quarta-feira, 30 de março de 2011

IRON MAIDEN IN RIO: THE DAY AFTER

Transcorreu em clima de tranquilidade o show da banda de heavy metal Iron Maiden, na noite da última segunda-feira (28/03), no HSBC Arena, Barra da Tijuca/RJ.
Com frequência nitidament
e inferior, nas cadeiras e camarotes, em relação ao público de domingo (quando o show fora adiado pela queda de uma grade de segurança), o sexteto britânico apresentou as mesmas dezesseis músicas do show do Morumbi, em cerca de duas horas de rock furioso e muita adrenalina.
Dentre as incluídas no set list da apresentação no HSBC Arena, quatro pertencem ao recém-lançado disco The Final Frontier: Satellite 15... The Final Frontier, El Dorado, Coming Home e The Talisman. Mas o público incendiou mesmo com as antigas The Trooper, Fear of the Dark, The Number of the Beast, Hallowed Be Thy Name e Running Free, num uníssono estremecedor. Os fãs cantaram, pularam e despejaram seu rico repertório de palavrões, num show contagiante!
Eddie, mascote da banda, fez uma aparição na segunda metade de The Evil That Men Do, indo de ponta a outra do palco: gesticulou para a plateia, brincou com o guitarrista Dave Murray e recebeu uma guitarra das mãos de um roadie (aquele que acompanha a banda em turnês), mandando ver, para o delírio dos fãs! Mas a aparição apoteótica do monstro viria mesmo ao som do clássico Iron Maiden: um gigante de aproximadamente oito metros a surgir lentamente por detrás do palco, com suas terríveis garras e depois a cabeça de maxilares intimidantes e um olhar escarlate assustador para o público.
Scream for me, Rio!!! - gritou Bruce Dickinson, vocalista da banda, com resposta imediata do público - que aceitou as desculpas pela noite anterior - vibração heavy metal, em um show que o Rio de Janeiro decerto não esquecerá!
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segunda-feira, 28 de março de 2011

SHOW DO IRON MAIDEN NO RIO DE JANEIRO É ADIADO

A turnê brasileira The Final Frontier, da banda inglesa de heavy metal Iron Maiden, sofreu seu primeiro revés. A apresentação programada para às 20h30 deste domingo (27/03), no HSBC Arena, na Barra da Tijuca/RJ, foi interrompida com a primeira música ainda em andamento. A primeira fila do pessoal situado na pista derrubou uma grade de segurança, ficando muito próxima do palco. Houve feridos, inclusive um fotógrafo. Bruce Dickinson, vocalista da banda, percebeu rapidamente o problema e interrompeu o show por pouco mais de dez minutos, para em seguida anunciar, acompanhado da tradutora Fabiana, o adiamento da apresentação para esta segunda-feira, no mesmo horário. Houve vaias e um princípio de tumulto. Copos descartáveis com cerveja e refrigerantes foram arremessados de pontos mais altos da Arena em direção às cadeiras. Houve tumulto também à saída, na Av. Abelardo Bueno, próximo a um ponto de ônibus. A desorganização ocorreu desde a entrada, com filas gigantescas e aglomerações de fãs, que tiveram que aguardar por pelo menos duas horas para adentrar a Arena. A abertura dos portões, prevista para às 18h30, ocorreu cerca de hora e meia depois. Também não houve o show de abertura, da banda Shadowside. O policiamento no local foi outro ponto extremamente falho. Os raros policiais motorizados permaneceram na Av. Abelardo Bueno e seriam insuficientes em caso de quebradeira ou pancadaria. A impressão que ficou foi a do evidente o despreparo do HSBC Arena para receber um evento dessa envergadura.

Francisco Filardi
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domingo, 13 de março de 2011

VINIL, O FUTURO INCERTO

Há cerca de dois anos, a discussão sobre o retorno da comercialização de discos de vinil1 no mercado brasileiro voltou a pauta, com a reativação da única fábrica do produto na América Latina (a Polysom, sediada em Belford Roxo/RJ). Venho acompanhando opiniões de pessoas ligadas ao meio com interesse mas mantendo distanciamento, o que me permite arriscar a contribuição de um leigo sobre o tema.

Em agosto de 2010, o apresentador Jô Soares entrevistou, no Programa do Jô, dois profissionais2 da indústria fonográfica, os quais discursaram sobre a superioridade do áudio reproduzido pelo vinil. O experimento consistiu na execução simultânea de uma mesma faixa por meio de um toca-discos (Technics), de um leitor de CD (Pioneer) e de um reprodutor de MP3 (Ipod); para a leitura dos dados foi utilizado um osciloscópio (instrumento eletrônico que fornece gráficos bidimensionais na medição de variações de potencial). Ao final do teste, os gráficos indicaram uma diferença aparentemente não significativa entre os sons reproduzidos por vinil e CD, fato que interessará somente a técnicos, a músicos e a audiófilos exigentes, não à massa de consumidores.

Hoje, emergem opiniões consensuais entre os do ramo (leia-se: ação orquestrada da indústria fonográfica) para convencer o consumidor de que a qualidade do áudio reproduzido pelo vinil é melhor. Tecnicamente o é, mas cabe lembrar que esse não foi o discurso que se ouviu 28 anos atrás, quando o CD foi introduzido no mercado brasileiro. Defendia-se à época o tamanho reduzido, a facilidade no transporte, o desgaste mínimo e o som cristalino da nova mídia, livre dos chiados, pulos e estalidos do vinil.

Entre 1983 e 1996, ambos (vinil e CD3) foram concorrentes no mercado brasileiro, até que a indústria fonográfica optou por matar a velha mídia em 1997. Então, por que a indústria, após um hiato de quatorze anos, nos vem com essa, de que o som do vinil é superior? Seria o simples atendimento à antiga reivindicação de admiradores do formato? Não. Não creio na benevolência da indústria fonográfica. A razão para resgatar do limbo o vinil cabe em uma palavra: contrafação4.

Ironicamente, a sempre lacrimosa indústria fonográfica julga ter encontrado na ressurreição do vinil a solução mágica para livrá-la da progressiva queda em sua margem de lucros anual, ao tempo em que acusa o CD de reproduzir um som metalizado. Ou seja, empresários do ramo (leia-se: indivíduos que gostam de dinheiro, não de música) creem em que a reintrodução do antigo formato no mercado minimizará prejuízos históricos e podará os tentáculos do terrível monstro (a tal contrafação) criado, a propósito, pela própria indústria.

Mesmo considerando o disco de vinil um produto bem acabado, rico nas artes das capas e no detalhamento dos encartes, entendo haver hoje vários inconvenientes para o seu retorno:

1) ocupam espaço demasiado5;

2) acumulam poeira6;

3) na esteira do citado no item 2, demandam tempo, face à necessidade de limpeza periódica7;

4) arranhões na superfície do disco e sua exposição ao calor podem comprometer o produto, o que significa dizer que seu tempo de vida útil é bem menor em relação ao do CD;

5) não me parece sensato a indústria relançar em vinil discos que foram lançados originalmente nesse formato, como o Tempos modernos, de Lulu Santos, ou o Nós vamos invadir sua praia, do Ultraje a Rigor, posteriormente relançados em CD. É um teste para a paciência (e para o bolso) do consumidor acompanhar as oscilações tecnológicas do mercado;

6) o consumidor se disporá a pagar o elevado preço de um toca-discos e a incluir agulhas de reprodução em seu orçamento mensal? Não é demais lembrar que agulhas sofrem desgaste e necessitam de ser substituídas regulamente. A propósito, o preço de venda dos LPs, hoje, é absurdo;

7) a tênue justificativa da indústria fonográfica: oferecer uma alternativa a mais ao consumidor. Se a justificativa fosse verdadeira, o vinil não teria sido banido do mercado brasileiro e arrastado para o limbo centenas de lojas de discos, na esteira.

8) acreditar em que a reintrodução das bolachas no mercado nacional freará a contrafação é uma ilusão amadorística8;

9) o fator MP3 (apesar das significativas perdas ocasionadas pela compressão do áudio, a portabilidade e o compartilhamento proporcionados pelo formato são ganhos reais para o consumidor).

Do ponto de vista mercadológico, minha visão não se alinha ao que está aí. Da maneira como está sendo proposto, o retorno do vinil é inviável. Porque será apenas o retorno de um produto e não da experiência vivenciada pelos consumidores, sobretudo nos anos 70 e 80. Discos de bandas e cantores como Pseudo Echo, Then Jerico, Giant, Peter Kent e muitos outros artistas, não lançados em CD no Brasil, eram facilmente encontrados em sebos de vinil9, à época, e em bom estado (com um bocado de paciência, adquiríamos LPs intocados com o carimbo Proibida a venda - amostra invendável, em tese destinados aos DJs e emissoras de rádio). Mas a pluralidade de títulos (vantagem competitiva do vinil em relação ao CD) não mais existirá10.

Outras questões oportunas são as seguintes:

  1. quanto tempo o vinil resistirá ao barateamento de shows comercializados no formato blu-ray11?

  1. ainda que a indústria fonográfica declare o CD oficialmente morto, a exemplo do que fizera com o vinil em 1997, músicas deixarão de circular de forma clandestina?

Apesar destas considerações, é provável que o mercado, de modo geral, seja simpático ao retorno do vinil. Mas se a experiência será válida, de fato, só o tempo dirá. 

NOTAS

1 também conhecidos como LPs (long plays), 12” ou bolachas. Textos explicativos sobre o formato podem ser consultados nos endereços: Gramaphone Record e Vinil na Veia.

2 a entrevista está disponível no YouTube, em duas partes, sob o título Jô Soares entrevista João Augusto e Rafael Ramos – 26/08/2010. Ambos, pai e filho, pertencem à gravadora Deckdisc, responsável pela reativação da fábrica Polysom. João Augusto é ex-diretor geral da Virgin Records. Já Rafael Ramos, foi integrante da finada banda de pop adolescente Baba Cósmica;

3 embora custasse menos do que o vinil, o CD foi comercializado a preços exorbitantes desde o seu lançamento. Só a partir da segunda metade da década de 2000, com o declínio nas vendas (em parte motivado pela rápida ascensão do formato MP3), é que os preços do CD despencaram para a faixa entre R$10,00 e R$15,00;

4 o termo é definido na Lei n° 9.610/98 (Lei de Direitos Autorais) como reprodução não autorizada para fins comerciais, incorretamente tratada por pirataria;

5 empreendimentos imobiliários lançados nos últimos anos no Rio de Janeiro dispõem de metragem média em torno de 50m²/55m²; logo, a necessidade de adequado aproveitamento do espaço interno nas novas unidades imobiliárias certifica a inviabilidade da manutenção de coleções;

6 cerca de 30% da população brasileira é alérgica, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (dado de 2009);

7 quem, em tempos de internet, Orkut, Messenger, Facebook, Second Life e Twitter, passará o final de semana a remover a poeira de seus discos de vinil?;

8 o que impedirá o falsário de copiar um vinil, submeter a gravação a um redutor de ruídos, converter o arquivo, gravá-lo em CD e distribuí-lo à monta? Será que a indústria desconhece que os toca-discos da Lakewood, da Crosley, da Mississipi, da Ion, da Omni e da Woodburn, com conexão USB e conversor em MP3, já são comercializados no Brasil?;

9 o vinil só sobreviveu de fato por obra de colecionadores, radialistas e discotecários americanos e ingleses - embora seja irônico afirmar que DJ amam o vinil, pois são aqueles que mais maltratam os discos com a prática do scratch (deslizamento rápido da agulha sobre a faixa, para provocar efeito sonoro). No Brasil, foi tratado como item de antiquário, mantido pelo comércio de rua (ambulantes) e por pequenas lojas segmentadas;

10 considerando a crise da indústria, os empresários só arriscarão a comercialização de artistas rentáveis. Talvez os sebos de discos disponibilizem alternativas atraentes para os consumidores. Mas não há garantia de que isso ocorra;

11 cabe lembrar que o vinil reinou por décadas sem concorrência. As fitas de polietileno (revestidas por óxido de ferro ou dióxido de cromo), conhecidas informalmente como fitas cassete, eram mídias de baixa qualidade, não devendo ser consideradas concorrentes do vinil.


Francisco Filardi