sábado, 4 de agosto de 2018

CANAL BRASIL EXIBE "XINGU", SÉRIE SOBRE A LUTA DOS IRMÃOS VILLAS-BÔAS PELOS DIREITOS INDÍGENAS


O cineasta Cao Hamburguer assinou, em 2010, um longa-metragem sobre a história dos irmãos Villas-Bôas, os primeiros homens brancos a adentrar as reservas indígenas do norte do estado do Mato Grosso e principais responsáveis pela criação do Parque Nacional do Xingu. Dois anos depois, o filme recebeu adaptação e se transformou em uma série de televisão, trazendo cenas inéditas e concedendo mais espaço a alguns personagens de menor relevância na película. O programa foi ao ar pela Rede Globo em 2012 e chega ao Canal Brasil no domingo, 5 de agosto, às 21h, para ser exibido pela primeira vez na televisão fechada.

A série resgata o início do percurso dos três revolucionários expedicionários pelo interior do país em missão ordenada pelo então presidente Getúlio Vargas. Em 1943, o governo organizou um movimento chamado de “Marcha pelo Oeste”, abrindo caminho pelo sul da Amazônia. Os irmãos Villas-Bôas deixaram para trás a formação acadêmica relevante e o sucesso em seus empregos para embarcar em uma aventura sem precedentes Brasil adentro – eles possuíam perfil bastante diferente da maioria dos homens recrutados para a missão, preponderantemente formada por trabalhadores rurais e braçais. Os primeiros a assinar o passaporte foram Cláudio (João Miguel) e Leonardo (Caio Blat), sendo seguidos por Orlando (Felipe Camargo), o mais velho do clã.

A família vive uma experiência sem precedentes pelo centro-oeste do Brasil. Em meio às matas e rios, eles se deparam pela primeira vez com índios da região. No lugar do enfrentamento visado pelas autoridades e por posseiros, desejosos de trazer o chamado progresso à região, escolheram o diálogo e convívio pacífico, buscando entender a língua, os costumes e a relação deles com a natureza. Os irmãos formam um trio de personalidades distintas que se completam de maneira fundamental para o sucesso. Orlando intermedeia os contatos entre locais e o governo. Cláudio é idealista e estabelece relações de fidelidade com os novos conterrâneos; e Leonardo é vibrante e corajoso, mas a juventude pode colocar em risco as conquistas. Sintetizando 20 anos passados pelos irmãos no local, a atração mostra como eles foram figuras cruciais para garantir o direito fundamental dos indígenas à demarcação de suas terras.

XINGU (2012) (4 x 30’)
Estreia: Domingo, dia 05/08/2018, às 21h
Quando: Domingos, às 21h
Classificação: 12 anos
Direção: Cao Hamburger

fonte: Palavra! Assessoria em Comunicação

domingo, 29 de julho de 2018

QUEIMAR OU NÃO QUEIMAR: A REALIDADE POR TRÁS DE FARENHEIT 451



Existe mais de uma maneira de queimar um livro.  E o mundo está cheio de pessoas carregando fósforos acesos.  Cada minoria, seja ela batista, unitarista; irlandesa, italiana, octogenária, zen-budista; sionista, adventista-do-sétimo-dia; feminista, republicana; homossexual, do evangelho-quadrangular, acha que tem a vontade, o direito e o dever de esparramar o querosene e acender o pavio.  Cada editor estúpido que se considera fonte de toda literatura insossa, como um mingau sem gosto, lustra sua guilhotina e mira a nuca de qualquer autor que ouse falar mais alto que um sussurro ou escrever mais que uma rima de jardim de infância.

(Ray Bradbury, nos pós-posfácio de seu livro Farenheit 451, de 1953).

"MEU JANTAR COM ANDRÉ" (1981), UM PASSEIO PELA FILOSOFIA EXISTENCIALISTA


Numa época em que não havia globalização, internet, telefones celulares, redes sociais e inteligências artificiais, o diretor francês Louis Malle conduziu o interessante Meu jantar com André, história real em que o diretor de teatro Andre Gregory e o ator Wallace Shawn (conhecido dos brasileiros por suas participações nos seriados The good wife, ER - Plantão médico e The gossip girl, entre outros), reencontram-se em um restaurante, após longa ausência de Gregory, para colocar a conversa em dia.

Ambos se debruçam sobre uma discussão filosófica existencialista de alto nível a fim de desfiar suas experiências com o teatro experimental, a forma como os seres humanos conduzem sua vidas e a suspeita de que todos representamos papéis em uma vida que não nos pertence, que os roteiros de nossas vidas são escritos a partir de uma falsa percepção de nós mesmos.

O fragmento do discurso de Andre Gregory, a seguir, evidencia a indiferença, a solidão, a dificuldade de relacionamento, a dissimulação e a ausência de sentimentos e pensamentos que caracterizam, de forma inquietante, o tempo presente - embora tais temas sejam considerados normais, em qualquer parte do mundo. Confiram:


[...] apenas alguns dias atrás, eu conheci esse homem a que muito admiro. Ele é um físico sueco. Gustav Björnstrand. Ele me disse que não assiste a televisão; ele não lê jornais, não lê revistas. Ele os tirou de sua vida por completo, porque sente que estamos vivendo algum tipo de pesadelo orwelliano e que tudo o que ouvimos hoje contribui para transformar-nos em robôs.

Quando eu estava em Findhorn, conheci esse extraordinário especialista que dedicou sua vida a salvar árvores. Acabou de voltar para Washington, para fazer lobby em prol das sequoias. Ele tem 84 anos de idade e sempre viaja com uma mochila, porque nunca sabe onde estará amanhã. Quando o conheci em Findhorn, ele me disse: "De onde você é?". Eu disse: "Nova Iorque". Ele disse: "Ah, Nova Iorque! Sim, um lugar muito interessante. Você conhece um monte de nova-iorquinos que falam que querem ir embora mas nunca vão?". E eu disse: "Oh, sim". E ele disse: "Por que você acha que eles não vão?". Eu lhe dei diferentes teorias banais. Ele disse: "Oh, eu não acho que seja isso. Acho que Nova Iorque é modelo para um novo campo de concentração, onde o campo foi construído pelos próprios presos e os presos são os guardas, e eles têm orgulho dessa coisa que construíram. Eles construíram sua própria prisão. E assim eles existem num estado de esquizofrenia onde eles são tanto guardas quanto prisioneiros. E, como resultado, eles já não têm - tendo sido lobotomizados - a capacidade de deixar a prisão que eles fizeram ou mesmo de vê-la como uma prisão". E então ele pôs a mão no bolso e tirou uma semente de árvore e disse: "Isto é um pinheiro". Colocou-a na minha mão e disse: "Escape, antes que seja tarde demais".

Na verdade, pelos últimos dois ou três anos, Chiquita e eu temos essa sensação desagradável de que realmente devemos ir embora. Nós realmente nos sentimos como os judeus da Alemanha no final dos anos 30. Saia daqui. Claro que o problema é onde ir. Porque parece bastante óbvio que o mundo inteiro está indo na mesma direção. Acho perfeitamente possível que os anos 60 representaram a última irrupção do ser humano antes de ele ser extinto e que este é o começo do resto de futuro, e que a partir de então haverá todos esses robôs andando por aí, sem sentir nada, sem pensar nada. E não sobrará ninguém para lembrá-los de que uma vez houve uma espécie chamada "ser humano", com sentimentos e pensamentos, e que a história e a memória estão sendo apagadas. Logo, ninguém realmente vai se lembrar de que a vida existiu no planeta.

Agora, obviamente, Björnstrand sente que não há quase esperança alguma e que estamos provavelmente retornando a um período selvagem, sem lei e aterrorizante. As pessoas da Findhorn veem isso de modo um pouco diferente. Eles sentem que haverá esses bolsões de luz surgindo em diferentes partes do mundo e que estes serão, de certa forma, planetas invisíveis, neste planeta, e que enquanto nós, ou o mundo, nos tornamos ainda mais frios, poderemos fazer viagens espaciais invisíveis a esses planetas, reabastecer para o que precisamos de fazer no planeta em si e voltar. E a percepção deles de que deve haver centros agora, onde as pessoas podem reconstruir um novo futuro para o mundo. E, quando eu estava falando com Gustav Björnstrand, ele disse que, na verdade, esses centros estão crescendo em todos os lugares agora e que o que eles estão tentando fazer - que é o que Findhorn estava tentando fazer e, de certa forma, o que eu estava tentando fazer... quero dizer, estas coisas não podem ser nomeadas, mas, de uma maneira, são todas tentativas de se criar um novo tipo de escola ou um novo tipo de mosteiro. E Björnstrand fala ainda sobre o conceito de "reservas", ilhas de segurança onde a história pode ser lembrada e o ser humano pode operar a fim de manter a espécie humana enquanto atravessamos uma idade sombria. Em outras palavras, estamos falando sobre um submundo, o que existia, de uma forma diferente, na Idade Média, entre as ordens místicas da Igreja. O objetivo desse submundo é descobrir como preservar a luz, a vida, a cultura, em como manter as coisas vivas.

Sabe, eu fico pensando que o que nós precisamos é de uma nova linguagem, a linguagem do coração, uma língua como na floresta polonesa, onde a linguagem não foi necessária. Algum tipo de linguagem entre as pessoas que é um novo tipo de poesia. Essa é a poesia da abelha dançante que nos diz onde o mel está. E eu acho que, a fim de criar essa linguagem, vamos ter que aprender a como passar por um espelho e achar a outro tipo de percepção na qual temos aquela sensação de estarmos unidos a todas as coisas e que, de repente, compreendemos tudo.

Meu jantar com André (My dinner with Andre, 1981)
Direção: Louis Malle
Atores: Andre Gregory e Wallace Shawn
lançado em DVD no Brasil pela coleção Obras Primas (111 min).

Intervalo recomenda!

LIVRO SOBRE AS 100 MELHORES ANIMAÇÕES BRASILEIRAS É LANÇADO NO RIO DE JANEIRO



A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), a Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), o Canal Brasil e a Editora Letramento se uniram para publicar o livro Animação Brasileira – 100 filmes Essenciais. Depois de ser apresentado em Annecy, na França, no principal festival do mundo dedicado à técnica, o livro foi lançado durante o Anima Mundi, no Centro Cultural dos Correios, no dia 24 de julho.

Além de aproximar a crítica da animação, estamos preenchendo com este livro uma lacuna histórica, em que várias animações importantes estão ganhando o seu primeiro texto crítico”, observa Paulo Henrique Silva, presidente da Abraccine.

Para Paulo Mendonça, diretor geral do Canal Brasil, o livro reafirma a importância da animação brasileira. O Canal tem a responsabilidade de ser a casa do cinema brasileiro na televisão por assinatura e se orgulha de, mais uma vez, poder ser parceiro da Abraccine na produção deste livro, onde os nossos mais representativos críticos de cinema reconhecem e comentam as cem maiores animações já produzidas no país, disse.

Com base num ranking de filmes divulgado no final do ano passado*, o livro reúne textos sobre títulos importantes na trajetória da animação do país, escritos por 103 críticos, pesquisadores e professores de cinema. Organizada por Gabriel Carneiro e Paulo Henrique Silva, a publicação tem formato de luxo, é fartamente ilustrada e conta com cerca de 400 páginas. Apresenta também vinte artigos históricos que registram os principais movimentos e personagens da centenária história, iniciada com o curta-metragem "O Kaiser", dirigido por Seth e lançado em fevereiro de 1917.

Animação Brasileira integra uma coleção que já conta com os títulos "100 Melhores Filmes Brasileiros" (2016) e "Documentário Brasileiro: 100 Filmes Essenciais" (2017), produzida por Abraccine, Canal Brasil e Editora Letramento.

Lista dos 100 filmes incluídos no livro:

1. O Menino e o Mundo (2013), de Alê Abreu
2. Uma História de Amor e Fúria (2013), de Luiz Bolognesi
3. Meow! (1981), de Marcos Magalhães
4. Até que a Sbórnia nos Separe (2013), de Otto Guerra e Ennio Torresan Jr.
5. Dossiê Rê Bordosa (2008), de Cesar Cabral
6. Sinfonia Amazônica (1953), de Anélio Latini Filho
7. Guida (2014), de Rosana Urbes
8. Boi Aruá (1984), de Chico Liberato
9. Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll (2006), de Otto Guerra
10. Animando (1983), de Marcos Magalhães
11. Frankstein Punk (1986), de Cao Hamburger e Eliana Fonseca
12. As Aventuras da Turma da Mônica (1982), de Maurício de Sousa
13. Até a China (2015), de Marão
14. Cassiopéia (1996), de Clóvis Vieira
15. O Projeto do meu Pai (2016), de Rosaria
16. Torre (2017), de Nádia Mangolini
17. De janela pro cinema (1999), de Quiá Rodrigues
18. Piconzé (1973), de Ippe Nakashima
19. O Grilo Feliz (2001), de Walbercy Ribas
20. Linear (2012), de Amir Admoni
21. Castillo y el armado (2014), de Pedro Harres
22. A Garota das Telas (1988), de Cao Hamburger
23 As Aventuras do Avião Vermelho (2012), de Frederico Pinto e José Maia
24. Menina da Chuva (2010), de Rosaria
25. Almas em Chamas (2000), de Arnaldo Galvão
26. Historietas Assombradas (para crianças malcriadas) (2005), de Victor-Hugo Borges
27. As Aventuras de Virgulino (1939), de Luiz Sá
28. Macaco Feio... Macaco Bonito… (1928), de Luis Seel
29. Deus é Pai (1999), de Allan Sieber
30. Novela (1992), de Otto Guerra
31. Amassa que elas gostam (1998), de Fernando Coster
32. A Princesa e o Robô (1984), de Maurício de Sousa
33. Minhocas (2006), de Paolo Conti
34. Eu queria ser um monstro (2009), de Marão
35. The Masp Movie: O Filme do Masp (1986), de Hamilton Zini Jr., Salvador Messina e
Sylvio Pinheiro
36. O Divino, De Repente (2009), de Fabio Yamaji
37. O Quebra Cabeça de Tarik (2015), de Maria Leite
38. Adeus (1988), de Céu D'Ellia
39. Ritos de Passagem (2012), de Chico Liberato
40. Quando os Dias Eram Eternos (2016), de Marcus Vinícius Vasconcelos
41. O Átomo Brincalhão (1964), de Roberto Miller
41. O Céu no Andar de Baixo (2010), de Leonardo Cata Preta
43. Vida Maria (2006), de Márcio Ramos
44. Josué e o pé de macaxeira (2009), de Diogo Viegas
45. Pudim de Morango (1978), de Ingrid, Rosane, Elizabeth e Helmuth Wagner
46. Furico e Fiofó (2011), de Fernando Miller
47. Graffiti Dança (2013), de Rodrigo EBA!
48. Rocky & Hudson, os Caubóis Gays (1994), de Otto Guerra
49. Jonas e Lisa (1994), de Daniel Schorr e Zabelle Côté
50. Balloons (2007), de Jonas Brandão
51. Calango Lengo - Morte e vida sem ver água (2008), de Fernando Miller
52. Passo (2007), de Alê Abreu
53. Tyger (2006), de Guilherme Marcondes
54. Faroeste: um autêntico western (2013), de Wesley Rodrigues
55. Noturno (1986), de Aída Queiroz
56. Tzubra Tzuma (1983), de Flavio del Carlo
57. Deu no Jornal (2005), de Yanko Del Pino
58. Yansan (2006), de Carlos Eduardo Nogueira
59. Casa de Máquinas (2007), de Daniel Herthel e Maria Leite
60. Hamlet (1975), de José Rubens Siqueira
61. Tempestade (2010), de Cesar Cabral
62. Ballet de Lissajous (1973), de Aluizio Arcela Jr. e José Mário Parrot
63. Até o Sol Raiá (2007), de Fernando Jorge e Leanndro Amorim
64. Os Anjos do Meio da Praça (2010), de Alê Camargo e Camila Carrossine
65. Vênus - Filó, a fadinha lésbica (2017), de Sávio Leite
66. Cabeça Papelão (2012), de Quiá Rodrigues
67. Balanços e Milkshakes (2010), de Erick Ricco e Fernando Mendes
68. Céu, inferno e outras partes do corpo (2011), de Rodrigo John
69. A Saga da Asa Branca (1979), de Lula Gonzaga
70. Caminho dos Gigantes (2016), de Alois Di Leo
71. O Ex-mágico (2016), de Maurício Nunes e Olímpio Costa
72. Abstrações: Estudos n°. 1 (1960), de Bassano Vaccarini e Rubens Francisco Lucchetti
73. AmigãoZão (2005), de Andrés Lieban
74. Castelos de Vento (1998), de Tania Anaya
75. Dia Estrelado (2011), de Nara Normande
76. Planeta Terra (1986), coletivo
77. Viagem na Chuva (2014), de Wesley Rodrigues
78. El Macho (1993), de Ennio Torresan Jr.
79. Quando os Morcegos se Calam (1986), de Fabio Lignini
80. Chifre de Camaleão (2000), de Marão
81. Faz Mal... 2: Super-Tição! (1984), de Stil
82. Aquarela (2003), de Andrés Lieban
83. Belowars (2008), de Paulo Munhoz
84. A Lasanha Assassina (2002), de Ale McHaddo
85. Cidade Fantasma (1999), de Lisandro Santos
86. Primeiro Movimento (2006), de Érica Valle
87. Peixonauta - Agente secreto da O.S.T.R.A. (2012), de Célia Catunda e Kiko Mistrorigo
88. História Antes de uma História (2012), de Wilson Lazaretti
89. Égun (2015), de Helder Quiroga
90. Campo Branco (1997), de Telmo Carvalho
91. Informística (1986), de Cesar Coelho
92. Fluxos (2014), de Diego Akel
93. Engolervilha (2003), coletivo
94. Juro que Vi (2003-2009), de Humberto Avelar e Sergio Glenes
95. Lúmen (2007), de William Salvador
96. Os 3 Porquinhos (2006), de Cláudio Roberto
97. Reflexos (1974), de Antônio Moreno e Stil
98. Linhas e Espirais (2009), de Diego Akel
99. Terminal (2003), de Leonardo Cadaval
100. Squich! (1992), de Flavio del Carlo

*Critérios de votação - A eleição das 100 melhores animações brasileiras é fruto de uma parceria da ABCA com a Abraccine. Num primeiro momento, a associação de animadores escolheu internamente os 100 trabalhos mais representativos de sua história, sem qualquer ordem de preferência no resultado final. Em seguida, a Abraccine montou uma comissão especial para incluir mais alguns títulos, ausentes na lista original, mas que pareciam importantes de serem considerados. A partir dessa lista de 115 títulos, os votantes escolheram os 50 melhores, em ordem de preferência. Os 100 mais bem posicionados compõem o ranking.

(fonte: Palavra Assessoria em Comunicação)

quinta-feira, 12 de julho de 2018

REVIVAL DO SERIADO WILL & GRACE GARANTE 3a. TEMPORADA PARA 2019 E 1a. TEMPORADA CHEGA AO BRASIL EM HOMEVIDEO EM AGOSTO DE 2018


Will & Grace, em suas 8 temporadas entre os anos de 1998 e 2006, foi uma das primeiras séries que levaram para a telinha questões sobre o mundo LGBT.  Trata-se de um dos grandes êxitos de audiência da rede NBC nos Estados Unidos (e também no Brasil), por valer-se da extraordinária e rara química entre os atores Erick McCormack (Will), Debra Messing (Grace), Megan Mullally (Karen) e Sean Hayes (Jack) que compartilharam a condição de protagonistas.  Com diálogos ágeis e humor inteligente, Will & Grace é uma das séries mais apreciadas da história da TV.

Em 2017, o elenco original da série, bem como seus criadores Max Mutchnik e David Cohan,  reuniu-se para um Revival (no Brasil, exibido pelo canal FOX), cuja temporada de reestreia conta com 16 episódios.  O box dessa primeira temporada do Revival será comercializado no Brasil a partir de 22/08/2018.

Assistam ao trailer oficial:

 
Em agosto de 2017, a revista Entertainment Weekly deu destaque ao retorno da série, em matéria assinada por Lynette Rice.  Vejam a capa:


 Uma grande notícia para os fãs.  Intervalo Rio recomenda!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

ENTRE FLORES E ESPINHOS



O metrô seguia o curso; invariável, de todas as manhãs. Entre uma e outra estação, Jailson reeditava seu calvário, em meio a passageiros que, assim como ele, buscavam oxigênio onde quase não o havia. O contato indesejado com estranhos só não lhe era ainda mais penoso porque tinha em mãos um livro cuja narrativa o transportava, mente e alma, para distante dali. Era esse exercício de hipnose autoinfligida que o tornava refratário àquele ambiente hostil e entediante. Jailson não mais ouvia as conversas dos passageiros, a ladainha dos ambulantes, o sinal sonoro dos celulares, os anúncios das estações.

Ainda assim, não lhe passou despercebida uma jovem que distribuía panfletos no interior da composição. Ela aproximou-se de Jailson e pôs um papel sobre seu livro aberto, sem pedir licença ou dirigir-lhe palavra. Deixou-lhe o impresso e fora abordar outros passageiros. Jailson interrompeu-se e leu o escrito. Ela, que nascera muda, solicitava ajuda financeira. Ele sorriu para si, com a ideia a brotar-lhe no espírito; fez, do panfleto, uma dobradura em forma de rosa e ofereceu-a à jovem que, à essa altura, retornava para recolher o material distribuído. Ela tomou de Jailson o papel transfigurado, amassou-o e atirou-o ao chão, contrariada. Mas ele não a censurou; sorriu sem exibir os dentes e agachou-se para recuperar a rosa desprezada. Sacou do bolso uma nota de cinquenta e entregou-lha à pedinte. O rosto da jovem esmaeceu, pois um desconhecido jamais lhe oferecera tamanha quantia. E foi assim, incrédula, que tomou para si a nota irrecusável e deu de costas, com ar indolente. Jailson a viu desaparecer entre os passageiros, com a mesma facilidade com que chegara até ele. E pôs-se a manusear a dobradura para recompor a forma que lhe dera.

Ao lado de Jailson, uma idosa, que presenciara a cena, comentou:

- É incrível como as pessoas rejeitam uma gentileza ou um gesto de solidariedade que não seja o financeiro.

Ele olhou para a mulher e respondeu-lhe:

- É simples: há pessoas que não sabem receber. São flores com espinhos. 

Ele tornou a olhar a rosa, deu-lhe um último retoque e ofereceu-a à estranha. Ela sorriu. Ambos sorriram. E Jailson desceu na estação seguinte.

(de Francisco Filardi)

sábado, 23 de junho de 2018

O ILUMINADO: DETONANDO KUBRICK





Dentre os filmes dirigidos por Stanley Kubrick, merecem destaque os títulos 2001: uma odisséia no espaço (1968), do instigante computador HAL-9000, e Dr. Fantástico (1964), este com direito a tripla atuação do ator Peter Sellers e a famosa cena da cavalgadura no míssil, a qual foi satirizada, inclusive, pela animação Os Simpsons (episódio Homer the vigilante, de 1994).



O mesmo não se pode dizer de O iluminado (The shining, 1980), inspirado no best seller cult de Stephen King. O filme dirigido por Kubrick é uma colcha de retalhos que descaracteriza o trabalho do escritor, omite passagens cruciais do texto original (as árvores em forma de animais e as idas de Jack ao porão do hotel, onde descobre nos livros de registros pistas sobre o passado do Overlook, por exemplo) e retira do hotel a condição de personagem central da trama. Os espectadores de Kubrick (que não leram o texto de King) ficam perdidos com as lacunas no roteiro as quais incluem esclarecimentos acerca do significado da palavra REDRUM e da influência maligna do hotel sobre seus hóspedes.



Kubrick altera substancialmente o texto original, levando o filme a um desfecho patético que o afasta totalmente do clima tenso e violento do último terço do livro de King. Para completar o desastre, concorrem as atuações catastróficas de Shelley Duvall (como Wendy Torrance) e do inexpressivo ator mirim Danny Lloyd (na pele de Danny, o iluminado do título) cujo carisma ou graça é ZERO.



Já o Dick Halloran retratado por Kubrick (interpretado pelo simpático Scatman Scrothers) é uma personagem que tem sua importância reduzida e, portanto, distanciada da função para a qual foi criada. Em relação a este, há uma passagem do livro (ignorada por Kubrick) em que o cozinheiro do Overlook, pouco antes de deixar o hotel, face a aproximação do inverno, pede ao menino uma demonstração de seu poder mental. Halloran fica perturbado.



Além disso, a importância do Hotel Overlook (como dissemos, personagem central da trama) foi relegada a um segundo plano por Kubrick. Na versão do cineasta, tem-se a impressão de que o hotel nada tem a ver com as alterações no comportamento de Jack. Parece que este enlouqueceu face ao isolamento da civilização (a trama se passa no inverno, Jack e a família estão sós no Overlook até o fim da estação). Até Tony, o amigo imaginário que apavora Danny em várias passagens do livro, raramente é citado no filme. O título de Kubrick também não esclarece o porquê de Danny avistar, em imagens superpostas, duas irmãs gêmeas em vestido azul, ora de pé, ao fundo do corredor, ora cobertas de sangue, aparentemente no mesmo local. As meninas são filhas do homem com quem Jack conversa no banheiro do salão de baile. Esse homem é o Sr. Grady, antigo zelador do Overlook, que matou as filhas a machadadas (sob influência do hotel). Como percebemos, a omissão de detalhes faz os espectadores de Kubrick tatearem na penumbra, comprometendo o resultado.



Mas, para quem leu o texto de King, a cereja do bolo são as cenas em que é impossível evitar gargalhadas, a exemplo das que citamos abaixo.



Cena 1:




Danny, sob influência de seu amigo imaginário Tony, entra no quarto da mãe, que está a dormir. Em aparente transe, e de posse de um facão, o menino repete seguidamente o palíndromo REDRUM (MURDER, assassino) num tom de voz ridículo, irritante e risível, em cena que não existe no livro.



Cena 2:



Wendy, às lágrimas (ou caretas...), sacode freneticamente um taco de beisebol, enquanto golpeia o ar de forma patética, para fugir de Jack (ele não deseja machucá-la, só estrangulá-la!).  É, Wendy, pare com esse bastão!!!




Cena 3: 




Wendy Torrance foge do marido perturbado, acompanhada pelo filho, e sobe as escadas em direção aos seus aposentos. Lá chegando, ambos se trancam no minúsculo banheiro. Ela faz o filho passar por uma janela estreita que dá para uma espécie de rampa de gelo que faz o menino alcançar a rua. No entanto, ela quase fica entalada, não consegue escapar. Jack, por sua vez, atinge a porta com um machado, enquanto ela, trêmula e desesperada, encolhe-se num canto próximo da porta, com o facão nas mãos. A câmera pega Wendy de frente, ao tempo em que capta as machadadas de Jack. A cada machadada, um grito histérico de Wendy, o que nos faz lembrar do curta Thriller, de Michael Jackson. Não há como não rir!



Cena 4: 




Ao desistir da perseguição ao filho iluminado, Jack desaba no gelo, com o machado em uma das mãos e os olhos revirados para cima. No close, não há como não lembrar do maluquete Jim Carrey!



Stephen King veio a público condenar o trabalho de Kubrick (King odeia o filme). Mas a coisa não ficou nisso. O filme desagradou também aos membros da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood: no ano seguinte (1981, portanto), o diretor e sua atriz coadjuvante foram indicados à primeira edição do Troféu Framboesa de Ouro, premiação destinada à escolha dos piores do ano (uma sátira ao Oscar da Academia).



No entanto, mesmo com a ofensa à obra de King, devemos fazer justiça ao trabalho de Jack Nicholson, nosso maluquete preferido, imbatível nos papéis de lunático, de psicopata ou de vítima de TOC (transtorno obsessivo compulsivo).



No geral, a adaptação da obra de King, citando uma declaração do autor para defini-la, o livro é quente, o filme é frio; o livro termina com fogo, e o filme, com gelo1, coisa que só quem leu King e assistiu a Kubrick irá compreender.





1 em entrevista concedida a Andy Greene, em 12/01/2015, publicada na revista Rolling Stone.

(por Francisco Filardi)

quinta-feira, 14 de junho de 2018

VALIDADE DA VACINA CONTRA FEBRE AMARELA AGORA É PARA TODA A VIDA


 Panorama da febre amarela na América Latina
(mapa publicado em 30/04/2018)
 

 
Alteração no Regulamento Sanitário Internacional (2005), anexo 7 (febre amarela)


Prazo de proteção fornecida pela vacinação contra a infecção por febre amarela, e validade do certificado de vacinação previsto no RSI, estendido para toda a vida da pessoa vacinada.

A Febre amarela é a única doença especificada no Regulamento Sanitário Internacional (2005) para a qual os países podem exigir prova de vacinação para os viajantes como condição de entrada, em determinadas circunstâncias, e tomar medidas se um viajante chegar sem o referido certificado.

Em 2014, baseado na recomendação do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em imunização da OMS (Organização Mundial de Saúde) de que uma dose única da vacina contra a febre amarela confere proteção para a vida toda, a 67° Assembleia Mundial de Saúde adotou a resolução WHA67.13 (2014) que atualiza e altera o Anexo 7 do Regulamento.

A alteração do anexo 7 do RSI (2005) entrará em vigor e será juridicamente vinculativa para todos os estados signatários do RSI a partir de 11 de julho de 2016. No contexto das viagens internacionais, a alteração do anexo 7 muda o período de validade do Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela, e a proteção fornecida pela vacinação contra a infecção por febre amarela sob o RSI (200), de dez (10) anos para toda a vida da pessoa (viajante) vacinada. Dessa forma, a partir de 11 de julho de 2016, tanto para os certificados existentes quanto para os novos, a revacinação ou uma dose de reforço da febre amarela vacina não pode ser exigida de viajantes internacionais, como condição de entrada em um Estado Parte, independentemente da data em que o Certificado Internacional de Vacinação foi inicialmente emitido.

A validade para a vida desses certificados se aplica a documentos emitidos depois de 11 de julho, bem como àqueles já emitidos.


Texto Revisado do Anexo 7

O texto parcial do Anexo 7 abaixo, inclui o novo texto revisado:

EXIGÊNCIAS RELATIVAS À VACINAÇÃO OU À PROFILAXIA PARA DOENÇAS ESPECÍFICAS

1. Além das recomendações relativas à vacinação ou à profilaxia, poderá ser exigida como condição para a entrada de um viajante em um Estado Parte, nos termos deste Regulamento, prova de vacinação ou de profilaxia contra as seguintes doenças: vacinação contra a febre amarela.

2. Recomendações e exigências referentes à vacinação contra febre amarela:

(a) Para os fins deste Anexo:

(i) o período de incubação da febre amarela é de seis dias;
(ii) as vacinas contra febre amarela aprovadas pela OMS conferem proteção contra a infecção a partir de 10 dias após a administração da vacina;
(iii) essa proteção continua para o resto da vida da pessoa vacinada; e:
(iv) a validade de um certificado de vacinação contra a febre amarela será válida para o resto da vida da pessoa vacinada.

Todas as pessoa envolvidas na implementação das novas exigências devem revisar o texto completo do Anexo 7.


Perguntas e respostas sobre questões específicas:

1. Os viajantes precisam de um novo Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela?

Não. O atual Certificado Internacional de Vacinação continua válido, agora para o resto da vida do viajante indicado. O RSI (2005), nos Anexos 6 e 7, define requisitos específicos tanto para o conteúdo quanto para o formatos dos certificados de vacinação contra a febre amarela. O formato definido para esses certificados inclui um espaço para inserir a data de validade, se aplicável. Baseado no requisito anterior de validade, os certificados existentes geralmente incluem uma data de validade de dez anos após a data de vacinação. Devido à mudança no Anexo 7, independente da data de vacinação ou de validade, os certificados existentes são agora válidos para o resto da vida.

2. Os certificados de vacinação atuais precisam ser alterados ou modificados para mostrar que são válidos para o resto da vida?

Não. Nada precisa ou deve ser alterado no certificado; na verdade, de acordo com o RSI, qualquer alteração, exclusão, rasura ou adição pode tornar o certificado inválido.

3. Nos novos certificados, qual termo deve ser inserido no espaço do certificado indicando o período de validade?

Enquanto o RSI não especifica as palavras exatas a serem incluídas no certificado para indicar a validade para a vida toda, a OMS encoraja os países a usar palavras que deixam claro e sem ambiguidade que a validade do certificado é para a vida toda da pessoa vacinada. Dessa forma, para evitar potenciais confusão e interrupção da viagem internacional, a OMS sugere usar a mesma terminologia, tal como adotada no texto revisto do anexo 7, que afirma claramente que o certificado tem validade para a vida toda. Como o RSI requer que esses certificados sejam preenchidos em Inglês ou Francês (e também em outra língua, além do Inglês ou Francês), note que a terminologia utilizada no anexo 7 revisto é a seguinte:

Inglês: life of person vaccinated
Francês: vie entière du sujet vacciné

Em português a frase deve ser a seguinte: vida da pessoa vacinada

4. Essa alteração ao RSI (2005) afeta quais medidas que os Estados Partes podem implementar para a proteção de sua população ou o que os médicos podem aconselhar a seus pacientes a respeito da vacinação contra a febre amarela, incluindo possíveis reforços?

Não. A alteração apenas afeta o que os países podem cobrar do viajante internacional como requisito de entrada em relação à vacinação contra febre amarela e o Certificado Internacional de Vacinação. Países e prestadores de cuidados de saúde continuam livres para fazer exigências sobre a vacinação, revacinação ou reforços para suas próprias populações, ou pacientes, respectivamente.

5. Quais passos os que os Estados Partes devem tomar para se preparar para a implementação dos novos requisitos do certificado em 11 de julho de 2016, quando eles se tornam legalmente necessários?

Informar todas as autoridades competentes, escritórios e pessoal; Treinar o pessoal responsável pela avaliação, processamento e aceitação do Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela para garantir que eles possam desempenhar suas funções corretamente nessa data; rever e atualizar, conforme necessário, todas as leis, regulamentos, regras de funcionamento ou procedimentos ou outras disposições relativas à avaliação, processamento e aceitação do Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela para garantir que sejam coerentes com as novas exigências.


O texto completo do Anexo 7, com as alterações e em vigor para todos os estados membros da OMS, a partir de 11 de julho de 2016, em árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol está disponível em World Health Organization.


  Fonte: Anvisa