quinta-feira, 14 de junho de 2018

VALIDADE DA VACINA CONTRA FEBRE AMARELA AGORA É PARA TODA A VIDA


 Panorama da febre amarela na América Latina
(mapa publicado em 30/04/2018)
 

 
Alteração no Regulamento Sanitário Internacional (2005), anexo 7 (febre amarela)


Prazo de proteção fornecida pela vacinação contra a infecção por febre amarela, e validade do certificado de vacinação previsto no RSI, estendido para toda a vida da pessoa vacinada.

A Febre amarela é a única doença especificada no Regulamento Sanitário Internacional (2005) para a qual os países podem exigir prova de vacinação para os viajantes como condição de entrada, em determinadas circunstâncias, e tomar medidas se um viajante chegar sem o referido certificado.

Em 2014, baseado na recomendação do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em imunização da OMS (Organização Mundial de Saúde) de que uma dose única da vacina contra a febre amarela confere proteção para a vida toda, a 67° Assembleia Mundial de Saúde adotou a resolução WHA67.13 (2014) que atualiza e altera o Anexo 7 do Regulamento.

A alteração do anexo 7 do RSI (2005) entrará em vigor e será juridicamente vinculativa para todos os estados signatários do RSI a partir de 11 de julho de 2016. No contexto das viagens internacionais, a alteração do anexo 7 muda o período de validade do Certificado Internacional de Vacinação contra febre amarela, e a proteção fornecida pela vacinação contra a infecção por febre amarela sob o RSI (200), de dez (10) anos para toda a vida da pessoa (viajante) vacinada. Dessa forma, a partir de 11 de julho de 2016, tanto para os certificados existentes quanto para os novos, a revacinação ou uma dose de reforço da febre amarela vacina não pode ser exigida de viajantes internacionais, como condição de entrada em um Estado Parte, independentemente da data em que o Certificado Internacional de Vacinação foi inicialmente emitido.

A validade para a vida desses certificados se aplica a documentos emitidos depois de 11 de julho, bem como àqueles já emitidos.


Texto Revisado do Anexo 7

O texto parcial do Anexo 7 abaixo, inclui o novo texto revisado:

EXIGÊNCIAS RELATIVAS À VACINAÇÃO OU À PROFILAXIA PARA DOENÇAS ESPECÍFICAS

1. Além das recomendações relativas à vacinação ou à profilaxia, poderá ser exigida como condição para a entrada de um viajante em um Estado Parte, nos termos deste Regulamento, prova de vacinação ou de profilaxia contra as seguintes doenças: vacinação contra a febre amarela.

2. Recomendações e exigências referentes à vacinação contra febre amarela:

(a) Para os fins deste Anexo:

(i) o período de incubação da febre amarela é de seis dias;
(ii) as vacinas contra febre amarela aprovadas pela OMS conferem proteção contra a infecção a partir de 10 dias após a administração da vacina;
(iii) essa proteção continua para o resto da vida da pessoa vacinada; e:
(iv) a validade de um certificado de vacinação contra a febre amarela será válida para o resto da vida da pessoa vacinada.

Todas as pessoa envolvidas na implementação das novas exigências devem revisar o texto completo do Anexo 7.


Perguntas e respostas sobre questões específicas:

1. Os viajantes precisam de um novo Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela?

Não. O atual Certificado Internacional de Vacinação continua válido, agora para o resto da vida do viajante indicado. O RSI (2005), nos Anexos 6 e 7, define requisitos específicos tanto para o conteúdo quanto para o formatos dos certificados de vacinação contra a febre amarela. O formato definido para esses certificados inclui um espaço para inserir a data de validade, se aplicável. Baseado no requisito anterior de validade, os certificados existentes geralmente incluem uma data de validade de dez anos após a data de vacinação. Devido à mudança no Anexo 7, independente da data de vacinação ou de validade, os certificados existentes são agora válidos para o resto da vida.

2. Os certificados de vacinação atuais precisam ser alterados ou modificados para mostrar que são válidos para o resto da vida?

Não. Nada precisa ou deve ser alterado no certificado; na verdade, de acordo com o RSI, qualquer alteração, exclusão, rasura ou adição pode tornar o certificado inválido.

3. Nos novos certificados, qual termo deve ser inserido no espaço do certificado indicando o período de validade?

Enquanto o RSI não especifica as palavras exatas a serem incluídas no certificado para indicar a validade para a vida toda, a OMS encoraja os países a usar palavras que deixam claro e sem ambiguidade que a validade do certificado é para a vida toda da pessoa vacinada. Dessa forma, para evitar potenciais confusão e interrupção da viagem internacional, a OMS sugere usar a mesma terminologia, tal como adotada no texto revisto do anexo 7, que afirma claramente que o certificado tem validade para a vida toda. Como o RSI requer que esses certificados sejam preenchidos em Inglês ou Francês (e também em outra língua, além do Inglês ou Francês), note que a terminologia utilizada no anexo 7 revisto é a seguinte:

Inglês: life of person vaccinated
Francês: vie entière du sujet vacciné

Em português a frase deve ser a seguinte: vida da pessoa vacinada

4. Essa alteração ao RSI (2005) afeta quais medidas que os Estados Partes podem implementar para a proteção de sua população ou o que os médicos podem aconselhar a seus pacientes a respeito da vacinação contra a febre amarela, incluindo possíveis reforços?

Não. A alteração apenas afeta o que os países podem cobrar do viajante internacional como requisito de entrada em relação à vacinação contra febre amarela e o Certificado Internacional de Vacinação. Países e prestadores de cuidados de saúde continuam livres para fazer exigências sobre a vacinação, revacinação ou reforços para suas próprias populações, ou pacientes, respectivamente.

5. Quais passos os que os Estados Partes devem tomar para se preparar para a implementação dos novos requisitos do certificado em 11 de julho de 2016, quando eles se tornam legalmente necessários?

Informar todas as autoridades competentes, escritórios e pessoal; Treinar o pessoal responsável pela avaliação, processamento e aceitação do Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela para garantir que eles possam desempenhar suas funções corretamente nessa data; rever e atualizar, conforme necessário, todas as leis, regulamentos, regras de funcionamento ou procedimentos ou outras disposições relativas à avaliação, processamento e aceitação do Certificado Internacional de Vacinação contra a febre amarela para garantir que sejam coerentes com as novas exigências.


O texto completo do Anexo 7, com as alterações e em vigor para todos os estados membros da OMS, a partir de 11 de julho de 2016, em árabe, chinês, inglês, francês, russo e espanhol está disponível em World Health Organization.


  Fonte: Anvisa

terça-feira, 22 de maio de 2018

GRADUANDOS QUE ATUAREM COMO MESÁRIOS PODERÃO GANHAR HORAS HAC NAS ELEIÇÕES 2018


Universitários e alunos de escolas técnicas que trabalharem como mesários nas próximas eleições poderão ganhar até 80 horas de atividades complementares (horas HAC), necessárias para a conclusão da graduação. Até o momento, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) já firmou convênio para a concessão do benefício com  49 instituições de ensino superior em todo o estado, entre as quais UniRio, UFF, UFRRJ, IBMEC e Faetec. Além disso, graças a uma parceria do TRE-RJ com o Conselho Seccional da OAB/RJ, os estudantes de Direito que atuarem como mesários ganharão 40 horas de estágio por cada turno de trabalho nas eleições.
O objetivo da Justiça Eleitoral é incentivar os estudantes a se inscreverem como mesários. Somente neste ano, o cadastro de mesários voluntários do TRE-RJ  já recebeu mais de 14 mil inscrições. Quem quiser atuar como mesário voluntário nas eleições de outubro pode se inscrever pelo site do TRE-RJ ou pessoalmente em seu cartório eleitoral.

 O mesário recebe auxílio-alimentação, tem preferência no desempate em concursos públicos, se previsto no edital, e ganha dois dias de folga no serviço público ou privado por dia de treinamento e de trabalho. A relação completa das instituições de ensino parceiras e o número de horas concedidas estão no site do Tribunal.

Inscreva-se como Mesário Voluntário.


fonte: assessoria de imprensa do TRE/RJ

sábado, 5 de maio de 2018

UM PROTESTO CONTRA O TESTE DE PRODUTOS COSMÉTICOS EM ANIMAIS



A rede de lojas The Body Shop está com uma campanha em andamento para por fim aos testes de produtos e ingredientes cosméticos em animais.  A petição necessita de pelo menos 8 milhões de adesões para que a proposta seja encaminhada à Assembleia Geral da ONU.

Toda forma de maus tratos a animais deve ser banida. Assine a petição eletrônica.   

terça-feira, 1 de maio de 2018

O QUE O TEMPO E O VENTO NÃO LEVAM, DE FRANCISCO FILARDI


Morelli batia ponto no serviço público havia mais de quarenta anos. Da turma que começara com ele, uns se aposentaram. Outros, falecido. Dentre os remanescentes, ainda na ativa, era Adalgiza quem tentava convencê-lo a aposentar-se, para cuidar da saúde e aproveitar a vida. Mas o teimoso Morelli insistia em ficar. Defendia-se, argumentando que, se ela mesma não o fazia, não havia razão para tal. Mas se Adalgiza adiava a decisão devia o fato ao amigo a quem não desejava abandonar. Já Morelli receava que, indo para casa, talvez tivesse a mesma sorte de muitos de seus pares.



Ele não tinha família. A mulher, com quem convivera por mais de trinta anos, falecera há uns oito, e o golpe, duríssimo, fora assimilado com dificuldade. Vez ou outra, os colegas o pegavam, choroso, num canto qualquer da repartição. Nos corredores, corria a crença de que a saudade da falecida esposa não era o motivo pelo qual Morelli rejeitava a aposentadoria, mas o pavor da solidão. Dora, sua única filha, casara-se com um militar de alta patente e transferira-se para o sul do país, há seis anos, por conta do trabalho do marido. Vinha ao Rio de Janeiro somente para as festas de fim de ano, período que coincidia com as férias do casal. E a distância, medida em quilômetros, dificultava-lhe a assistência ao pai. Nos últimos dois anos, os problemas de saúde de Morelli se agravaram. Desconfortos à altura do peito o levavam a frequentes visitas ao departamento médico do órgão. E, não raro, os especialistas aconselhavam-no a ir para casa. Em definitivo. Mas o teimoso Morelli resistia.



Fato é que o setor onde os amigos Morelli e Adalgiza trabalhavam, assim como todo o órgão, foi-se renovando com o passar dos anos. Uma decorrência natural do processo evolutivo. A garotada, aprovada em concurso público, foi chegando devagar e tomando conta do pedaço. O velho cedendo espaço para o novo. Como deve ser. No entanto, Morelli, que era das antigas, não só quanto ao tempo de serviço mas quanto a forma de pensar, nutria um sentimento romântico, defasado e (por que não?) preconceituoso em relação aos colegas mais novos. Entrara no serviço público pela janela, como se dizia, porque seu pai fora um respeitável juiz, alçado, em fim de carreira, à condição de desembargador. Morelli tinha orgulho do pai e, claro, de sua própria condição. Acreditava, convicto, em ser detentor de um privilégio dinástico. Do que ele não fazia ideia, porém, é que só em respeito ao nome e ao histórico profissional de seu nonagenário progenitor que os chefes o toleravam.



Tal esclarecimento se faz necessário para entender que Morelli não gostava dos concursados. Mas não era pelo fato de os jovens serem concursados. Ou de representarem uma ameaça ao posto de que se apropriava por direito quase divino. Ele colocava em xeque a competência da garotada e o fazia abertamente, sem papas na língua, como dizia vovó.

Certo dia, Evandro, homem inteligentíssimo, na casa dos trinta, estudioso e graduado em Direito, que trabalhava ali há pouco mais de um ano, transitava pelo corredor próximo à sala onde Morelli e Adalgiza conversavam.  E ouviu a queixa do colega:



- Quer saber, Giza? Eu não troco a experiência dos mais velhos pela falta de compromisso dos mais novos!



Evandro não retrucou. Fez de conta que não era com ele. Apenas guardou para si o comentário do já quase septuagenário colega. Cinco meses depois, toda a repartição fora convocada para a sala do diretor. Era uma sexta-feira, final de tarde. A notícia foi dada e todos comemoraram a aprovação de Evandro para o cargo de Juiz de Direito, festejada com bolo, salgadinhos, refrigerantes e sucos de frutas, por conta da administração. Evandro se mostrou sensibilizado com a gentileza do corpo diretivo e dos colegas. Mas não perdoou Morelli. Aproximou-se deste, ao fim da comemoração e, pouco antes de deixar o recinto, disparou em particular:



- Eu não troco a inteligência da garotada pelo comodismo dos mais velhos...



Morelli perdeu a cor, estacou ali. Sentiu o golpe. Mais um golpe, duríssimo. O que dissera dias antes a Adalgiza, ele compreendeu, magoara o colega. 

Evandro foi empossado no novo cargo quinze dias após a comemoração. Já Morelli veio falecer dezoito dias após a posse do ex-colega, a qual não compareceu. Saiu do mundo de fininho, talvez por vergonha. Ou por tristeza, como disseram amigos próximos. Adalgiza, por sua vez, sentida com a ausência do colega e amigo de longa data, decidiu aposentar-se. E partiu, também, quatro meses depois.



Já Evandro, este atuou como profissional do Direito de forma devotada e leal, o que se espera de um magistrado. Soube do passamento dos ex-colegas somente um ano e quatro meses depois de sua posse. E arrependera-se do que dissera a Morelli. Porque mal se iniciara na carreira, maculara-a já com uma tremenda injustiça.

(Filardi)

sexta-feira, 16 de março de 2018

O FILME ERRADO



Neste ano de 2018, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood não se enganou de envelope; enganou-se de filme. 
 
O vencedor da principal categoria, A forma da água, dirigido por Guilhermo Del Toro, é um dos piores ganhadores do Oscar de Melhor Filme da história. É de roteiro frágil, insosso, previsível, repleto de clichês e cenas bizarras; não emociona, não encanta, não faz o público reagir. Passa longe de outros trabalhos de Del Toro, inclusive da animação Caçadores de trolls, já na segunda temporada no Netflix.

O diretor mexicano abusa da paciência do espectador com um argumento que faz lembrar o trash O monstro da lagoa negra (1954, dir: Jack Arnold), sendo que a criatura anfíbia de Del Toro serve como válvula de escape para os delírios imaginativos de uma garota que se masturba na banheira.

Ainda assim, vale destacar as boas atuações de Sally Hawkins (Eliza Esposito) e de Richard Jenkins (Giles).

Filardi

MATAR OU MORRER, 1952




- Desde garoto, queria ser como você. Você sempre foi um homem da lei.



- Sim, minha vida inteira. É uma bela vida: você arrisca a pele atrás de assassinos e os júris os soltam, para eles o matarem. Se for honesto, será pobre. No fim, você morre sozinho em uma rua suja. Para quê? Para nada. Para ter uma estrela de prata [...]. As pessoas defendem a lei e a ordem, desde que não tenham de fazer nada. Talvez porque, no fundo, elas não se importam.

Matar ou morrer (High noon), 1952. Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Lloyd Bridges, Lee Van Cleef, Katy Jurado.   Direção: Fred Zinnemann.

terça-feira, 13 de março de 2018

NEM SEMPRE QUEM RI POR ÚLTIMO RI MELHOR. NÃO É, DR. EVIL?


                                              Mike Myers caracterizado como Dr. Evil


Austin Powers, o agente britânico sessentista, interpretado pelo ator Mike Myers, apareceu em três filmes, realizados em 1997 (Um agente nada discreto), 1999 (O agente Bond cama) e 2002 (O homem do membro de ouro). A sátira escrachada aos filmes de espionagem, notadamente de James Bond, rendeu a Myers o desafio de interpretar também o arqui-inimigo de Powers, o não tão terrível Dr. Evil.

Mas o que pouca gente sabe é que o cacoete do vilão em levar o dedo mínimo ao canto da boca, enquanto gargalha, não foi criação de Myers. No episódio intitulado Um caso de perfeição, da 5a. temporada do seriado Além da Imaginação (1959-1964), que foi ao ar originalmente em 18/10/1963 pela rede CBS nos Estados Unidos, vemos o ator Richard Long fazer o mesmo ao longo do episódio. Comparem as fotos.

                         Richard Long no episódio de Além da Imaginação

O roteiro de Um caso de perfeição foi escrito por Charles Beaumont (colaborador assíduo da série) em parceria com John Tomerlin, e dirigido por Abner Biberman.

sexta-feira, 9 de março de 2018

PROVIDENCE, ALAIN RESNAIS



"Para mim, estilo é emoção 
em sua forma mais elegante".

por Clive Langham, interpretado por John Gielgud, em Providence (dir. Alain Resnais, 1977).

I WANT TO BE ALONE



A atriz sueca Greta Garbo imortalizou a frase I want to be alone em 1932, no filme Grande Hotel - considerado o primeiro blockbuster do cinema estadunidense. Sete anos depois, Garbo quase a repete em Ninotchka (We want to be alone), mas é a frase original, dita pela amargurada personagem Elizaveta Grusinskaya, que entraria para a história como expressão do comportamento refratário de sua intérprete.

Do que pouca gente sabe, no entanto, é que a frase I want to be alone foi aproveitada também pelo comediante Oliver Hardy em The flying deuces, de 1939 (Os tolos voadores, exibido nos cinemas brasileiros sob o título Paixonite aguda).

No longa, Oliver se apaixona por Georgette (Jean Parker), sem saber que esta é casada com um soldado da Legião Estrangeira. Desolado, por ter sua proposta de casamento recusada, Oliver olha para o vazio e dispara um I want to be... alone convincente. Para quem assistiu a Grande Hotel, é impossível não reagir à cena.

Os tolos voadores passa longe dos melhores trabalhos de Laurel & Hardy, mas a cena em que Hardy pega carona na frase de Greta Garbo vale o filme.

Intervalo recomenda!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

ZORBA, O GREGO



- Não está indo rápido demais?

- Sabe quantos anos eu tenho? Esqueça, é segredo. Mas tenho de ser rápido. Sabe, dizem que a idade apaga o fogo interno de um homem. Que ele ouve a morte chegar. Que ele abre a porta e diz: - "Entre. Deixe-me descansar". Isso é mentira! Tenho força suficiente para devorar o mundo. Então, eu luto.

(Anthony Quinn, magistral, em Zorba, o grego, dir.: Michael Cacoyannis, 1964).

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PATETA, O FILME: UM DOS MELHORES DA DISNEY


Dirigido por Kevin Lima e produzido por Dan Rounds, o longa Pateta, o filme (1995) é um dos títulos mais interessantes da Disney. Trata do chamado choque de gerações, que expressa nada mais que a ausência de diálogo saudável entre pais e filhos.


Pateta é um pai à moda antiga, quadradão e saudosista; é também afetuoso e dedicado ao seu filho, Maximilian, adolescente que, por sua vez, não compreende os cuidados do pai. Max sente-se envergonhado e tem verdadeiro pavor de parecer-se ao pai. O garoto está apaixonado por Roxane, uma colega de escola, a quem tenta impressionar durante uma reunião de alunos, no auditório do grêmio estudantil da escola onde estudam. Max e seus amigos, Bobby e P. J., este filho de João Bafo de Onça, montam um verdadeiro aparato nos bastidores, cheio de música e efeitos especiais para que Max leve adiante o plano de impressionar a garota. Ele se veste como Powerline, ídolo pop da garotada, invade o palco e interrompe o discurso enfadonho do diretor Mazur com uma dublagem que faz os alunos pirar. Roxane sente que o dublê encena para ela. Mas a alegria de Max não dura; o diretor despluga a tomada dos aparelhos e ele é desmascarado. Os alunos se surpreendem e Roxane se encanta com a ousadia de Max.

Pateta trabalha como fotógrafo de crianças, numa loja administrada por João Bafo de Onça, seu chefe. Bafo, invejoso do sentimento que Pateta nutre pelo filho, mente afirmando que P. J. lhe pediu para ambos acamparem nas férias de verão.

- Nada como a natureza para fortalecer os laços entre pai e filho! - diz o invejoso.

Pateta alega que Max não aceitaria algo assim, afinal todo pai conhece o próprio filho. Bafo insinua que há algo errado quando os filhos não querem ficar com os pais, pois ficando soltos podem se tornar delinquentes, podem roubar e meter-se em confusões. Ao que Pateta se opõe e defende o filho, sem saber ainda da confusão que Max aprontou na escola.

Bobby e Max encontram-se na antessala do diretor Mazur (a essa altura, P. J. já conversa com o diretor) e Max diz achar-se um fracassado, por não conseguir confessar seu amor à Roxane. P .J. sai da sala do diretor, dizendo que está ferrado e que seu pai vai matá-lo. Chega a vez de Bobby conversar com Mazur e Max fica só na antessala, com o rosto enterrado entre as mãos. É quando chega Roxane, que o vê e vai falar com ele. Diz que gostou da apresentação improvisada no auditório. Ela aceita o convite de Max para irem à festa que será organizada pela colega Stacey, na semana seguinte, na qual será transmitido o show do Powerline, direto de Los Angeles. Ele fica nas nuvens com o "sim" da amada.

Nesse meio tempo, Mazur telefona para Pateta, queixando-se seriamente de Max e criticando a forma como ele cria seu filho. Diz que a coisa é tão grave que Max pode parar na cadeira elétrica. Um exagero descabido, claro. Mas que surte em Pateta efeito devastador. Ele fica preocupado com o comportamento do filho, com as palavras do diretor que não lhe saem da mente e acaba por remoer o que Bafo lhe dissera sobre a natureza fortalecer o relacionamento entre pai e filho. E decide sair de férias, para pescar com Max.

Depois de sua apresentação como Powerline, Max se torna popular na escola. Passa a ser admirado pelos colegas e pensa estar "bem na fita" com Roxane. Crê que rolará o lance do baile com ela, mas quando Pateta lhe revela seus planos para as férias, Max não acredita. E desmaia. Além da pescaria no Lago Destino, os planos de Pateta incluem fazer o mesmo percurso, as mesmas paradas e usar o mesmo mapa da viagem que fez com o avô de Max. O garoto não deseja ficar isolado do mundo, não compartilha dos mesmos valores do pai e, por isso, não dá a mínima. Ambos discutem:

- Eu já tenho uma festa para ir e... - protesta Max.

Mas Pateta o obriga a ir.

- Por que está fazendo isso comigo, pai? - acrescenta Max, com a pergunta que vale para todos os pais.

- Porque eu não quero que você acabe numa cadeira elétrica. - responde Pateta, influenciado pelo exagero de Mazur. E conclui: - Não quero saber de desculpas. Seu pai sabe o que é certo.

Antes de partirem em viagem, Max diz a Pateta que precisa falar com uma pessoa e param o carro diante da casa de Roxane. O garoto cancela a ida à festa, mas ao saber da intenção de Roxane de encontrar outra pessoa para levá-la, Max pensa rápido e mente dizendo que seu pai o está levando ao show do Powerline, em Los Angeles. Ela acha estranho, pois eles terão que atravessar o país. Max aumenta a mentira, dizendo que seu pai conhece o cantor e que ambos tocaram juntos numa banda. Promete até acenar para ela, na TV, quando estiver no palco com Powerline. Ela engole a mentira e promete não ir com outra pessoa à festa.

Na estrada, Max está deprimido. Pateta tenta puxar conversa, mas Max põe no toca-fitas um rock, para não ter que ouvir ou falar com o pai. Pateta substitui a fita por uma de suas preferidas, que sempre ouvia quando viajava com o avô de Max. Ambos, Pateta e Max, se alternam seguidamente no controle do toca-fitas, até que o aparelho danifica. Ficam sem música e Max se vê obrigado a aturar a cantoria do pai. Ele só pensa em Roxane.

Ao longo da viagem, o que é curtição para Pateta é tremenda tortura para Max. Param na estrada para assistir a um espetáculo de gambás mecânicos, o que o garoto odeia, sente-se ridículo com as manias do pai e ridicularizado pelos nativos. Max explode de raiva e Pateta fica magoado. Deixam o local sob forte chuva. A tempestade não vem ao acaso. Expressa o clima entre pai e filho. À noite, Pateta arma a barraca para acamparem perto de um lago. Max, entristecido, brinca com a água e vê a imagem de Roxane refletida. Pateta o interrompe e convida o filho para ensiná-lo a pescar. Max rechaça a investida do pai e afasta-se.

Nesse momento, Bafo chega em seu trailer, tão cheio de recursos quanto um canivete suíço. Desdobra-se em múltiplas diversões, o que impressiona Max. P. J. está com ele, mas ainda no interior do trailer, com um aspirador de pó nas mãos e o som do Powerline nas orelhas. Max diz a P. J. que o amigo tem sorte, mas este responde que Max é a estrela, afinal está indo para o show do Powerline - o que toda a escola está sabendo. No entanto, Max confessa ao amigo que há uma pessoa que ainda não sabe disso: Pateta!

No lado de fora do trailer, Bafo e Pateta jogam boliche, enquanto conversam (vejam só!). Bafo pergunta maliciosamente a Pateta a quantas anda o comportamento de Max. Pateta se queixa, pois não consegue se aproximar do filho. Bafo diz a Pateta que ele tem que demonstrar autoridade, senão o garoto acaba como um degenerado, o que o faz lembrar-se das palavras do diretor Mazur. E Bafo dá uma demonstração. Faz um arremesso e derruba nove pinos. Grita por P. J., que aparece num piscar de olhos, para derrubar o pino restante. Bafo comemora como se tivesse ganhado um campeonato nacional. Mas o pobre P. J. não esconde seu constrangimento, diante dos indignados Pateta e Max. Bafo os convida para jantar, o que agrada a Max, mas Pateta recusa, alegando que já tinha combinado de pescar com o filho. Max retruca, dizendo que podem pescar na manhã seguinte, dando sinal de que deseja jantar. Bafo cutuca Pateta, acenando para que mostre autoridade. Pateta ordena que Max pegue suas coisas, para irem pescar, e o garoto o obedece, contrariado. Bafo e Pateta confraternizam a vitória com uma piscadela e os polegares erguidos em sinal de positivo.


Pateta ensina Max a pescar, simula a coreografia para um arremesso perfeito, algo que aprendeu com seu pai, quando tinha a idade de Max. Só que o arremesso não é tão perfeito quanto Pateta pensa. O anzol fisga um bife de churrasco da grelha de Bafo, que está a preparar a comida não longe dali, e o arremesso acaba, na direção oposta, aos pés do Pé Grande, que morde a isca. Está armada a confusão. Pateta segura firme a vara e luta furiosamente com o que pensa ser um peixe. Ele e Max filmam a luta até que encontram a perigosa criatura no fim da linha, preso ao anzol. Ambos fogem, num galope. Até Bafo avista o Pé Grande, desmonta seu trailer em tempo recorde e dá no pé com P. J.. Pateta e Max são perseguidos e trancam-se no carro. Enfurecido, o Pé Grande balança o veículo, toca o terror, mas afasta-se ao perceber algumas caixas cheias de quinquilharias, fora da barraca de acampamento. Há muito com o que se distrair ali.

O Pé Grande não se rende ao sono. Fica entretido com as bugigangas. Pateta ouve um ronco e pergunta a Max se aquilo foi seu estômago ou a criatura. Max diz que está faminto. É quando uma lata de sopa aterrissa no capô do carro, com a bagunça do Pé Grande. Pateta abre a janela do carro e tenta pegar a lata. O Pé Grande percebe e corre em direção ao carro, para desespero de Max, que grita para o pai fechar a janela. A criatura colide com o carro e, no choque, alguns objetos são arremessados ao ar e cai em suas orelhas um fone de ouvido que toca Stayin' alive, dos Bee Gees! O Pé Grande gosta e dança, imitando os passos de John Travolta, em Os embalos de sábado à noite. Simplesmente hilário!

Pateta usa o queimador de cigarros para aquecer a sopa. E começa a rir. Lembra-se de algo que Max fazia quando pequeno. Ele costumava usar as letrinhas do macarrão da sopa para formar Oi, papai, Maxie, Prometo obedecer ou Amo você. Ambos rememoram, com discreto entusiasmo. E fica um constrangimento no ar. Max desconversa perguntando ao pai se podem tomar a sopa. Pateta abre a lata com os dentes, o que impressiona o garoto. Ele pergunta onde o pai aprendera aquilo. Pateta responde que foi com seu pai (avô de Max), quando viajaram para Yosemite. Max pergunta:

- Vocês eram muito unidos, não é?

De certa forma, quebraram o gelo. Fica implícito que Max entende aonde o pai queria chegar com aquilo.

O Pé Grande se acomoda sobre o carro para dormir e Pateta diz a Max para fazerem o mesmo, pois não teriam como prosseguir. Antes de o fazerem, Max escreve Oi, papai com as letrinhas da sopa e mostra o escrito a Pateta, que se emociona.

Max não consegue dormir. Seu pai e o Pé Grande roncam ruidosamente. Ele pega um papel, rabisca algumas linhas para Roxane e lembra-se do show em Los Angeles. Entra em conflito sobre dizer a verdade, ou não, a ela. Fica nervoso e chuta acidentalmente o porta-luvas do carro, que se abre e estende o mapa da viagem diante de si. Max analisa o trajeto, passa uma borracha no percurso original e altera a rota para Los Angeles. Rasga o bilhete rabiscado para Roxane e tudo o que resta é a frase Eu menti.

Na manhã seguinte, Pateta e Max chegam a uma lanchonete de beira de estrada, para o café. Max permanece calado, tendo ao seu lado, na mesa, o mapa da viagem e as chaves do carro. Pateta o observa e pensa que Max está chateado por outra razão. Toma o mapa nas mãos e diz ao filho que precisam conversar sobre aquilo. Max encolhe-se na cadeira, imaginando que o pai descobrira a farsa. Mas Pateta prossegue dizendo que Max precisa de responsabilidade e o incumbe de ser o navegador oficial da viagem, confiando ao filho a incumbência de guiá-los pelo mapa. Uma prova de total confiança.

Com direito exclusivo sobre o mapa e a rota alterada na noite anterior, o humor de Max melhora sensivelmente. Passa a curtir os momentos junto ao pai. Fazem diversas paradas divertidas, até à noite, quando param num hotel de beira de estrada. Bafo entra em cena, novamente. Bate à porta do quarto, onde se encontram Pateta e Max, simulando uma batida policial. Tremendo mau gosto. Passado o susto, Pateta e Max brincam entre si, provocando-se sobre quem ficara com mais medo. Bafo se surpreende com o entrosamento. Invejoso, Bafo puxa Pateta para o canto e diz para que não se engane com a conversa de amiguinho e que use sua autoridade. Por fim, pede a Pateta para conectar seu trailer ali, o que demorará um pouco. Enquanto Pateta o ajuda, Max e P. J. permanecem no quarto do hotel. Max conta ao amigo o que fez no mapa e Bafo, à porta, ouve a conversa. E vai ter com o Pateta. Introduz o assunto, pelas bordas:

- Então, parece que você e seu filho estão se entendendo muito bem...

Pateta confirma e diz que as técnicas aconselhadas por Bafo não funcionaram. Bafo não se intimida e prossegue:

- Então, vocês não têm mais problemas, não é? Ah, eu detesto dar más notícias, mas seu filho o está enganando. Ouvi-o dizer ao P. J. que mudou o mapa e que você vai levá-lo a Los Angeles. Você tentou, Pateta, mas ele não tem jeito mesmo.

Pateta não acredita em Bafo. Diz que não precisa olhar o mapa, pois confia em seu filho. E responde:

- Max pode não ser tudo o que você espera de um filho, mas ele me ama.

Bafo retruca:

- Mas meu filho me respeita!

Está clara a linha que divide as relações. P. J. pode até amar o pai, mas não o respeita: tem medo dele. Bafo insiste com Pateta para que veja o mapa. Ele fica tentado a fazê-lo. Entra no carro, olha para o porta-luvas. Hesita. Mas o faz, enfim, e fica tão decepcionado que vai para a cama sem falar com o filho. Max pensa que o pai está chateado com a bagunça que ele e P. J. fizeram no quarto.

Na manhã seguinte, Pateta e Max retomam a viagem, sob silêncio tumular. Próximo a um entroncamento, Pateta devolve o mapa a Max e diz-lhe que basta seguir a rota. Califórnia, à esquerda; Idaho, à direita. Pateta pressiona o filho sobre que direção seguir. Max, desesperado, grita para virarem à esquerda. Pateta tem, então, a confirmação do que lhe dissera Bafo. Fica furioso, mas nada diz. Não reage às investidas de Max, que compreende que o pai já sabe da artimanha. O garoto sugere uma música (esquecendo-se do que houve ao toca-fitas), uma brincadeira. Pateta para num acostamento e deixa o carro. Vai até a mureta. Max se aproxima e tenta conversar sobre o trajeto. Pateta lhe dá as costas. Está muito decepcionado. Max se afasta, retorna ao carro, chuta uma das rodas e encosta na lateral. No entanto, Pateta esquecera-se de puxar o freio de mão e o carro desce estrada abaixo, numa encosta montanhosa. Ambos, pai e filho, seguem em desabalada carreira, para recuperar o veículo, discutem e vão parar num rio. Sobre o capô do carro, quase totalmente submerso, Pateta fala sobre o telefonema do diretor da escola. Max diz ao pai que deveria tê-lo deixado em casa, que não queria fazer a viagem.

- Para você acabar na prisão? - retruca Pateta.

- Eu não sou mais um garotinho, pai! Eu cresci. Eu tenho a minha própria vida, agora!

E então Pateta dá ao filho a resposta que vale o filme:

- Eu sei disso. Eu só queria fazer parte dela. Você é meu filho, Max. Não importa o quanto cresça, sempre será meu filho.

Passam um longo tempo em silêncio. Até que Max fala a Pateta sobre seu amor por Roxane.

- Quem diria, meu Max apaixonado. - surpreende-se Pateta.

Os filhos crescem e os pais não percebem. Aos olhos dos pais, os filhos serão sempre crianças. Mas nada como um diálogo franco, em que pais e filhos falam abertamente sobre sonhos, medos, desejos, conquistas, frustrações, fracassos. Pateta decide ir ao show do Powerline com o filho. Mas, a essa altura, ainda sobre o capô do carro, ambos rumam em direção a uma cachoeira. Em meio à correnteza, Pateta tenta salvar o filho, mas é Max quem o salva fazendo uso da vara de pescar: fisga-o com um arremesso perfeito. Ambos se abraçam e está claro o amor que os une. Lindo, lindo.

Pateta e Max chegam aos bastidores do show, em Los Angeles. Outra confusão se forma. Max foge de um segurança, enquanto um choque leva Pateta acidentalmente ao palco. Max sinaliza para que Pateta faça os movimentos do arremesso perfeito e dance ao lado de Powerline. A plateia delira. Mas Max não tarda a chegar ao palco. Pai e filho dançam ao som do ídolo pop. A garotada da escola os veem na TV. Bobby e P. J. se orgulham. Roxane se enternece. Até Bafo está diante da TV, mas não acredita no que vê.

Quando retornam para casa, Max e Pateta param diante da casa de Roxane, embora não se saiba como o carro chegou ali. É um mistério. Ou um milagre. Max decide dizer a verdade a amada. Confessa-lhe ter mentido e surpreende-se quando ela diz que já gostava dele, desde a primeira risada. Os apaixonados ficam bem e Max acaba por apresentar Roxane ao seu pai, com imenso orgulho.

Sem dúvida, uma animação imperdível, de roteiro maravilhoso, para encantar a família. Pateta, o filme está disponível no NETFLIX.

Intervalo Rio recomenda!

(Francisco Filardi)