domingo, 6 de setembro de 2026

SAI O VOLUME 3 DE "FORÇA BRUTA", COM FOCO NAS INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS


Lançado em 15/08/2026, o volume 3 de Força Bruta - pesquisa sobre a revanche enxadrística entre Garry Kasparov e o computador Deep Blue, da IBM -, aborda as Inteligências Artificiais [IAs], com destaque para as produções culturais que aludem ao tema: filmes e séries consagradas, e livros perturbadores de autores renomados.

Damos espaço também à Encíclica Magnifica Humanitas, da autoria do Papa Leão XIV, publicada em 15/05/2026, obra em que analisa o crescimento das IAs, ao tempo em que defende a preservação da condição humana.  

Abordamos também as Revoluções Industriais e seu impacto sobre a sociedade, em diferentes épocas, bem como as teorias da conspiração que acompanham a relação homem x máquina.

Além da evolução das IAs, a publicação aborda as manobras trabalhadas dentro e fora do tabuleiro de xadrez, obsessão e paranoia, espionagem em competições esportivas, comportamentos indesejados de programas de computadores, a acelerada produção de robôs humanoides na China e mais.

 

 

Na capa da edição, a criação de uma IA, inspirada na canção Automatic lover, da britânica D. Dee Jackson (1978). 

Fonte: Intervalo Cultural 

CONHEÇAM NESTOR, O TORCEDOR-SÍMBOLO DO COLINA FC!

A tirinha de Nestor, o torcedor, estreou no canal de Intervalo no YouTube, em 10/08/2026,  para registrar o empate do Colina FC, em 1 x 1, fora de casa, com o Tondela, pela 13ª rodada da Liga de Portugal, partida esta que ocorreu em 31/07.
 
A tirinha acima alude à 16ª rodada da Liga.  No quadrinho 2, temos os resultados reais das partidas, na rodada.  O Colina FC ocupa provisoriamente a segunda colocação, ao lado do Futebol Clube do Porto.
 
O Colina FC é um time de futebol eletrônico criado para homenagear os jogadores históricos do Clube de Regatas Vasco da Gama: os Camisas Negras, campeões estaduais de 1923; o Expresso da Vitória, dos anos 40 e 50; o Trem-bala da Colina, do início do século XXI, a era Roberto Dinamite e muitos outros esquadrões consagrados que honraram o manto de São Januário. 
 
Prestigiem as partidas do Colina FC em:
@intervaloculturalrio3051   

VOCÊ SABE O QUE É "TARÔ TERAPÊUTICO"? HQ DA TARÓLOGA PATHY SILVEIRA EXPLICA

 

 
O tarot terapêutico é uma ferramenta de autoconhecimento que usa as cartas do tarô como um espelho para refletir o momento presente, os sentimentos e os padrões de comportamento de quem consulta.

Diferente do tarô tradicional, tem por objetivo ajudar a pessoa a compreender seus conflitos internos e a encontrar caminhos para o seu próprio desenvolvimento. 

Como Funciona
  • Imagens e Arquétipos: As figuras das cartas representam energias universais e aspectos da experiência humana, conhecidos como arquétipos.
  • Diálogo com o Inconsciente: As cartas escolhidas ajudam a trazer à tona sentimentos e bloqueios que estão ocultos no inconsciente, facilitando a reflexão. 
  •  Foco no Livre-Arbítrio: A leitura mostra tendências e conselhos, reforçando que o consulente tem o poder de mudar suas atitudes e construir seu próprio caminho. 
Base Teórica
  • Psicologia Analítica: A prática é muito associada aos conceitos de Carl Gustav Jung, que via os símbolos e mitos como a linguagem da alma e do inconsciente coletivo. 
  • Ferramenta Projetiva: Funciona de forma parecida com a análise de sonhos, onde a pessoa projeta suas questões nas imagens das lâminas para conseguir observá-las de fora.

Se você deseja conhecer ou agendar um jogo, fale com a Taróloga Pathy Silveira pelo Instagram: @pathysilveiraterapias

GUITAR HERO ESTÁ DE VOLTA, COM NOVO NOME E LANÇAMENTO NO INÍCIO DE DEZEMBRO DE 2026

O game Stage Tour, considerado o sucessor espiritual de Guitar Hero e Rock Band
tem lançamento marcado para 10 de dezembro de 2026. 
Detalhes do Lançamento e Novidades
  • Desenvolvedora: Criado pela RedOctane Games, estúdio formado por veteranos por trás dos clássicos jogos de ritmo. 
  • Plataformas: O título foi confirmado para PC (Steam e Epic Games Store), PlayStation 5 e Xbox Series X|S. 
  • Trilha Sonora: Chega com mais de 90 músicas licenciadas cobrindo seis décadas de rock e outros estilos, incluindo nomes como Metallica, Slipknot, The Rolling Stones e Muse. 
  • Modos de Jogo: Inclui multiplayer local e online para até quatro pessoas, modo campanha/turnê com elementos roguelike e suporte a controles comuns ou teclados de PC, sem obrigar o uso de instrumentos. 
  • Instrumentos e Periféricos: Há suporte para guitarras, baixos, baterias e microfones (com bundles oficiais em parceria com a Gibson a partir de US$ 129,99), além de compatibilidade com alguns modelos antigos de outros jogos. 
  • O jogo Stage Tour está sendo desenvolvido pela recém-reformada RedOctane Games, que é composta justamente pelos veteranos e criadores originais da franquia Guitar Hero. 
    A equipe por trás do projeto conta com grandes nomes e parcerias importantes da era de ouro dos jogos de ritmo:
  • Os Fundadores Originais: Os irmãos Charles e Kai Huang, fundadores da RedOctane original (empresa que criou o primeiro Guitar Hero junto com a Harmonix), estão envolvidos diretamente no projeto atuando no conselho consultivo. 
  • Veteranos do Gênero: A equipe de desenvolvimento do estúdio reúne ex-funcionários da própria RedOctane, além de desenvolvedores experientes vindos da Neversoft (que assumiu o Guitar Hero a partir do 3) e da Harmonix (criadora de Rock Band).
  • Envolvimento da Comunidade: Para garantir que o jogo atenda às expectativas modernas dos órfãos do gênero, os desenvolvedores integraram e pediram feedback de líderes de comunidades de jogos de ritmo independentes, como os criadores de Clone Hero e YARG. 
Até mesmo na fabricação das novas guitarras oficiais de plástico, engenheiros veteranos que desenharam os primeiros controles de Guitar Hero participaram do projeto para evitar falhas clássicas de hardware e garantir a mesma sensação tátil dos botões e da barra de dedilhar clássica (strum bar).
 
 
Lista de músicas confirmadas:
ArtistaMúsica
Avril LavigneBite Me
BABYMETAL & Electric CallboyRATATATA
Bad OmensJust Pretend
Beast In BlackBlind and Frozen
Billy TalentRed Flag
Black Eyed PeasPump It
Blink-182More Than You Know
Castle RatSiren
Def LeppardPhotograph
Duran DuranRio
Ed Sheeran feat. Bring Me The HorizonBad Habits
ExtremeGet The Funk Out
Fall Out BoyHeartbreak Feels So Good
GenesisLand of Confusion
GhostSquare Hammer
Good KidMimi's Delivery Service
Honey RevengeAirhead
Jeff BuckleyGrace
JfarrariThe Unknowing
MammothThe End
MastodonThe Motherload
MegadethTornado of Souls
MetallicaLux Æterna
Mötley CrüeKickstart My Heart
MuseStarlight
Olivia RodrigoBallad Of A Homeschooled Girl
ParamoreFor A Pessimist, I'm Pretty Optimistic
RadioheadJust
Red Hot Chili PeppersDani California
Rise AgainstBroken Dreams, Inc.
SlipknotPsychosocial
Smash MouthAll Star
SpacehogIn The Meantime
Static-XTerminator Oscillator
Tenacious D...Baby One More Time
The ClashI Fought The Law
The CureJust Like Heaven
The DarknessI Believe In A Thing Called Love
The Long FacesJane!
The ParadoxDo Me Like That
The Rolling StonesIn the Stars
Walk The MoonShoot Up And Dance
WeezerIsland In The Sun
WheatusTeenage Dirtbag
ZZ TopSharp Dressed Man
 
Fonte: sites diversos na internet 

LANÇADA NO FINAL DE AGOSTO DE 2026, OBRA DE PAULO COELHO GANHA VERSÃO MANGÁ


O Alquimista traz a história de Santiago, um jovem pastor da região de Andaluzia, na Espanha, que parte em busca de um tesouro no Egito, iniciando uma jornada inspiradora de autodescoberta que envolve espiritualidade, sabedoria e misticismo. Uma história encantadora sobre a importância de ouvir o nosso coração, reconhecer as oportunidades que a vida nos dá e seguir nossos sonhos. 

A adaptação foi feita pela mangaká e ilustradora Tamaki Nakamura, foi publicada no Japão pela Kadokawa, com o título Yume wo Tabi Shita Shounen, antes de chegar ao mercado brasileiro.

Formato: Volume único com 296 páginas, integrando a linha internacional de adaptações literárias.

Fonte: Editora JBC do Brasil

JÚLIA KENDALL, A CRIMINÓLOGA MAIS FAMOSA DAS HQs, ESTÁ DE VOLTA EM EDIÇÃO DE LUXO, COM "DIÁRIO DE UMA PSICOPATA"

Júlia Kendall leciona criminologia na Universidade Holyrock, em Garden City, e ocasionalmente atua em parceria com a polícia. Ela tenta esquecer uma experiência terrível que a afetou profundamente, mas uma nova série de homicídios a leva a sair no rastro de uma assassina em série. O pesadelo recomeça. Reunidos em livro pela primeira vez, e colorizados para esta edição, aqui estão os dois primeiros capítulos da saga de Myrna Harrod, a cruel e camaleônica assassina que se tornaria a maior rival da criminóloga de Garden City. 

Júlia & Myrna: Diário de uma Psicopata é o primeiro volume da Biblioteca Júlia lançado pela Panini Comics, em abril de 2026. 

A personagem Júlia, da série Aventuras de uma criminóloga, foi criada por Giancarlo Berardi (conhecido pelas HQs de Ken Parker).  Os roteiros e as artes originais são da clássica série da Bonelli. 

Edição em capa dura com 264 páginas.

Fonte: Panini Comics 

CONHECIDO PELO EROTISMO DE SUAS HISTÓRIAS, MILO MANARA ESTÁ DE VOLTA COM A REEDIÇÃO DE "GIUSEPPE BERGMAN"


A mais icônica série de Milo Manara completa numa edição especial, na qual sonho, poesia e erotismo se misturam numa jornada que vai redefinir o próprio significado de aventura!

Giuseppe Bergman está farto da vida limitada e mundana imposta pela sociedade moderna e sonha em viver livre e sem amarras, por isso, não hesita em largar tudo quando surge o convite de uma produtora para participar de uma aventura, mesmo que seu destino e roteiro sejam incertos e comandados por figuras misteriosas. Numa série de histórias que às vezes mais parecem um devaneio induzido por alucinógenos, Bergman passará por lugares como Itália, América Latina, África, Índia e até por territórios imaginários e mitológicos, onde conhecerá personagens estranhos, que serão sua companhia e seus guias, enquanto vive experiências inusitadas, sensuais e, com frequência, absurdas.

Criado pelo mestre italiano dos quadrinhos eróticos Milo Manara (Bórgia, Clic), no fim dos anos 1970 e publicado inicialmente como série na revista À Suivre, Giuseppe Bergman quebrou padrões da época e impactou a cena dos quadrinhos europeus, sendo considerado a obra mais madura do autor e uma das mais inteligentes do gênero. Dissecando o conceito de aventura por meio de um anti-herói, que é também seu alter ego, Manara faz uso de seu vasto repertório visual e teórico nesta obra-prima, na qual mistura influências da história da arte, mitologia e experiências pessoais de viagens para subverter o conceito da arte como escapismo, com o objetivo de criar uma sátira sofisticada, capaz de provocar o leitor a encarar a realidade, enquanto explora questões sociais e políticas sempre de maneira provocante e bem-humorada.

Giuseppe Bergman: Aventuras Completas compila todas as histórias do personagem criadas ao longo de mais de três décadas, entremeadas por textos reflexivos do autor que comenta seu processo e suas intenções com as narrativas que criou. Além disso, conta com um rico material extra, apresentando capas, estudos e imagens coloridas. Tudo isso em 580 páginas em papel offset encadernadas em capa dura com verniz localizado, no excelente padrão de qualidade que a Pipoca & Nanquim oferece aos seus leitores.

Uma obra fundamental e única, que exibe toda a força de um dos maiores nomes dos quadrinhos mundiais!

Fonte: Pipoca & Nanquim

SAIBA COMO SE PROTEGER DE GOLPES QUE USAM O NOME DA JUSTIÇA ELEITORAL


Recebeu cobrança, aviso de pendência ou convocação? 

Antes de clicar ou pagar, confira a informação nos canais oficiais


Recebeu uma mensagem em nome do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou da Justiça Eleitoral informando uma pendência no título, cobrando um valor ou pedindo que você acesse um link? Não clique, não faça pagamentos e não forneça dados antes de confirmar a informação pelos canais oficiais.

O mais seguro é acessar, por conta própria, o Portal do TSE, o Autoatendimento Eleitoral ou o aplicativo e-Título. Mesmo que a mensagem tenha o logotipo da Justiça Eleitoral, saiba seu nome ou CPF e pareça urgente, esses elementos não são suficientes para comprovar que a comunicação é verdadeira.

Em 2026, o TSE já identificou mensagens falsas que informavam supostas "pendências eleitorais" e direcionavam as vítimas a páginas que imitavam o Portal da Justiça Eleitoral. O objetivo era induzir o eleitor a fornecer informações ou fazer pagamentos indevidos.

Recebi uma cobrança. É golpe? 


Depende. Os serviços de regularização eleitoral são gratuitos, mas isso não significa que nunca existam débitos com a Justiça Eleitoral.

Multas por ausência às urnas ou aos trabalhos eleitorais, por exemplo, podem ser pagas por Pix, boleto ou cartão de crédito. O ponto principal é outro: a consulta deve partir do próprio eleitor, dentro dos canais oficiais.

Se receber uma cobrança por mensagem, não use o link encaminhado para verificar se ela é verdadeira. Entre diretamente no Autoatendimento Eleitoral ou no e-Título e consulte se existe algum débito.

No pagamento por Pix, há ainda uma forma de conferir a origem da cobrança: o recebedor deve ser o Tesouro Nacional (Secretaria do Tesouro Nacional). Nunca devem aparecer dados bancários de uma pessoa física.

 

A mensagem sabe meu nome e CPF. Então, é verdadeira? 

Não necessariamente. 


Uma mensagem apresentar dados corretos não comprova que ela veio do TSE ou de um tribunal regional eleitoral (TRE). Por isso, nome, CPF, número do título, foto de perfil ou logomarca não devem ser usados isoladamente para decidir se uma comunicação é legítima.

Em um dos golpes identificados neste ano, um perfil falso no WhatsApp usava a logomarca do TSE, apresentava-se como "Departamento de Atendimento ao Cliente" e afirmava que eleitores em situação irregular poderiam perder acesso a serviços bancários ou do governo.

O perfil direcionava as pessoas para um aplicativo chamado "Soluciona Pendência". O setor mencionado na mensagem não existe no TSE nem nos TREs.

 

Convocação de mesário pelo WhatsApp é golpe? 

Nem sempre. 


Alguns tribunais regionais eleitorais utilizam WhatsApp e e-mail em comunicações oficiais. Por isso, a presença da Justiça Eleitoral nesses canais, sozinha, não permite concluir que se trata de fraude.

Golpistas, porém, já utilizaram falsas convocações de mesários para direcionar pessoas a páginas fraudulentas e solicitar dados.

A regra, novamente, é confirmar. Se houver dúvida sobre uma convocação, procure o portal do TRE do seu estado ou entre em contato diretamente com o cartório eleitoral, em vez de seguir as instruções recebidas na própria mensagem. 
 

Desconfie da mensagem e cheque o conteúdo

 

E se oferecerem regularização do título agora? 


Atenção redobrada. O cadastro eleitoral está fechado desde 7 de maio para a preparação das Eleições 2026 e será reaberto em 3 de novembro. Nesse período, ficam suspensos serviços como emissão do primeiro título, transferência de domicílio e atualização cadastral.

Consultas e pagamento de eventuais multas continuam disponíveis. Por isso, uma mensagem prometendo fazer imediatamente uma operação que está suspensa deve despertar desconfiança.

 

Quais sinais podem indicar um golpe? 

 

Desconfie especialmente quando a mensagem: 

• exige pagamento ou alguma providência imediata; 

• ameaça bloquear serviços ou apresenta consequências graves para pressionar você; 

• cobra por um serviço eleitoral gratuito; 

• pede senha ou dados bancários; 

• envia diretamente uma chave Pix, um boleto ou um link de pagamento; 

• pede a instalação de um aplicativo desconhecido; 

• direciona para uma página que imita a identidade visual da Justiça Eleitoral; 

• tenta impedir que você confirme a informação por outro canal. 

Em abril, por exemplo, o TSE alertou para páginas falsas que reproduziam elementos visuais do Tribunal e apresentavam ameaças de bloqueio de serviços públicos e impedimentos legais para pressionar as vítimas a agir rapidamente. 

 

O endereço revela o golpe

 

Na dúvida, saia da mensagem e comece de novo 


Uma medida simples reduz boa parte do risco: não use a própria mensagem suspeita como porta de entrada para um serviço da Justiça Eleitoral.

Feche o WhatsApp, SMS ou e-mail e procure o serviço por conta própria no Portal do TSE, no e-Título ou no site do TRE do seu estado.

Para consultar a situação do título, o serviço está disponível gratuitamente no Autoatendimento Eleitoral.

Recebeu uma mensagem inesperada? Antes de clicar, pagar ou informar dados, confirme. A aparência de uma comunicação oficial não garante que ela seja verdadeira.

Fonte: TRE-RJ 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

UM CONVITE À REFLEXÃO SOBRE O FEMINICÍDIO E A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

por Cosme Custódio da Silva *

 

O Brasil vive uma pandemia silenciosa e persistente: mulheres assassinadas simplesmente por serem mulheres. Trata-se de um projeto estrutural alimentado pela desigualdade de gênero, pela impunidade e pela omissão, em algum medida, do Estado. Quando uma mulher denuncia e não é acolhida; quando politicas públicas são reduzidas a campanhas esporádicas; quando a violência doméstica é relativizada; quando a sociedade insiste em culpabilizar a vítima, construímos, tijolo a tijolo, o caminho que leva ao assassinato.


O que mais se registra é uma falta de rede de acolhimento contínua financiada, formação adequada para agentes públicos, julgamentos céleres rigorosos e, sobretudo, educação de gênero   desde a infância, condição  indispensável para  desmantelar  a cultura de  dominação masculina que legitima o controle, o silenciamento e, por fim, a eliminação de mulheres.


Não basta lamentar as mortes nem as estatísticas. É preciso reconhecer que cada  feminicídio é um fracasso coletivo, do Estado, das instituições, da sociedade e de todos que se calam. O Brasil precisa decidir que futuro deseja: continuar empilhando corpos femininos ou finalmente assumir que proteger mulheres é proteger a própria democracia e a história de cada um de nós. Não existe neutralidade possível. A indiferença também mata e tem matado. Basta de apenas nos chocarmos e depois esquecermos, até o outro relato macabro.


Impressiona também a onda de intolerância religiosa no Brasil. Atentados à laicidade do Estado não se conciliam com a construção de uma sociedade livre e justa. Não se pode tratar esse assunto como aparato de retórica, mas, de compromisso cidadão, que expressa o ideal de boa convivência entre diferentes, na certeza de que só assim se pavimenta uma verdadeira civilidade naquilo que deve ser compromisso de uma nação. Quando alguém é humilhado, discriminado, agredido devido a sua cor ou a sua crença, ele tem seus  direitos humanos violados e isto impacta na cidadania, na construção da democracia, que
deve ser sempre preservada.


Precisamos de mais ação e menos discurso, mais efetividade e menos superficialidade. Muito se caminhou até este 21 de janeiro [de 2026], desde 2007, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, instituído por Lei, mas ainda há um longo percurso coletivo a ser construído, quando suas portas estiverem escancaradas, onde o laico seria óbvio, vivenciada a fé na natureza, de forma confortável, com sua dinâmica hospitaleira, sua culinária, musicalidade e religiosidade.

 

* Cosme Custódio é nosso correspondente de longa data, editor do longevo fanzine "O Garimpo", de Salvador/BA, a quem agradecemos a oportunidade e a gentileza. 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

POETA EDUARDO WAACK, EDITOR DE "O BOÊMIO", LANÇA "ALMA BRASILEIRA"

Alma Brasileira”: um livro sensível e verdadeiro

 como a poesia deve ser


Por Rogério Salgado *


Eduardo Waack, na Biblioteca Municipal Maria de Lourdes Lian, em Matão/SP, 
para o lançamento de "Alma Brasileira" - 21.05.2026.  Foto de Eliseu Batista.

Conheci Eduardo Waack na década de 1980; na época eu, Wagner Torres e Virgínia Reis éramos editores da Revista Arte Quintal, uma referência nacional naqueles anos pós ditadura militar e trocávamos (nós e ele) notícias através de correspondências postais. São, portanto mais de 40 anos de atividades minhas e dele. Recebo agora seu último livro “Alma Brasileira” o qual li num só gole, como quem se delicia com um bom vinho.

Alma Brasileira” traz um poeta desnudo de todos seus sentimentos nessa vivência cotidiana em que ele caminha, jurado e abraçado com a arte, principalmente com a poesia. Seus poemas doem quando fala de si e de suas lembranças, como em “Barretos 2017” onde revela sua experiência dentro de um hospital, mas sem nunca perder as esperanças: “Voltando ao Hospital / para uma nova consulta. / O murmurinho de sempre. / Alguns estão, outros não. / (...) / Entrei na fila do lanche: / Tomei o café e comi o pão. / Passeei pelos corredores silenciosos, / Embora apressados, da Hematologia. / (...) / Aguardo o resultado do hemograma / Assisto a televisão desfocada / Depoimentos de canalhas e corruptos / As mesmas tragédias de sempre / O Brasil está nesta sala / A recepção é acolhedora / A estrada estava movimentada / Gratidão por mais este dia.”

Mais à frente, num outro poema, o poeta observador que é, se diz assustado com “o uníssono das vozes ressentidas nos grupos de oração e a fingida contrição dos beatos de plantão”, uma realidade nesses tempos atuais, onde a fé é vendida não a preço de banana, mas a preço de ouro. E segue... “Sinfonia Incendiária” revela o mundo de hoje, que muito das vezes passa despercebido dos que tem algo mais importante pela frente, como por exemplo, crescer seus dividendos. Aqui, o autor não faz concessões e se joga numa verdade que em alguns poemas serve como uma porrada na cara de quem vive de ilusões e creio que a poesia nos dias de hoje, merece ser uma bandeira desfraldada, não em posições politicamente partidárias, mas sim humanamente humanas e a função do poema é dizer em denúncias, por mais lírico ou não que os poetas possam ser, pois omitir-se seria estar concordando com os erros que cometemos nesta vida. Exemplo é o romântico Vinícius de Morais que delatou verdades em seus poemas “O operário em construção” e “Rosa de Hiroshima”, Ferreira Gullar em “Não cabe no poema” e Manuel Bandeira em “O bicho”.

E nesse emaranhado de versos diretos ao leitor, fala de saudades com um lirismo de rara beleza, como quando diz: “Eu tive uma mãe um dia / Que me acarinhou, tomou nos braços, / Protegeu na noite escura. / Essa mulher valente, bela e sorridente, / Permanece comigo nas fotografias / Que trago na mente e no coração. / (...) / E essa mulher que atravessa os anos e pergunta quem sou / E adentra como uma catedral o esfraldar do tempo / E ressurge das cinzas revigorada é a mãe que eu tive / De mãos macias, cálidos olhos, cantando / As minhas cantigas de ninar com uma boneca no colo / Sem roupa e amassada, cabelos de plástico / Muda como o breu profundo.”

Alma Brasileira” como revela seu autor, é um livro sofrido, pois registra fatos e acontecimentos reais na vida de quem o escreveu. São momentos marcantes, desabafos e tudo o que habita o coração do poeta. Mas apesar de tudo, há momentos para o romantismo, o amor, quando diz para quem se ama: “Quero partir antes de ti / Na imensidão de uma manhã de inverno / Deixar a casa cheia de lembranças e um livro aberto. / Eu te mostrei o caminho / Tu me ensinaste a caminhar. / Eu te contei uma história sem nexo / E em ti os sonhos se realizaram. / (...) / Em ti deitei e fiz meu ninho / Quero partir como as alegres andorinhas / Que voltam no verão seguinte / Te encontrar na imensidão ensolarada / À beira do oceano de nós dois entregues / Sem rumo, horário ou permissão. / Quero morrer em teus braços / Num abraço firme, meigo, encorajador / E, ao dormir um sono eterno / Ser teu companheiro noutra morada / Noutro cais, habitar um navio fantasma / Singrando os mares da paixão e da loucura.” Por fim, poeta de coração aberto, faz uma bela, sensível e emocionante homenagem ao bailarino e coreógrafo Igor Xavier (1972-2002), artista de Montes Claros (MG) cuja vida foi tragicamente interrompida aos 29 anos, num caso de homofobia que mexeu com o país: “Nesta cidade aconteceu um crime / Que tornou cinza o céu de então / E as luzes apagadas em meu coração / São apenas dor, luto e solidão. / Uma mãe chorou desesperadamente / O seu brado, sua ira e cantochão / E se no palco uma luz desvaneceu / No imenso firmamento uma estrela fulgurou. / (...)”

 

 

O livro abre com o poema “Alma” e encerra com o poema “Brasileira”, poemas esses que falam em metáforas, de uma vida e de um país o qual vivemos, apesar de tantos dissabores de quem deveria cuidar melhor dele. “Alma Brasileira” teve lançamento nacional em maio deste ano na Biblioteca Municipal “Maria de Lourdes Lian”, em Matão (SP), cidade onde o autor reside. Também neste mesmo mês, o livro foi apresentado na Escola Técnica “Sylvio de Mattos Carvalho / Etec e em junho, completando o lançamento e integrando o Projeto “Seara das Palavras”, será apresentado na Associação dos Deficientes Visuais de Matão (Adevima). Sua edição foi patrocinada pelo Ministério da Cultura, em projeto realizado com suporte do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) através da Lei Federal de Incentivo à Cultura / Lei Rouanet e contou com fotografias de Simone Detoni e prefácio de Marlene Xavier, da Associação Sociocultural Igor Vive.

Segundo relato do autor: “Havia pensado em fazer a capa como uma referência e uma homenagem ao disco London Calling (1979), do The Clash, que por si já era uma homenagem ao primeiro LP de Elvis Presley (1956).” A imagem da capa é de autoria da fotógrafa paranaense radicada em São Paulo, Simone Detoni. Eduardo explica: “Ela registra um momento controvertido da história contemporânea brasileira, pois foi realizada no dia da decretação do lockdown em São Paulo, 21 de março de 2021, referente à pandemia de covid-19. Foi um dia de intensa movimentação, as pessoas sendo retiradas... Ela foi feita a partir da Catedral da Sé, com duas pessoas observando. Um homem e uma mulher que representam a própria nação brasileira, observando os acontecimentos... Esta foto possui várias camadas de interpretações. Vemos ao centro da capa, o Marco Zero de São Paulo, local de grande simbologia e significado.”

                                  Lançamento de "Alma Brasileira" na Escola Técnica “Sylvio de Mattos
                                                           Carvalho” / Etec em Matão (SP) - 27/05/2026

 

Nascido em 1964, ano fatídico do acontecimento de um golpe militar neste país, Eduardo Waack publicou seu primeiro livro individual de poemas “Canções do Front” em 1986, porém desde 1979 tem seus textos impressos em revistas, jornais e antologias literárias no Brasil e no exterior. É o criador do jornal O Boêmio (cultura popular independente & evolucionária). Tem publicado, entre outros: “A gota de orvalho suspensa na flor reflete o universo” (2013), ”Os guerreiros medievais têm medo de automóvel e liquidificador” (2014), “Daquilo que se pode dizer” (2017), “Caderno de Viagem” (parceria com José Roberto Garbim, 2020), “O Rei e Eu” (2021), ”Os Povos Nativos” (com Nimuendaju Oliveira, Ipojucã Vilas Boas e Marluí Miranda, 2022), “Essência Poética” (com Chico Silva, 2022), “Somos filhos dessa terra” (também com o artista-plástico Chico Silva, 2023) e “Reunião” (2024).

 

 

Alma brasileira” é um livro forte e terno ao mesmo tempo, desses que a gente lê e busca refletir. Seu autor não faz concessões ao escrever o que lhe vem no íntimo, por isso é sim, um livro autêntico em sua essência e que merece ser lido por todos que ainda tem alguma sensibilidade na alma. “Alma Brasileira”: um livro sensível e verdadeiro como a poesia deve ser.


* Poeta com 51 anos de carreira literária, Rogério Salgado reside em Belo Horizonte (MG). Seu mais recente livro é “Antes que a Lua enfarte”, lançado em janeiro de 2024.

 

                                     Eduardo Waack, à direita, e Rogério Salgado, autor desta matéria

Mais sobre o lançamento em: "Alma Brasileira".