Green e outros.


Abraham Lincoln consola Lavinia Godwin: a morte não é o fim



Com o fim da Guerra Civil, em 1865, uma caravana segue pela estrada do Fort Sumter, na Carolina do Sul, até Appomatox. Os homens estão feridos ou mutilados, e também desesperançados. Um sargento, em trajes civis, está entre eles, amparado por muletas; traz consigo um violão, sob intenso calor. Até que para diante de uma casa, onde Lavinia Godwin, uma jovem e solitária mulher, está a descansar na varanda. Ela perdera o marido na batalha de Yellow Tavern um ano antes e, por isso, ressentia-se da guerra. Entre os viajores, está seu ex-vizinho Charlie Constable, a quem não via há muito. Acreditava até que ele fora morto com um tiro na cabeça, em Gettysburg. Vai até ele, mas Charlie não lhe dá atenção, desvencilha-se dela e segue pela estrada; por algum motivo estranho, ele parece estar hipnotizado. Lavinia também avista seu marido, com quem tenta conversar, mas ele reage da mesma forma que Charlie: diz que aquela casa não mais lhe pertence. E segue a caravana. Os transeuntes acreditam ou pressentem que há algo no fim da estrada. O último homem a passar por ali é Abraham Lincoln, a última baixa da Guerra Civil. Ao conversar com Lavinia, ele recorre aos versos de William Sheakspeare, em “Júlio César”, para descrever o que sente: - “De todas as maravilhas que eu ainda não ouvi, me parece mais estranho que os homens tenham medo vendo que a morte é um fim necessário, e chegará quando for o momento”. E, apesar do medo que sentem, Lincoln e Lavinia se abraçam e seguem a caravana.





12) Era uma vez (Once upon a time)

Exibido originalmente em 15/12/1961

Direção: Norman Z. McLeod

Roteiro: Richard Matheson

Atores: Buster Keaton, Stanley Adams, James Flavin, Gil Lamb, Milton Parsons, George G. Stone, Arthur Tovey, Harry Fleer e Jesse White.

 Buster Keaton como nos velhos tempos


Woodrow Mulligan é um cidadão descontente, que vive em Harmony, Nova Iorque, no ano de 1890. Resmunga do elevado custo de vida e do barulho da cidade. Ele trabalha como zelador na oficina do professor Gilbert, cuja invenção mais recente é o capacete do tempo, um artefato que o permite viajar no tempo, para qualquer época, por no máximo 30 minutos. Mulligan se vê tentado a dispor do aparelho e o programa acidentalmente para a década de 60. No entanto, na sua Harmony de 70 anos depois, Mulligan depara com uma realidade ainda mais perturbadora: trânsito intenso, poluição sonora e do ar, barulhos ensurdecedores, dependência do relógio e custo de vida elevado. O capacete lhe escapa das mãos por mero acaso e, na perseguição, o artefato vai ao chão quando Mulligan cai sobre um transeunte de nome Rollo. O cidadão se oferece para ajudá-lo, mas o que Rollo deseja é usar o capacete para viajar para 1890, época em que não havia impostos ou excessos, segundo ele. Ao chegar lá, porém, Rollo se desaponta com a ausência de eletrônicos, catodos, transistores, TV e comida congelada, afinal aquele era o tempo das carruagens. Sem perda de tempo, Mulligan dá um jeito de livrar-se do descontente Rollo, mandando-o de volta à sua época de origem.




Nota do editor: Embora não possa ser considerado um dos grandes roteiros da série, Era uma vez registra a única participação de Buster Keaton (1895-1966) em "Além da Imaginação". Aos 65 anos de idade (cinco antes de seu falecimento), encontramos Keaton em surpreendente boa forma nas cenas de perseguição. O episódio reedita parcialmente os filmes sem fala, rendendo bela homenagem ao cinema mudo e ao próprio Keaton. Sem dúvida, um dos destaques da série.





13) Vovó melhor que a encomenda (I sing the body electric)

Exibido originalmente em 18/05/1962

Direção: James Sheldon e William Claxton

Roteiro: Ray Bradbury

Atores: Josephine Hutchinson, David White, Vaughn Taylor, Doris Packer, Veronica Cartwright, Susan Crane e Charles Herbert.

 George se entende com a governanta robô

George é um homem ocupado, que perdeu a esposa e precisa de uma governanta para cuidar de seus três filhos menores, Anne, Tom e Karen. Tom encontra um exemplar recente da revista Modern Science e lê para o pai I sing the body electric, lema da Facsimile Ltd., fabricante de um sistema eletrônico de processamento de dados, na verdade um robô desenhado em formato feminino. Em visita à empresa, George e filhos descobrem que os clientes podem escolher as características físicas de seu robô: cor de olhos e cabelos, formato de orelhas, tonalidade e textura da pele, altura etc. Tom e Karen se entusiasmam e começam a fantasiar sobre a aparência da nova governanta. Anne, ao contrário dos irmãos, não deseja que a máquina se pareça com a mãe. Quando a robô se lhes apresenta, como uma senhora na casa dos sessenta, Anne se mantém distante e dá sinais de rejeição. A máquina sabe que sua aceitação não será fácil. As crianças são a coisa mais complicada do mundo. Posso ser a melhor cozinheira do planeta, a melhor companheira para brincar, a mais incrível e interessante companhia, e isso é o mínimo. Uma alegria no estômago, uma pequena lembrança no cérebro. Mas tenho que entrar no coração, no coração de uma criança. Esse é um lugar profundo, difícil de alcançar, diz a governanta a George.


A menina confronta a robô e o pai, diz que aquilo não é real. Ao que a máquina retruca, afirmando ser capaz de amar. Anne se ressente, nega a morte da mãe, e acredita que esta mentiu ao dizer que a amava. Por isso, não crê na governanta. Sente-se abandonada. Mas ocorre um fato que faz a menina mudar sua percepção sobre a nova governanta. A máquina a salva de um atropelamento. Anne, carente de afeto, fica feliz por ver que a robô está a salvo; compreende que a máquina não se compara à sua mãe e que a cuidadora não a abandonará, não morrerá. Quando Anne, Tom e Karen chegam a fase adulta e vão para a universidade, a governanta informa que retornará à Facsimile Ltd., embora não saiba que destino a aguarda. Poderá ser reciclada, desmontada ou, com sorte, encaminhada para outra família. No entanto, projeta para dali a 300 anos o "sonho" que considera o maior de todos os presentes: ganhar vida. Reconhece que ao trabalhar para a família de George o aprendizado foi recíproco, por isto deseja compartilhar de sua experiência com outras máquinas. E deixa a casa com o dever cumprido.





4a. Temporada





13) Passagem para o Lady Anne (Passage on the Lady Anne)

Exibido originalmente em 09/05/1963

Direção: Lamont Johnson

Roteiro: Charles Beaumont

Atores: Lee Phillips, Joyce Van Patten, Gladys Cooper, Alan Napier, Cecil Kellaway e outros.

Os idosos não entendem por que Alan e Eileen estão a bordo

Alan e Eileen são um casal de jovens em crise conjugal que decide fazer uma viagem pelo mar. Mesmo com a resistência do agente de viagens, o casal adquire passagens para o navio Lady Anne. No dia e horário da viagem, pouco antes de embarcar, o casal é abordado por dois idosos que lhes pedem para mostrar as passagens, pois afirmam haver um engano. Ainda assim, o navio parte com o jovem casal a bordo e durante a viagem ambos observam que os passageiros, sem exceção, são idosos acima dos 70 anos de idade. À medida que conversam com seus companheiros de viagem, o casal ouve relatos de pessoas que há anos estiveram naquele mesmo navio, ali se casaram ou passaram suas luas de mel. O Lady Ann era, para aquelas pessoas, um íntimo e querido amigo. No entanto Alan e Eileen seriam forçados a entrar num bote e a deixar a embarcação, em meio ao oceano, pois aquela seria a derradeira incursão do Lady Ann e de seus velhos passageiros.




14) Emissário do inferno (Printer’s devil)

Exibido originalmente em 28/02/1963

Direção: Ralph Senensky

Roteiro: Charles Beaumont

Atores: Burgess Meredith, Robert Sterling, Patricia Crowley, Ray Teal, Charles Thompson, Doris Kemper e Camille Franklin.

 O ótimo ator Burgess Meredith pinta e borda com suas diabruras

Douglas Winter é proprietário do quase falido jornal Dansbourg Courier. Com a chegada de A Gazeta à cidade e a crise de seu negócio, ele vê seus funcionários irem para o concorrente. Só Doug e sua secretária e amante Jackie Benson permanecem ali. Encurralado, Doug diz a Jackie que faria qualquer coisa para salvar o jornal. Mas não é só: está desesperado. Numa noite, embriaga-se e segue por uma estrada deserta até uma ponte, de onde pretende atirar-se, mas é interpelado por um homem chamado Smith. Este ganha a simpatia de Doug e ambos retornam juntos para a cidade. Num bar, Smith diz ser jornalista e oferece seus serviços como operador de tipógrafo e repórter. Douglas o leva ao jornal para um teste na máquina e fica perplexo com a velocidade e precisão de Smith. Este não só aceita trabalhar sem receber até que o Courier saia do vermelho, como quita os débitos do jornal, cujo montante está na casa dos 4 mil dólares. Aos poucos, Smith faz modificações no tipógrafo e apresenta a Doug e a Jackie seus “furos” de reportagem. As notícias são confirmadas por Jackie e o jornal vai às ruas à frente de A Gazeta. Em duas semanas, o Dansbourg Courier triplica sua tiragem e recupera assinantes. Franklin, editor do jornal concorrente, visita Douglas com oferta de compra do Courier e, face a negativa, ameaça Douglas abertamente. Em seguida, Smith traz como “furo” a notícia de que o prédio do jornal concorrente está em chamas. E Franklin obviamente acusa Douglas de sabotagem. Jackie começa a desconfiar de Smith, afinal o processo de receber a notícia, digitá-la no tipógrafo, imprimir o jornal e distribuí-lo era difícil de cumprir em tão pouco tempo. Jackie pressiona Douglas, desejando saber onde conhecera Smith, mas ele declina. Face às circunstâncias, Smith convida Douglas para uma conversa a sós. E faz uma proposta: garante que Doug será o maior editor do planeta, desde que assine um contrato, em que o próprio Doug se compromete a entregar sua alma, por ocasião de sua morte, ao portador do documento, em troca dos serviços do contratante. A princípio, Douglas não leva a sério a proposta, mas é desafiado por Smith e acaba por assinar o contrato. Smith segue seu trabalho no jornal, trazendo “furos” de catástrofes, acidentes, traições conjugais dos figurões da cidade. Diante da desconfiança de Jackie, Smith passa a assediá-la, inclusive sussurrando-lhe algo que a faz esbofeteá-lo. Smith fica irritado e dá sinais de que planeja vingar-se. Em nova conversa com Smith, Doug compreende que seu repórter está provocando os acontecimentos e este digita nova matéria noticiando um acidente de carro com Jackie dali a poucas horas. A máquina, modificada por Smith, fazia com que tudo o que fosse digitado ocorresse de fato. E Smith entrega a Douglas um revólver, sugerindo que, desta vez, use um método rápido e infalível para matar-se. Douglas deixa o jornal para procurar por Jackie, mas Smith a envolve num jogo em que ele mesmo pretende levá-la à morte. No entanto, Doug recorre ao tipógrafo para redigir um texto o qual salvará sua amada e a si mesmo das artimanhas de Smith.





Nota do editor: nesse episódio, vemos o ótimo ator Burgess Meredith criar um estilo de fumar charutos que seria aproveitado poucos anos depois para compor uma de suas personagens mais populares: o Pinguim do seriado Batman (1966-1968).







5a. Temporada





15) Boneca viva (Living doll)

Exibido originalmente em 01/11/1963

Direção: Richard C. Sarafian

Roteiro: Charles Beaumont

Atores: Telly Savallas, Mary La Roche e Tracy Stratford.

A boneca Talking Tina fez Telly Savalas perder os cabelos nesse episódio

Annabelle compra uma boneca “falante” para sua filha Christie, mas ao chegarem em casa, Erich, o padrasto da menina, não aprova a aquisição. A menina se mostra empolgada com novidade: “My name is Talking Tina and I love you very much”, diz a boneca. Annabellle advoga em favor da filha e Erich consente que a boneca não seja devolvida. No entanto, quando Erich e Talking Tina estão a sós, a boneca diz que não gosta dele. Erich, a princípio, pensa tratar-se de uma brincadeira da esposa, mas não tarda a perceber que o ódio da boneca é real, chegando ao extremo de ameaça de morte. Erich deixa claro para Tina (Tina Tagarela, na versão brasileira) que deseja livrar-se dela; de fato, recorre à tortura, tenta queimá-la, serrá-la, mas a boneca não sofre sequer arranhão. Erich chega a jogar a boneca no lixo, mas Tina reaparece à noite, deitada na cama de Christie, para a sua surpresa. Certa noite, ele desperta, vai ao quarto da enteada mas Tina não está lá. Ao deixar o quarto da menina, ele tropeça na boneca, rola pela escada e acaba morto. Quando Annabelle desce para socorrê-lo, ouve Tina dizer: “My name is Talking Tina and you better be nice to me”.




Nota do editor: não descobrimos se a charmosa Talking Tina foi a primeira boneca malvada da TV, mas ela é predecessora de uma longa lista de bonecos assassinos que infestaram as telas dos cinemas a partir dos anos 80 (Chucky, Robert, Brahms e Annabelle, entre outros). O que muita gente não sabe é que a boneca existe e foi comercializada pelo site Pif Bang Pow, com vestimenta e características similares às da original, e cinco frases ditas por ela no episódio, com dublagem original.

Vejam o review em: MWC Toys





16) Qual o programa de hoje (What’s in the box)

Exibido originalmente em 13/03/1964

Direção: Richard L. Bare

Roteiro: Martin M. Goldsmith

Atores: Joan Blondell, William Demarest, Sterling Holloway, Sandra Gould, Howard Wright e Herbert Lytton.


 Mike (de frente) sintoniza o canal da verdade para Joe


O taxista Joe e sua esposa Phyllis Britt discutem na cozinha, enquanto o técnico Mike tenta consertar a TV. Casados há 27 anos, o casal está em crise pois Phyllis desconfia de que seu marido tem uma amante. Joe reclama com Mike devido à morosidade do serviço, o que julga ser proposital, afinal o técnico recebe por hora trabalhada. Ofendido, Mike deixa a TV como está e retira-se, alegando que ela está consertada. Ansioso para assistir a uma luta, Joe ocupa o sofá e liga a TV. As imagens inicialmente distorcidas deixam Joe empolgado, por estar sintonizando o canal 10, que oficialmente não existe. Mas, quando as imagens se tornam nítidas, Joe se vê na tela, em seu táxi, numa discussão com a amante. Confuso, Joe desmaia e é acudido pela mulher. Ao voltar a si, Joe se irrita com Phyllis, porque ela nada vê além de chuviscos e linhas horizontais no aparelho. Joe ordena à esposa que ela telefone para o técnico. Na TV, Joe se vê em outra cena: persegue Phyllis pela sala, ambos se agridem mutuamente, destroem objetos, arremessam coisas um no outro. Até que Joe esmurra Phyllis e, desequilibrada, cai da janela. Joe tenta se desculpar com a mulher, reconhecendo, nas entrelinhas, que tem, de fato, uma amante. Phyllis entende aonde Joe pretende chegar. E passa a zombar do marido infiel. A partir daí, tudo se desenrola da forma como Joe viu na TV. E quando a cena final se desdobra, a polícia, alguns vizinhos e o técnico Mike adentram o apartamento. É quando Mike pergunta a Joe se a TV está funcionando bem e se seus serviços serão recomendados.





17) As máscaras (The masks)

Exibido originalmente em 20/03/1964

Direção: Ida Lupino

Roteiro: Rod Serling

Atores: Robert Keith, Milton Selzer, Virginia Gregg, Brooke Hayward, Willis Bouchey e Alan Sues. 

O velho Foster faz as máscaras de sua família caírem.

Jason Foster é um idoso rabugento, à beira da morte. Desenganado por seu médico particular, ele deseja viver pelo menos até à meia-noite. Durante o Mardi Gras, recebe a visita da família mas ele sabe que os abutres estão ali apenas para pilharem o que construiu ao longo da vida. Jason percebe a hipocrisia, mas não se intimida em dar nomes ao que está por trás de cada membro de sua família. Revela que está ciente das intenções de todos e que não irá se opor àquilo. Herdarão sua casa, dinheiro, ações, títulos, terras. Mas há uma condição: seus parentes deverão usar máscaras até a meia-noite. E Jason as distribui conforme o oposto do que seus familiais são. Sua filha Emily, personificação da mentira e da dissimulação, recebe a máscara de um covarde egocêntrico; seu genro Wilfred, representação da ganância, recebe a da avareza, da crueldade; sua neta Paula, a indiferença e o egoísmo em pessoa, recebe a da bondade e do altruísmo; e, finalmente, o neto Wilfred Jr., encarnação do sadismo, recebe a de um palhaço idiota e chato. Jason, por sua vez, fica com a máscara da morte, já que ainda está vivo. A condição imposta por Jason é cumprida e quando o idoso se vai, seus quatro herdeiros retiram as máscaras e o que veem é assombroso.



Nota do editor: este foi o único episódio da série dirigido por uma mulher: Ida Lupino, que era atriz, produtora e diretora.



______



1 Rod Serling esteve à frente de outro seriado televisivo, intitulado Night Gallery (Galeria do Terror), com 43 episódios exibidos pela rede NBC em três temporadas, entre os anos de 1971 e 1973. Seu episódio piloto foi exibido em 08/11/1969, com três histórias: The cemetery (com Roddy McDowall), Eyes (dirigido por Steven Spielberg, com participação de Joan Crawford) e Escape Route.



2 O episódio piloto The time element foi ao ar em 24/11/1958, sendo dirigido por Allen Reisner, com a participação dos atores Martin Balsam e William Bendix.



3 Em 01/04/2019, foi lançada nos Estados Unidos uma nova versão da série, produzida e apresentada por Jordan Peele. Até a finalização deste texto, 7 episódios haviam sido disponibilizados pela rede CBS, ainda inéditos no Brasil. 

(Francisco Filardi)