terça-feira, 27 de dezembro de 2016

OS ANOS 80 ESTÃO DE VOLTA NO CANAL VIVA, EM 2017

 
A partir de 8 janeiro de 2017, o canal VIVA resgata grandes momentos dos anos 1980 com a estreia da série Os anos 80 estão de volta. Em 11 episódios, a atração reúne destaques marcantes da década, em cenários que vão desde a televisão e o teatro até a música e a moda do país. Com direção geral de Darcy Bürger, e direção e roteiro de Guilherme Bryan, o especial foi gravado em 2015.

É uma série em que discorremos sobre todos os pontos interessantes da década. Na minha opinião, é uma geração que deixou um legado enorme para o futuro. É puramente afetivo, é uma série em que me vi nela totalmente, diz Darcy, em depoimento durante a gravação do programa. O produtor e diretor faleceu em agosto de 2016.

Entre os assuntos abordados ao longo dos episódios, fenômenos culturais e de comportamento dos anos 1980: o primeiro Rock in Rio; o surgimento de bandas como Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso, que deram uma cara nacional ao rock; o movimento pelas Diretas Já; a criação do grupo teatral "Asdrúbal trouxe o Trombone", que revelou uma geração de talentos; o aparecimento do punk no Brasil; o estouro das músicas para crianças e adolescentes e do gênero "soul à brasileira"; a relevância de Abelardo Barbosa e sua "Discoteca do Chacrinha" e dos videoclipes lançados no "Fantástico"; e a consagração de clássicos da televisão como "TV Pirata" e "Armação Ilimitada".

A série conta com depoimentos de personalidades icônicas da época. André De Biase, Byafra, Dado Villa-Lobos, Diogo Vilela, Elke Maravilha, Evandro Mesquita, Guto Graça Mello, Hamilton Vaz Pereira, Hermano Vianna, Kadu Moliterno, Kid Vinil, Kiko Zambianchi, Léo Jaime, Marcelo Madureira, Marcelo Tas, Michael Sullivan, Miguel Falabella, Nelson Motta, Pedro Cardoso e Sandra de Sá estão entre os convidados.

O que costumo dizer, talvez seja um exagero, mas, depois da Semana de Artes Modernas de 1922 e da Tropicália, a geração 80 foi o último movimento cultural completo que teve no Brasil, além de se viver até hoje, comenta Marcelo Madureira. Durante sua participação no programa, Evandro Mesquita também enaltece a importância da década: Acho que os anos 1980 foram essenciais nessa tomada da juventude de acesso à gravadora, aos teatros. A sair do underground.
 

VIVA - Canal Globosat

Os Anos 80 estão de volta - inédito
Estreia 8 de janeiro

Horário principal (dois episódios seguidos): domingo, a partir das 18h
Horário alternativo (dois episódios seguidos): sábado, a partir das 18h

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

BRAVO, RICARDO!



Ricardo estava feliz. Comprara um apartamento na zona norte do Rio de Janeiro e fora um dos primeiros a habitar o condomínio. A unidade, situada no segundo andar de fundos do terceiro bloco de um prédio sem pilotis, dispunha de dois quartos, sala, cozinha, banheiro social, área de serviço e uma pequena sacada, de onde é possível contemplar o pôr do sol (na zona norte, é lindo).



Apesar do recente divórcio, Ricardo não teve dificuldades em sua readaptação à vida de solteiro e, desde que se instalara em seu novo lar, permitia-se a prática de algo que jamais fizera enquanto casado: andar despido em casa. Mal chegava do trabalho, à noite, livrava-se do terno; relaxava por uns dez minutos sob a ducha morna e metia-se num roupão atoalhado. Mas logo se livrava também deste e circulava peladão pelo apartamento! Dessa forma, ele acreditava gozar da mesma sensação de leveza experimentada pelo primeiro homem a habitar o mundo. Até que...



Em certo fim de tarde, uma senhora e seu cachorrinho pinscher estavam a passear sob a sacada de Ricardo, quando ela, distraída pelo voo de um passarinho, estacionou a mirada justo no segundo andar. E deparou com o vizinho na sala. Pelado. Ele, que não percebera a indiscrição da madame, cantarolava na maior tranquilidade, enquanto seguia nos afazeres domésticos.



Ainda que tenha levado um tempo para recuperar-se do que acabara de ver (!?), a tal senhora não tardou em consignar reclamação no livro do condomínio. Quando o assunto veio à baila, na reunião de condôminos, Ricardo protestou:



- Isso é um absurdo! Vocês pensam o quê? Que sou um exibicionista barato?! Eu tenho direito a ficar pelado naqueles 50m² que me pertencem! O problema é de quem fica sob a minha sacada, a bisbilhotar o que não deve!



Foi uma gargalhada geral. Os condôminos caíram na pele da pobre senhora por considerarem que o assunto não devesse constar no livro de reclamações. Chamaram-na de pudica, mal amada, carola, sem macho e tudo o mais. O repertório variado só ampliava a voltagem da situação. Jarbas, que era o síndico da vez, segurou o riso por baixo do farto bigode, fingindo seriedade, para não constranger a madame. E perguntou a Ricardo se ele tinha o hábito de ficar pelado na sacada.



- Na sacada?! Nunca! Eu só o faço da porta da sacada para dentro! - garantiu o reclamado.

- Certo... certo, Sr. Ricardo, mas diga-me uma coisa: em casa, você faz tudo pelado, pelado mesmo?

- Peladinho da silva!

- Mas... com as cortinas abertas?!

- Parcialmente abertas, para não prejudicar a ventilação, que fique claro! E qual o problema? Estou em meu apartamento!!! - retrucou Ricardo.



Ele, que para 52 de idade era bem conservado e de porte razoavelmente atlético, chegou a ouvir de algumas vizinhas um "aí, Ricardão!" e, de outras, aquele "fiu-fiu!" comprido que lhe massagearam o ego.



Enquanto rolava a algazarra, alguns, dentre os espectadores que ali se divertiam com a inédita discussão, telefonavam de seus celulares para os parentes, insistindo para que descessem ao salão de eventos e não perdessem aquele barraco digno de humorístico de TV.



Mas a apoteose do bafafá foi quando Jarbas perguntou à senhorinha o que aconteceu logo em seguida:



- Eu, eu... - gaguejou a tal.

- "Eu, eu...", o quê? - pressionou o síndico.

- Eu... fiquei paralisada, pois jamais vi tamanho absurdo!

- Mas o que a senhora viu de tão absurdo, a ponto de deixá-la... hã, "paralisada"?

- Aquilo... - respondeu ela, cheia de pudor.

- Aquilo o quê? O penduricalho do Sr. Ricardo? - arrematou Jarbas.



Foi um carnaval. Ricardo, às gargalhadas, foi acompanhado em uníssono pela plateia. O que era drama para a minúscula senhora não passava de comédia para os vizinhos. Ela, a essa altura, já procurava um buraco onde pudesse enfiar a cara.



- Fiquei em estado de choque! - protestou, num arroubo quixotesco. - Como eu poderia mover-me? Nunca vi algo assim, em toda a minha vida!



- Então esse é o problema! - cochichou um dos espectadores para a esposa, ao lado. - Ela nunca vira aquilo! - E ambos riram.



É claro que de nada valeram os protestos da madame. Houve até quem acreditasse que ela estava mais curiosa que indignada. E foi por aí que Jarbas insinuou:



- Mas a senhora, digamos, não teria permanecido sob a sacada do Sr. Ricardo por outra razão?

- Como assim?

- Talvez a senhora tivesse prolongado um bocadinho a sua permanência para ver algo com... maior clareza, já que estava tentando entender a situação.

- Mas que impertinência!!! Eu só estava de olho num passarinho! - disse a madame, sem maldade.



Mas a turma não perdoou, afinal não ficou claro a que passarinho ela estava se referindo. A balbúrdia, óbvio, potencializou e Jarbas, ao lembrar que a indignada era solteirona, emendou:



- Aposto que sim! - disse, dando uma piscadela para Ricardo. Ainda assim, o síndico não sossegou:



- Sabe, madame... a senhora poderia ter corrido, gritado, surtado, desmaiado, qualquer coisa, já que estava apavorada!



- É que... é que... - gaguejou, mais uma vez, a já trêmula senhora.



- "É que... é que...", já entendi, madame! Está encerrada a reunião! - decretou o síndico.



A coitada, jururu que só, deixou o salão de eventos sob uma chuva de gargalhadas e provocações dos vizinhos. Nunca dantes na história daquele condomínio houve outra reunião como aquela!



Bem, o tempo passou, a vida seguiu seu curso, como haveria de ser, e a tal senhora (que nunca mais deu as caras em outra reunião do condomínio) deixou de levar seu cachorrinho para passear sob a sacada de Ricardo que, a propósito, segue circulando peladão em seu apartamento. É pelo seguinte: Jarbas, que era um sacana de primeira, levara o tema à votação daquela plateia inflamada (após a madame deixar o recinto, claro) e, uma vez aprovado por esmagadora maioria e devidamente consignado em ata, deliberou-se que ficar pelado em próprio domínio não configurava prática atentatória à moral e aos bons costumes. Tudo resolvido e todos felizes naquele conjunto habitacional (menos a jururu senhora, claro).



O único "porém" é que, desde a controversa reunião, a plateia feminina sob a sacada do agora famoso vizinho do bloco três vem aumentando de forma considerável. Bravo, Ricardo!

(de Francisco Filardi, finalizado em 19.12.2016)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

INTERVALO RIO INDICA OS MELHORES EPISÓDIOS DA SÉRIE "UM MALUCO NO PEDAÇO"



A série "The Fresh Prince of Bel-Air" ("Um maluco no pedaço") teve seis temporadas, sendo exibida nos EUA pela rede NBC, de setembro de 1990 a maio de 1996. No Brasil, foi exibida somente a partir do ano 2000 pelo SBT e reexibida pelo Nick at Nite (Nickelodeon) e pelo Warner Channel. O ator Will Smith, cuja carreira deslanchou a partir daí, interpreta um rapaz da Filadélfia que tenta se adequar à rotina na mansão dos tios, em Bel-Air, mas acaba se envolvendo em muitas confusões.

Apesar de ser uma série cômica, "Um maluco no pedaço" abordou temas espinhosos como discriminação racial, sexualidade, drogas, política e justiça, com muita sensibilidade, o que rendeu algumas cenas emocionantes e outras para reflexão. Intervalo Rio destaca os episódios imperdíveis da série:

- "Mistaken identity" ("Troquei as bolas" - 1a. temporada, episódio 6) - Numa viagem de carro, com destino a Palm Springs, Will (Will Smith) e seu primo Carlton (Alfonso Ribeiro) saem da estrada, perdem-se, mas são parados pela polícia. Como o furto de automóveis é crime recorrente na região, ambos são conduzidos à delegacia, interrogados e presos, sem direito a advogado ou comunicação (das autoridades) aos pais. O episódio critica ao sistema e o preconceito de policiais em relação aos negros;

- "Just say yo" ("A droga é uma droga" - 3a. temporada, episódio 19) - Necessitando de vitaminas, Carlton vai ao armário de Will, na faculdade, e ingere grande quantidade de pílulas que lá encontra num frasco. No entanto, estas eram drogas ilegais (anfetaminas) que o fizeram dançar de forma "acelerada" durante o baile de formatura, até desabar em desmaio, para desespero de Will. Carlton é levado ao hospital, para desintoxicação, e Will, às lágrimas, assume a culpa perante a família. A bronca de Philip Banks (James Avery) no sobrinho, na cena final do episódio, é um dos momentos emocionantes da série;

- "Will goes a courtain" ("Will no banco dos réus" - 4a. temporada, episódio 6) - Will e seu tio Philip não chegam a um acordo sobre o conserto do condicionador de ar da casa da piscina (anexa à mansão dos tios), onde Will reside. O caso vai parar na justiça e os envolvidos apresentam a sua versão dos fatos, todas tendenciosas e distantes da verdade. O divertido episódio retrata a banalização do sistema judiciário;

- "Blood is thicker than mud" ("O que conta é o sangue" - 4a. temporada, episódio 8) - Na faculdade, Will e Carlton manifestam o desejo de ingressar em uma fraternidade liderada por negros e, para tal, devem cumprir tarefas para serem aceitos. Ambos se veem obrigados a "ralar" na limpeza da sede mas, ao fim do prazo estipulado, só Will é aceito. Solidário ao primo, Will expõe sua indignação para o líder da tal "fraternidade", pois Carlton dedicou-se ao trabalho, sem questionar ou reclamar do que lhe fora determinado. O episódio traz à baila a discriminação do negro pelo negro;

- "Papa's got a brand new excuse" ("A nova desculpa do papai" - 4a. temporada, episódio 24) - O caminhoneiro Lou, pai de Will, desaparecido há 14 anos, dá o ar da graça na mansão dos Banks e tenta reconquistar a confiança do filho. Apesar dos planos que Lou alega ter para ambos e da empolgação inicial de Will, há assuntos mais urgentes para o visitante (que não incluem o rapaz) e a relação entre pai e filho, se é que algum dia existiu, dissolve-se, de vez, feito açúcar na água. Decepcionado e entristecido, Will vai encontrar abrigo nos braços de seu tio Philip. Outro episódio emocionante, é um recado para pais ausentes;

- "Bullets over Bel-Air" ("Tiros em Bel-Air" - 5a. temporada, episódio 15) - Outro ponto alto da série. Will e Carlton vão a um caixa eletrônico e são rendidos por um assaltante, armado com revólver. O bandido dispara e Will, para proteger o primo, coloca-se entre este e o atirador. Will é hospitalizado; Carlton se revolta com a situação, deixa o hospital exaltado, após discutir com o pai (Philip), e questiona o sistema judiciário do qual este faz parte. Em visita posterior a Will, ainda no hospital, Carlton revela portar uma arma de fogo para "proteger-se" e seu primo o convence a não colocar a vida em risco, a deixar a arma ali. Will salva a vida de Carlton duas vezes nesse mesmo episódio;

- "To thine own self be blue... and gold" ("A honestidade vale ouro" - 5a. temporada, episódio 22) - Um empresário bem sucedido e amigo de longa data de Philip visita a família Banks e oferece emprego a Will, com direito a regalias como terno de primeira, garantia de promoções rápidas e polpudas gratificações. Ou seja, o "emprego dos sonhos". No entanto, Will descobre que o tal "amigo" do tio faz uso da famigerada "mala preta", para suborno de autoridades. Um episódio para reflexão sobre caráter.

- "I, done (part 2)" ("Fim da linha - parte 2" - 6a. temporada, episódio 24) - O episódio final da série, no qual a família Banks vende a mansão, traz um momento bastante íntimo e forte entre Will e seu tio. A despedida de ambos costura o sentimento de carinho, de amor e até de admiração que Philip desenvolve ao longo da série pelo sobrinho irreverente, malandro, "descolado", trapalhão, ingênuo e iludido (em relação à si, à vida e às mulheres) mas, acima de tudo, de bom coração. Segue parte do diálogo entre tio e sobrinho:

- "Eu não queria que você pensasse que perdeu tempo comigo, nos últimos seis anos. [...] Eu não queria que você tivesse agora uma impressão pior de mim do que quando cheguei aqui. [...] Eu vivi sem pai, sem irmãos e irmãs. E eu acho esta vida melhor. [...] Eu te amo, tio Phil, e não quero perder você, nenhum de vocês", diz Will.

- "Você não vai nos perder. Você é meu filho, Will. Ponto final." - arremata o tio. É de arrepiar!!!


Além destes, destacamos outros três episódios divertidos:

- "Asses to ashes" ("Will é de morte" - 3a. temporada, episódio 10) - Philip recebe na mansão seu grande mentor nos tempos de faculdade, o juiz Carl Robertson (Sherman Hemsley), e descobre que este será seu concorrente à vaga de juiz do Supremo, nas próximas eleições. Mas Robertson é um senil canalha e desaforado que, ao longo da campanha, recorre a manobras nada éticas para derrubar Philip. Quando Robertson vence a eleição, por esmagadora diferença, Will vai à sede do comitê do vencedor, discute com o pilantra e diz: - " Você não chega aos pés do tio Phil! Por mim, você podia cair duro!". Segundos depois, Robertson cai duro mesmo, vitimado por um ataque cardíaco! Vale destacar a atuação do ator Sherman Hemsley, que, curiosamente, apareceria ainda em outros dois episódios da série, nas temporadas seguintes¹. Além disso, os espectadores são brindados, logo no início de "Asses to ashes", com a "Carlton dance", imortalizada por Alfonso Ribeiro, ao som de "She's so unusual", de Tom Jones (simplesmente hilário!);

- "Hex and the single guy" ("Que praga!" - 4a. temporada, episódio 7) - Após perder o noivo, o repórter narcisista Trevor Collins (Brian Stokes Mitchell), que virou farofa em acidente num bungee jump, Hilary (Karyn Parsons) recorre a Skorpius (Glenn Shadix), um medium picareta, para invocar o espírito do falecido. Toda a família Banks comparece à "sessão espírita", mas Will não leva a coisa a sério e desfila uma série gracinhas à mesa, caçoando do fajuto. Irritado com a falta de respeito, Skorpius lança uma "praga" sobre Will (que afeta toda a família);

- "Stress related" ("Confusão em família", 6a. temporada, episódio 3) - Nos estúdios de seu programa de TV, Hilary está prestes a receber o representante de um grande patrocinador, mas, resfriada, tranca-se desesperada no camarim, sem saber o que fazer. Will serve chá e um remédio à prima. Em seguida, deixa momentaneamente o camarim e ao retornar, encontra Hilary desarticulada feito um boneco de mamulengo, a falar bobagens e a rir, como se bêbada estivesse. Will checa o rótulo do produto e entra em pânico, ao descobrir que o medicamento deveria ser ingerido somente antes de dormir! Decerto, a melhor cena de Karyn Parsons na série.


"Um maluco no pedaço" é uma das séries mais carismáticas da TV e seu sucesso no Brasil deve-se a fácil identificação do público e em parte também pelo belo trabalho de dublagem, que manteve o dinamismo dos diálogos originais. Personagens impagáveis como o almofadinha puxa-sacos Carlton Banks (Alfonso Ribeiro), o sarcástico mordomo Geoffrey Barbara Butler (Joseph Marcell) e o paizão superprotetor Philip "Phil" Banks (James Avery), rendem diversão e enternecimento em cenas as quais permanecem na memória dos espectadores, mesmo vinte anos após o fim da série.

As seis temporadas de "Um maluco no pedaço" estão disponíveis no Netflix.

Intervalo Rio recomenda!

___________

¹ Os dois outros episódios de que o ator Sherman Hemsley participou foram: "Will is from Mars" ("O Will pirou de vez" - 5a. temporada - episódio 17) e "I, done (part 2)" ("Fim da linha - parte 2" - 6a. temporada, episódio 24), ambos interpretando George Jefferson, sua personagem no seriado "The Jeffersons", que protagonizou de 1975 a 1985 na rede CBS.

(Francisco Filardi)

JUSTIFICATIVA DE AUSÊNCIA ÀS URNAS AGORA PODE SER FEITA PELA INTERNET (APENAS ELEITORES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO)



Prazo para quem não votou no 1º turno  de 2016
termina em 1º de dezembro


O eleitor que não votou nem justificou no dia das eleições pode agora enviar a justificativa de ausência às urnas pela internet, acessando o site do TRE-RJ. Para realizar o procedimento, é preciso estar inscrito em zona eleitoral de qualquer município no estado do Rio de Janeiro e preencher o requerimento de justificativa online, anexando documentos que comprovem o motivo da ausência, como atestado médico ou declaração de trabalho, por exemplo.


O prazo para a justificativa é de 60 dias, após cada turno da eleição. Assim, o eleitor que faltou no primeiro turno tem até o dia 1º de dezembro para dar entrada no pedido. Para quem não pôde votar no segundo turno, o prazo termina em 29 de dezembro.


A justificativa será analisada pelo juiz eleitoral competente, que poderá deferir ou não a solicitação. O eleitor, então, será comunicado da decisão por meio do e-mail por ele cadastrado. Quem preferir, também pode entregar pessoalmente o requerimento de justificativa, em qualquer cartório eleitoral.


Consequências para quem não justificar


A quem não votou e não se justificar incorrerá multa eleitoral. Além disso, sem a prova de que votou na última eleição, pagou a respectiva multa ou de que se justificou devidamente, não poderá, por exemplo, tomar posse em cargo público, retirar passaporte ou renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo, entre outros impedimentos.


O eleitor que não vota nem justifica sua ausência às urnas em três turnos consecutivos e não quitar a multa devida terá sua inscrição cancelada e, após seis anos, excluída do cadastro de eleitores. As regras não se aplicam aos eleitores cujo voto seja facultativo (analfabetos, maiores de 16 e menores de 18 anos, maiores de 70 anos) e aos portadores de deficiência física ou mental que torne impossível ou demasiadamente oneroso o cumprimento das obrigações eleitorais, que requererem, na forma da Resolução TSE nº 21.920/04, sua justificação pela ausência às eleições.



Procedimentos para efetuar a justificativa


1) Na página https://www.tre-rj.jus.br, acesse à esquerda o campo "Serviços ao eleitor". Vá até o último item listado na coluna: "Justificativa eleitoral";


2) Na aba "Sistema Justifica", acesse o link "Acesso ao Sistema Justifica";


3) Preencha os campos obrigatórios: "Título eleitoral", "Nome do eleitor" e "Data de nascimento" (Obs: no campo "Título eleitoral", digite também os zeros à esquerda do número de sua inscrição, caso haja);


4) Clique em "Avançar";


5) Preencha os demais campos solicitados e anexe o documento comprobatório, indicando também o turno da Eleição a ser justificado;


6) Digite o código alfanumérico de segurança, fornecido pelo sistema;


7) Clique em "Enviar".



O Sistema Justifica fornece um código alfanumérico para que o eleitor acompanhe o andamento da solicitação, também pela internet.



Havendo dúvida sobre o procedimento acima, o eleitor deverá contatar o cartório eleitoral onde se encontra inscrito.  Os telefones e endereços dos cartórios estão disponíveis no próprios site do TRE/RJ.


Fonte: TRE/RJ

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

RELATO DE UMA OCORRÊNCIA POLICIAL (FICTÍCIA)


Ocorrência 666



Às 6:38h do dia 02 de outubro do ano 2016, o cidadão identificado como José Bromélio de Alvarenga conduzia um veículo de passeio VW Passat, duas portas, de cor bege, placa do Rio de Janeiro LVA-XXXX, ano 2005, em via próxima a um local de votação, localizado na zona norte do município do Rio de Janeiro, quando foi flagrado pelo policial civil, Sr. Asclepíades da Cunha, enquanto atirava pela janela do citado veículo panfletos de propaganda eleitoral alusivos aos senhores Suanfrísio do Apocalipse, candidato à câmara municipal, e Mocreio Epifandrio, candidato à prefeitura local, ambos concorrentes pelo partido P. 

O policial “da Cunha” repreendeu o infrator, identificado como José Bromélio de Alvarenga, com ordem para cessar de imediato o abuso. No entanto, face à reincidência da conduta infratora, o policial civil em tela, no uso de sua autoridade, interpelou novamente o infrator, doravante denominado “meliante”, e procedeu a apreensão de dois pacotes confeccionados em material plástico transparente, tamanho 40cm x 30cm, contendo panfletos de propaganda eleitoral dos candidatos acima qualificados, os quais se encontravam no veículo do infrator, tendo o policial “da Cunha” conduzido o meliante à delegacia da região, para registro da presente Ocorrência e tomada de depoimentos. 

Tendo como testemunhas o ilustríssimo inspetor de Polícia, Sr. Mirradinho de Oliveira, e a ilustríssima escrivã de Polícia, Sra. Gerusa Cornélia, que procedeu as anotações devidas, o digníssimo Sr. Delegado da XXª DP, Dr. Janjonésio Pereira, uma vez ouvido o depoente infrator, procedeu o enquadramento do mesmo, nos termos do art. 330 do Decreto-Lei n° 2.848/1940 (Código Penal) e do art. 299 da Lei n° 4.737/65 (Código Eleitoral), acrescentando-se, porém, que o digníssimo Sr. Delegado de Polícia, não obstante o teor do depoimento colhido em sua presença, determinou ao policial “da Cunha” que conduzisse o meliante, identificado como José Bromélio de Alvarenga, doravante denominado “porco”, ao local da apreensão para que este recolhesse, um por um, sem auxílio de vassoura, pá ou qualquer instrumento similar de coleta, os panfletos jogados ao chão, no entorno do respectivo local de votação, com o adendo de que ao “porco”, qualificado nos termos desta Ocorrência policial, caberia recolher todo e qualquer panfleto de propaganda de candidatos, quer fossem do partido P. ou não. 

Por fim, o digníssimo Sr. Delegado de Polícia destacou o policial "da Cunha" para supervisionar o trabalho de coleta determinado ao infrator e estabeleceu que ambos, policial e infrator, apresentassem, até às 19h, os expedientes conclusivos da atividade. 

Nada mais tendo a relatar, o Dr. Janjonésio Pereira, digníssimo Delegado de Polícia da XXª DP, na presença do policial civil, Sr. Asclepíades da Cunha, do ilustríssimo inspetor da Polícia, Sr. Mirradinho de Oliveira, e da ilustríssima escrivã de Polícia, Sra. Gerusa Cornélia, encerrou a presente Ocorrência, às 8:48h do dia 02 de outubro de 2016, encaminhando cópias dos termos ao Excelentíssimo representante do Ministério Público Eleitoral, para as demais providências cabíveis.



P.S.: este é um relato fictício; todos os nomes citados na "Ocorrência" são fictícios e qualquer semelhança com a realidade é mera… esqueçam!

Francisco Filardi

sábado, 8 de outubro de 2016

A AMIGA JANU E A ÓPERA DAS MEIAS BRANCAS




Madame Filardi, que andava sumida há tempos, veio-me contar a fofoca: Januária, sua amiga de longa data, meteu-se numa encrenca daquelas por causa das meias do marido, Agripino. Ele, que há trinta anos só as usava na cor branca, pôs para lavar alguns pares que de brancos nem a lembrança tinham. Janu, partidária da água e sabão desde sempre, foi perguntar à vizinha Matilda o que fazer para dar um jeito nas peças do vestuário do marido.

- Compre um alvejante, Janu, que resolve! - disse a octogenária.

Janu, que não era nada moderninha, optou por acolher a sugestão da amiga e, já no início da tarde, partiu para o mercado. Mas a dica da esperta Matilda acabou deixando Janu tristinha. E não foi sem motivo. Até que comprar o tal do alvejante foi fácil. Problema mesmo foi quando ela, já em casa, leu as instruções no rótulo do produto. Lá constava que o mesmo deveria ser aplicado diretamente sobre a mancha, por dez minutos, antes de proceder a lavagem. Como as meias do marido estavam para lá de encardidas, Janu mergulhou de tacada oito pares numa bacia com tanto alvejante que dava para clarear todas as roupas do armário do Agripino! E, como desgraça pouca é bobagem, justo nesse momento Janu recebeu o telefonema da Zazá, impertinente tricoteira dos mexericos da terceira idade - logo ela, que escolhia as horas mais ingratas para papear, sem chance de o interlocutor desvencilhar-se de forma educada. Resumo da ópera: papo foi, papo veio, cinquenta minutos de conversa fiada se passaram até que Janu se desse conta de que as meias do marido ainda estavam de molho no alvejante.

Quando a sexagenária chegou à área de serviço e puxou a primeira meia da bacia, levou a mão à testa, ao ver que a sola se desintegrara! Incrédula e com olhos arregalados, Janu exclamaria “Meu Jesus!” dezesseis vezes naquela tarde.

Moral da história: Madame Filardi está gargalhando até agora!!!

(Francisco Filardi)

domingo, 4 de setembro de 2016

LADYBUG E CAT NOIR: FEITOS UM PARA O OUTRO




O seriado de animação “Miraculous – as aventuras de Ladybug” é uma produção franco-nipo-coreana que traz como protagonistas os adolescentes Marinette e Adrien. Ambos são escolhidos por um mestre chinês para receber os Miraculous – joias mágicas com poderes extraordinários (um par de brincos e um anel, respectivamente) que os transformam em Ladybug e Cat Noir, heróis que livram a cidade de Paris das investidas do vilão Hawk Moth.



A série, de bonita textura, alterna ação eletrizante e situações hilárias proporcionadas pela desajeitada e secreta paixão de Marinette por Adrien, seu colega de classe. A paixão, aliás, ocorre também a seus alteregos: as insinuações de Cat Noir para Ladybug, em meio à ação, rendem também divertidas tiradas.



Além desse misto de ação, comédia e romance, “As aventuras de Ladybug” desperta a atenção dos fãs face o mistério em torno da identidade de Hawk Moth. Assim como o mestre Fu, ele é detentor de um Miraculous – o qual usa indevidamente para o mal; Moth tem o dom de perceber sentimentos negativos e transforma pessoas ressentidas ou enraivecidas em aberrações, com a finalidade de tomar os Miraculous de Ladybug e de Cat Noir. No episódio “Coração de pedra – parte 2”, Moth revela que almeja o poder absoluto e que seu desejo secreto irá realizar-se quando por as mãos nos demais Miraculous. Qual será o “desejo secreto” de Hawk Moth?



Há uma teoria circulando entre os fãs do seriado sobre Hawk Moth ser o pai de Adrien, o design de moda Gabriel Agreste (ou um possível irmão gêmeo deste). A semelhança física entre Moth e Gabriel, de fato, é grande. A teoria ganha adeptos devido ao temperamento arredio de Gabriel e seu distanciamento emocional em relação ao próprio filho, mas esta pode ser uma pista enganosa. Afinal, sua esposa está desaparecida e seu rigor e azedume podem ser decorrentes desse fato (até o fim da primeira temporada não está claro que a mãe de Adrien esteja morta). Segundo os fãs, Gabriel deseja o poder absoluto dos Miraculous para trazer a esposa de volta, podendo bem ser este o “desejo secreto” de Hawk Moth.



No último episódio da temporada, intitulado “Volpina”, Adrien descobre que seu pai esconde um livro num cofre localizado na parte posterior de uma enorme tela, pintada em honra de sua mãe (a tela é inspirada na obra “O retrato de Adele Bloch Bauer I”, de Gustav Klimt). O livro trata de heróis seculares e do poder dos Miraculous. A questão é: por que Gabriel Agreste - que já demonstrou curiosidade pelos Miraculous de Ladybug e de Cat Noir - estaria interessado no livro? No episódio “Simon says”, Gabriel diz a Cat Noir que seu temperamento o faz lembrar o da esposa desaparecida – e o faz enquanto olha para o quadro da esposa. Teria ele sacado que Cat Noir é seu filho, Adrien? Mais um mistério para as próximas temporadas.


No total, há sete Miraculous, sendo os do Tei-Ji (Yin/Yang) aqueles presenteados a Marinette e Adrien, representando os poderes da criação (Ladybug) e da destruição (Cat Noir), os quais se devem manter em equilíbrio.



O problema de “Miraculous – as aventuras de Ladybug” é que a série segue uma fórmula repetitiva, que vai das cenas de transformação dos protagonistas às de desfecho dos episódios. Se a série não repensar esse aspecto para as próximas temporadas, o formato tende a esgotar-se. Ainda assim, considerando o mar de mediocridade que tomou conta das animações televisivas, os 23 minutos por episódio de “Miraculous” garantem boa diversão para a garotada.



Além do que vale destacar o belo trabalho da dublagem brasileira, realizada pelo Beck Studios de Maíra Góes (quem não está associando o nome à pessoa, Maíra é a dubladora da peixinha Dory, dos longas “Procurando Nemo” e “Procurando Dory”, da Pixar Animation Studios).



Miraculous – as aventuras de Ladybug” é exibido diariamente pelo canal Gloob em horários diversos.



Intervalo Rio recomenda!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

AS GENIAIS SACADAS DO FILME "THE MUPPETS" (2011)



Assim como em "Os Muppets conquistam Nova Iorque" (1984), "The Muppets" (2011) é alinhavado por uma proposta crítica e, a um tempo, saudosista, para fazer o público pensar e emocionar-se.

O boneco Walter, admirador fervoroso da turma criada por Jim Henson, viaja para Los Angeles e vai até ao estúdio onde os Muppets gravavam seu programa, agora abandonado e sujo. Lá, Walter descobre, acidentalmente, que um empresário picareta deseja adquirir o local e instalar ali o Museu Muppet, uma fachada para explorar o petróleo que há sob o terreno. É aí que a história começa. Walter procura Kermitt (Caco, o sapo, no Brasil) e ambos se propõem a reunir a velha turma, há muito separada, para fazer um programa nos moldes do teleton e angariar a quantia 10 mil dólares, até a meia-noite de determinado dia, para reaver o antigo estúdio. Para isso, fazem algumas loucuras, como o sequestro de um astro do cinema. O filme é divertido, inteligente e vale pontuar algumas situações:

1 - O "The Muppet Show" foi um programa televisivo de grande sucesso na TV estadunidense (e também no Brasil). Teve cinco temporadas (entre 1976 e 1981), dele tendo participado inúmeras celebridades como os cantores Harry Belafonte e Rita Moreno, e também o saudoso baterista Buddy Rich. Por que o programa saiu do ar? Simples: queda na audiência. É claro que há um desgaste observável nas séries longevas, mas nos Estados Unidos muitas séries produzidas nos últimos dez anos, não passam da primeira ou da segunda temporada. Isso é terrível, tanto para os atores (vítimas do desemprego), quanto para o público (órfãos de personagens com as quais se identificam). Aqui, no Brasil, copiamos esse modelo (valorização excessiva – e por que não, exclusiva? - dos índices de audiência, em detrimento da qualidade dos programas), o que é uma celebração ao dinheiro e um grave desrespeito para com os espectadores;

2 - Ao reencontrar os velhos amigos, Kermitt se vê chocado com a realidade: mesmo longe da fama, alguns encontraram o caminho, são bem sucedidos no mundo dos negócios, mas outros não tiveram a mesma sorte: sobrevivem com dificuldade, em estado de pobreza. Esse quadro reflete a realidade de muitos artistas, desligados das emissoras de TV por não se destacarem. Há, no entanto, alguns amigos de Kermitt que, no íntimo, sempre alimentaram a vontade de reacender a chama da paixão pelo entretenimento - e reviver a glória do "The Muppet Show". Já outros relutam, embora aceitem rever a decisão por motivos que não revelo;

3 - Quando Kermitt e sua turma vão conversar com uma empresária do ramo televisivo, esta lhes mostra um painel com o que "está na moda", o que "faz sucesso" hoje. Os Muppets estão fora de questão, segundo ela, porque foram "esquecidos". Ela, então, dá uma amostra da preferência do público: um “reallity show” intitulado "Hora de bater no professor", em que alunos vestidos com luvas de boxe esmurram um professor. Uma tremenda crítica à boçalidade que tomou conta da TV do século XXI, que exibe programas despropositados, sem compromisso com a função educativa; "cópias carbonadas" que se proliferam como vírus, maquiados pela suposta intenção de divertir o público, mas que, em verdade, resultam de um velado processo de imbecilização do espectador;

4 - O programa é transmitido ao vivo, mesmo com o teatro vazio. À medida que seguem as atrações, os telefones tocam. Artistas como Whoopi Goldberg e Selena Gomez chegam para ajudar (o mestre de cerimônias é o astro sequestrado de que falamos). E, incrivelmente, pessoas saem de suas casas e dirigem-se ao teatro;

4 - Enquanto os Muppets realizam seu teleton, a câmera alterna cortes entre o que ocorre no palco do teatro e nas casas dos espectadores. Não são apenas crianças que estão diante da TV: são famílias. Essa foi outra grande sacada do filme: o "The Muppet Show" não era um programa para crianças, mas para toda a família. Quantos programas da TV, hoje, são feitos para a família se divertir, rir e encantar-se em comunhão?

5 - O empresário pilantra sabota a apresentação, cortando a luz do teatro. Por um “pentelésimo” centavo de dólar, Kermitt e sua turma não conseguem o dinheiro para reaver o antigo estúdio. Mas antes de deixarem o teatro, o velho sapo se posiciona na escadaria, um pouco acima de seus companheiros, e discursa para os demais Muppets. Eles não fracassaram; fizeram o seu melhor, tentaram. Kermitt acredita neles, porque são uma família. E afirma que todos deixarão o teatro de cabeça erguida. Quando Kermitt destrava a porta do teatro e alcança a rua, fica estarrecido com o que vê: uma multidão os espera! E aí a sacada final do filme: o público não esquece seus artistas amados! Jamais!
 
Francisco Filardi

UMA LEITURA SUPERFICIAL SOBRE A VIDA DE MARIA ANTONIETA E A REVOLUÇÃO FRANCESA



Esse filme, dirigido por Sofia Coppola (2005), é uma leitura superficial da vida de Maria Antonieta (1755-1793), arquiduquesa da Áustria e esposa de Luís XVI, rei da França.

Algumas situações me desagradam nessa leitura. Primeiro, a opção pelo idioma inglês, o que, de certa forma, compromete a credibilidade da narrativa; segundo, o fato de Sofia ter-se apropriado de um recurso o qual foi empregado pelo australiano Baz Luhrmann, em "Romeu e Julieta", seu segundo filme (1996), e no extraordinário "Moulin Rouge", seu filme seguinte, de 2001: a opção por músicas pop em trabalhos de época, o que Sofia não realiza com o mesmo brilho. A tríade Robespierre-Danton-Marat sequer é citada, assim como a oposição jacobinos x girondinos x sans-culottes, cerne da Revolução. Ou seja, o filme negligencia a profundidade histórica, social e política desse que foi um dos episódios mais violentos e controversos da história da humanidade.

Ainda assim, o filme rende cenas interessantes. Na noite de núpcias - e em outras tantas consecutivas, nada de bom acontece no leito de Luís XVI e Maria Antonieta. Não sendo consumada a boda, a falta de perspectiva para a chegada de um herdeiro real traz enorme preocupação aos nobres do palácio (por motivações políticas e pessoais, claro). A "culpa" recai sobre a suposta frigidez da rainha. Mas a questão não é simples. Um diálogo entre uma dama e Luís XV (avô de Luís XVI, que viria a falecer de varíola) sugere ao espectador uma possível explicação para a falta de entusiasmo do jovem monarca:

- Boa tarde, majestade! Como vai o seu neto, o delfim?

Ao que o rei responde:

- Ele está caçando veados.

Luís XVI estava, de fato, numa caçada (uma das coisas de que mais gostava), mas é provável que a resposta do avô sugerisse dúvida quanto a masculinidade do futuro rei.

Há duas cenas belíssimas, ambas ao final do filme: a primeira se dá quando explode a Revolução e o povo se prepara para invadir o palácio e retirar de lá à força o casal real. Ambos, Luís XVI e Maria Antonieta, estão à mesa, ceando. Ouvem o clamor popular. Temem o desfecho. Entreolham-se. Luís abaixa a cabeça, enquanto Maria Antonieta estende o braço na direção do marido. Ambos se dão as mãos. São solidários no sofrimento. E a outra: ao fugirem do palácio, já na carruagem que os levaria a uma fortaleza, localizada fora de Paris, Luís XVI pergunta à esposa, que está a contemplar a paisagem:

- Admirando sua alameda de limoeiros?

- Eu estou me despedindo. - responde a rainha, com os olhos marejados, assim como Luís. E o filme para por aí.

Luís XVI e Maria Antonieta chegaram precocemente ao poder (ele aos 20, ela aos 18 de idade, embora houvessem casado 4 anos antes). "Poder" era algo que não desejavam; na verdade, foram surpreendidos pela morte de Luís XV. "Deus, guie-nos e proteja-nos. Somos jovens demais para reinar", disse Luís XVI ao ser entronizado. Maria Antonieta, por sua vez, foi odiada pela nobreza e pelo povo, por ser estrangeira, "a austríaca", a traidora da França, como as damas francesas se referiam a ela, desdenhosamente. Foi acusada de dilapidação do patrimônio público, foi acusada de influenciar o marido em prol do reino da Áustria, foi acusada de ter um caso com Fersen, um conde sueco. Foi vítima de inúmeros boatos. Assim como Luís XVI, foi vítima de inúmeras maquinações dos membros da corte. Viu o círculo fechar em torno de si. Foi Robespierre quem pediu sua cabeça. E ele a teve... Apesar de tudo, a consciência de Maria Antonieta permaneceu fiel ao marido, até sua morte. Na guilhotina.

Francisco Filardi

segunda-feira, 18 de julho de 2016

APRENDENDO A PENSAR, DE STEPHEN KANITZ





A maioria das aulas que tive foi expositiva. Um professor, normalmente mal pago e por isso mal-humorado, falava horas a fio, andando para lá e para cá. Parecia mais preocupado em lembrar a ordem exata de suas idéias do que em observar se estávamos entendendo o assunto ou não. 
 

Ensinavam as capitais do mundo, o nome dos ossos, dos elementos químicos, como calcular o ângulo de um triângulo e muitas outras informações que nunca usei na vida. Nossa obrigação era anotar o que o professor dizia e na prova final tínhamos de repetir o que havia sido dito. 
 

A prova final de uma escola brasileira perguntava recentemente se o país ao norte do Uzbequistão era o Cazaquistão ou o Tadjiquistão. Perguntava também o número de prótons do ferro. E ai de quem não soubesse todos os afluentes do Amazonas. Aprendi poucas coisas que uso até hoje. Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos. 
 

Curiosamente não ensinamos nossos jovens a pensar. Gastamos horas e horas ensinando como os outros pensam ou como os outros solucionaram os problemas de sua época, mas não ensinamos nossos filhos a resolver os próprios problemas. 
 

Ensinamos como Keynes, Kaldor e Kalecki, economistas já falecidos, acharam soluções para um mundo sem computador nem internet. De tanto ensinar como os outros pensavam, quando aparece um problema novo no Brasil buscamos respostas antigas criadas no exterior. Nossos economistas implantaram no Brasil uma teoria americana de “inflation targeting”, como se os americanos fossem os grandes especialistas em inflação, e não nós, com os quarenta anos de experiência que temos. Deu no que está aí. De tanto estudar o que intelectuais estrangeiros pensam, não aprendemos a pensar. Pior, não acreditamos nos poucos brasileiros que pensam e pesquisam a realidade brasileira nem os ouvimos. Especialmente se eles ainda estiverem vivos. É sandice acreditar que intelectuais já mortos, que pensaram e resolveram os problemas de sua época, solucionarão problemas de hoje, que nem sequer imaginaram. Raramente ensinamos os nossos filhos a resolver problemas, a não ser algumas questões de matemática, que normalmente devem ser respondidas exatamente da forma e na seqüência que o professor quer.


Matemática, estatística, exposição de idéias e português obviamente são conhecimentos necessários, mas eu classificaria essas matérias como ferramentas para a solução de problemas, ferramentas que ajudam a pensar. Ou seja, elas são um meio, e não o objetivo do ensino. Considerar que o aluno está formado, simplesmente por ele ter sido capaz de repetir os feitos intelectuais das velhas gerações, é fugir da realidade.


Num mundo em que se fala de “mudanças constantes”, em que “nada será o mesmo”, em que o volume de informações “dobra a cada dezoito meses”, fica óbvio que ensinar fatos e teorias do passado se torna inútil e até contraproducente. No dia em que os alunos se formarem, mais de dois terços do que aprenderam estarão obsoletos. Sempre teremos problemas novos pela frente. Como iremos enfrentá-los depois de formados? Isso ninguém ensina.


Existem dezenas de cursos revolucionários que ensinam a pensar, mas que poucas escolas estão utilizando. São cursos que analisam problemas, incentivam a observação de dados originais e a discussão de alternativas, mas são poucas as escolas ou os professores no Brasil treinados nesse método do estudo de caso. 
 

Talvez por isso o Brasil não resolva seus inúmeros problemas. Talvez por isso estejamos acumulando problema após problema sem conseguir achar uma solução.

Na próxima vez em que seu professor começar a andar de um lado para o outro, pense no que você está perdendo. Poderia estar aprendendo a pensar.

Publicado na Revista Veja, Editora Abril, edição 1763, ano 35, nº 31, 7 de agosto de 2002, página 20.
Reprodução autorizada pelo autor, a quem Intervalo Cultural Rio muito agradece a gentileza.

Visitem a página do professor Stephen Kanitz.